quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Conluio das delícias

1997, sábado: ressonante (Tangerinas de Mulholland Dr.)
o cavalo desceu a rua com pressa e levantou pouca terra, corria no asfalto.os dois sentaram um do lado do outro e não se puseram a conversar. não acreditava naquela época que se falasse em despedidas. ele passou correndo, o cavalo.

p146 (Sangue de Coca-Cola)
A merda toda é esta saudade. No apartamento do 8º andar, sentado num sofá, ele que, quando a lua surgir, vai matar alguém de olhos verdes com um fuzil de mira telescópica, Tyrone Power repete alto, como se não estivesse só: - A merda toda é esta saudade.

p211 (Sangue de Coca-Cola)

É esse filho da mãe de lança-perfume que me fez abrir a torneira. Agora fico pingando Bebel. Fica pingando Bebel como uma torneira mal fechada pinga de noite, caramba! E a torneira pode abrir, eu juro que pode. Aí onde eu vou parar Santo Deus? E se eu rezar? Eu podia rezar, caramba! De noite ela rezava. Ficava ajoelhada de mãos postas rezando! Por Deus que ela parecia uma menininha que ia fazer 1º Comunhão, por Deus que parecia! Depois eu apagava a luz e ela me fazia subir na parede, caramba! (aquela língua de cobra)


o que vem embaixo se liga à Tangerinas de Mulholland Drive dezembro de 2007

Conluio das delícias

Quando essas pessoas saíram de perto foi que deu pra ver, eu vi, as pessoas iam saindo, andando pra longe e eu soube que era melhor segurar no corrimão da escada que eles andavam como se fosse carregar junto. Às vezes acontece demais isso: da pressa. Quando Analice chegou na cidade, uns meses atrás que não foram muito tempo, anos, achou tudo difícil. O bonde contornou o teatro João Caetano articulado, era isso: a poesia desceu pra barriga. Analice fugiu lá de Resende e andou toda aquela estrada de Resende até o Rio só porque, além de gostar de Emilinha Borba, não ia ficar lá e ver a filha nascer no meio da terra.
O médico olhou pra Ana e perguntou se ela ia ter o filho e ela disse que não, daí Alice se olhou no espelho e perguntou pra que é que adiantava todo o sacrifício de ser poesia, descer pra barriga e depois ficar com a sensação de que comeu uma laranja muito rápido e tá entalado, ou comeu pipoca e a casca fica presa perto da faringe. Ela não entendia, eu também não, meu Deus linspectoriano, o mundo é muito esquisito.

Analice não achou o amor no Centro do Rio, ao contrário, comia mal demais. Ela não tinha esperança que fosse achar o amor, só a Emilinha Borba de quem comprou o disco assim que deu. Trabalhava numa sapataria, às vezes errava o troco, conseguiu o trabalho rápido. Tinha uma prima do namorado que gostava dela e que morava ali perto da Gomes Freire e ela arranjou o bico na sapataria. Era bom, calçava 36 e experimentava os sapatos quando tinha tempo. Às vezes tinha muito tempo. As pessoas tinham medo, ou tinham pena, ou era mesmo gentis, porque ela estava grávida e só, e só. A barriga crescia rápida, algo ao nível de dizer que crescia explêndida. Alice vingou feito doença em velho, pensaram. Ana esperou as pessoas se apressarem atravessar a rua, entrar no bonde, entrar no teatro, comer pastel porque preferia ficar por último. Era tão mais resignada, devia tê-la conhecido só agora, nunca antes com aquele olho de que sabe antes, de anunciação. Agora ela brincava, mas antes não, lá... Nunca. Seduziu por acaso o rapaz que trabalhava com carros, consertando carros, motores de carro. Ele às vezes bebia; viu Analice escorada nas grades de ferro e pronto, e Analice arranjou um namorado.

Quando Alice pensou que ia se despir, nem tinha mais tempo. Não a exemplo da mãe, a mãe não tirava nunca a roupa. Alice tirava ou a roupa era tirada e ela não via como acontecia, ela que não via nada direito andando na calçada porque era muito míope mas não tinha uma grana pra comprar óculos. Alice pelada no quarto claro, via o rapaz entrando e achava a mecânica das entradas e saídas muito lubrificadas e redondas. Dessa vez, agora dessa vez eles me entendem, que eu levei Alice até aqui pra vê-la achando que as entradas e saídas eram redondas. Alice que queria pendurar uma âncora e se jogar da ponte, era isso meu Deus linspectoriano, ela passou por isso pra ver, só e só o ônibus aportando em Campo Mourão e ela saindo com medo das escadas, corre-mão, e ficar tão quieta de ver a primeira vez o olho verde dele. Depois é que não se vê mais nada nunca, amar é igual escorregar levemente e bater os ombros num poste porque o carro tá em movimento ainda, essas coisas não sei bem. Alice abraçou-se com os dois olhos que eram verdes dum modo que ele entrou nela e disse: agora você é minha. Então ela esperou uns minutos até que ouviu o que devia ter sempre sido o som de Emilinha Borba: os meus olhos razos d'água. Depois não quis mais ir, passou os anos e não quis mais ir, nem ver a mãe, nem saber quem era afinal o pai mecânico, nem o médico que pôs no mundo e ela nunca gostou dele. Pra que no mundo? Fazer o que dentro dele? No Centro, no João Caetano, nos dias com frio que fazia na Gamboa, tanto cheiro ruim na casa que ela corria lá fora vomitar e depois voltava pra limpar tudo bem justo. O rapaz chegava pra não dar pé, não enxergar, hoje eu sei. Vim até aqui com Alice e não deixei ela pular da ponte como quis, nem perguntar a mãe porque não pediu pro médico fazer ao contrário e matar, que lugar de poesia não era na barriga. Vieram socorrer, eu disse que era bom rezar. O seu rapaz tinha uns suspiros e Alice ia neles até chorar muito quando tinha de ir embora; back to the old house. Eu não queria chorar não, dar adeus bem lento é pra quem espera que deitar de luz acesa não seja errado.


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Sangue de Coca-Cola, Roberto Drummond, um livro favorito. Aqui.

sábado, 23 de agosto de 2008

Diálogo com o leve crescimento do caninos (ou Bela Lugosi was dead)

Um cometário muito longo para a Cris Simon do Usina, que passo pra cá porque escrever em primeira pessoa propositalmente é uma coisa que não sei como faz.

Em tempo, o Usina é dos melhores espaços. A cada vez que essa moça escreve, lá vou com meu bloco Hangtian pra anotar as referências sempre plenas duma delícia rara.

o dito

Passei na locadora e peguei Nosferatu - O Vampiro da Noite, do Herzog. Eu queria mesmo era ver o Drácula mais clássico de todos, de 1931, com o Bela Lugosi (a página oficial dele é MUITO legal. Ele mesmo dá as boas-vindas aos visitantes). Foi, por sinal, o filme que tirou o ator do anonimato, e pelo qual ele ficou conhecido mundialmente. Depois de Drácula, Bela Lugosi fez alguns filmes baseados na obra do Edgar Allan Poe (outro MESTRE) e outros, mas jamais alcançou novamente tanto fervor nas telas como em seu primeiro papel. A biografia do ator é bem interessante, embora triste. O Fantaspoa deste ano exibiu um documentário sobre a vida dele, mas a única sessão era durante a tarde, num dia de semana, horário em que medíocres mortais estão fora de seus caixões, trabalhando. Perdi. Falando em caixões, Bela Lugosi morreu (supostamente) em 1956 e foi sepultado junto com a capa de seu personagem mais famoso. Voilà, Bauhaus! Na minha opinião, a versão de Bela Lugosi’s Dead que o Nouvelle Vague regravou é melhor do que a original.

* Tentei pegar também, além de um terrorzinho, o filme que a Prill me indicou nos comentários do post anterior, Uma Janela para o Amor, mas não encontrei na locadora. Tentarei achar em outra. PORÉM aluguei um que eu queria ver faz tempo, e perdi quando estava nos cinemas: Em Paris, com o Louis Garrel, que também fez Amantes Constantes e Os Sonhadores, e o Romain Duris (Bonecas Russas é o mais famoso dele) . Vi Amantes Constantes no Guion no ano passado, e valeu MUITO a pena. É totalmente em P&B, com uma fotografia fora do sério. Duração média: três horas, e um público total de no máximo seis pessoas na sala de cinema. O DVD é uma futura aquisição. Lindo, lindo.


a resposta

Caninos na carótida! Sou totalmente apaixonada pelo Bela, mesmo que digam que ele morreu. A versão do Nouvelle Vague é perfeita, mais que a do Bauhaus que todo mundo fica aclamando como gótica. Não consigo nem sentir cheiro do gótico em Bauhaus; é depressão pura e simples.

Conheci o Bela no Ed Wood, grandessíssimo cartão de visitas. Depois fui atrás dos filmes originais dele (do Wood) e até consegui baixar o Plano 9, mas nesse, definitivamente, Bela Lugosi was dead. Tudo bem. Continuo atrás do Nosferatu; no Rio parece impossível de achar, talvez na Zona Sul, mas daí eu não poderia pagar.

Tenho o Amantes Constantes em casa, mas Cris, não sei o que há que não consigo sair da parte das barricadas, bombas, policiais, etc etc. Acho que porque fui com muita sede procurando “um outro lado” do The Dreamers, como se fosse um disco, sabe. Eu queria ouvir mais do mesmo. Em Paris é bom? Pensei em assistir da última vez que estava aqui em Londrina, mas fiquei desconfiada porque no cinema daqui só entra obras com a Cameron Diaz… desconfiei e não fui. É bacana?

Uma Janela para o Amor é impecável (e o título certo é “Room with a view”, achei que fosse window). cê gosta da Helena Bohan Carter? foi o primeiro filme dela que eu vi, depois disso se tornou minha heroína. me diz um filme ruim com essa mulher! Depois ela apareceu na minha frente como Marla Singer e quase morri. É um filme super hiper simples, até hoje sei lá o que há nele que é tão arrebatador: no início do século XX, uma mocinha inglesa viaja para Florença com sua tia solteirona (Maggie Smith, saca o elenco…) e outra espevitada (Judi Dench). Na pensão onde ficam hospedadas, conhece um rapaz excêntrico ao estilo esquizofrenia leve. Coisa boba, mas o andar da carruagem é uma vertigem. É engraçadíssimo, romântico e tanto perturbador.

(...)

beijo

(...)

e fui obrigada a voltar…

pensando aqui: Helena Bohan Carter se liga ao Tim Burton, que se siga ao Johnny Depp, que se liga ao Edward Wood Jr. e este, então, se liga ao Bela Lugosi.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Desejos incontidos, fingidos de tropeço (ou, Bela Lugosi's dead)

Algumas certezas são mesmo peça de incredulidade. Veja Reinéria, ela se levanta a cada dia numa hora diferente que é sempre a hora errada. Mantém discursos de escritório mas contraditórios, nunca condizente com os espíritos que, volta e meia, correm pra sua cara fazendo com que ela ganhe feições de quem é Reinéria: ela faz política. Também não gostaria de ceder o lugar na janela do ônibus, apesar disso, seu doce é gentil e deixa sentarem. Acredita que nada mais importante no mundo que ser gentil, mas queria saber como é o vento e os quadros que vemos nos coletivos e esquecemos.
Não sei se devo escrever muito mais dessas coisas dela porque são só detalhes, apesar de que Reinéria pensa muito neles. Ela acha fortemente que quando ela é feliz é que fica mais difícil viver. Olha, é que Reinéria não sabe como fazer com as mãos, em que bolso pôr, quando acontece aquele algo de bom e daquele que é bom durando por hoje e amanhã e amanhã, dias à frente, durando. Ela fica toda sem jeito segurando as rosas e tão nervosa que finge que tropeçou e as flores vão lá e caem e daí passa um caminhão da Comlurb por cima delas, meu Deus. Reinéria mete os pés no bolso.

Vai andando e, porque não sabe andar, Reinéria vai trotando pra pegar as flores ou rosas que ela derrubou por desejos incontidos fingidos de tropeço. Proposital era também porque deitava com o rapaz louro do RH sob argumentos de que ele lhe daria lições administrativas auto-gestoras; e ela usaria tudo na sua empresa de roupas, com paredes de vidro, móveis conceituais, chá com bolachas e recital toda quinta-feira. Reinéria que é tão amiga e tão próxima da amiga que semana passada teve terçol e ela foi em sua casa fazer compressa morna, mulher do rapaz loiro que trabalha horas explorativas no RH da Contax.
Reinéria agora toma banho esperando a novela e vai limpar os vidros da janela mas, e se, sem querer, pular? Disseram que ela ia ter um amor mas foi que chegou atrasada e ele foi embora. Desde então prefere limpar os vidros suicidas da janela, ser sozinha. Desse modo, preocupada em como vai resolver as coisas tristes de amanhã (desenvoltura nas tragédias de um minuto) só consegue fechar um olho que. Enviuvado, floricida.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

sobre os passarinhos no galho do twitter: cafeína

tenho escrito muita merda... peço perdões.




mas não deixa de ser louvável, se for esse o caso, que o chefe dessa nação o esteja fazendo de um modo tão contemporâneo, tão gossip (in obvious: bruni sarkozy)

Pessoalidades via twitter (postagem feito casa de varetas)

passarinhos esperando alguma coisa, invariavelmente, nos galhos do twitter (in: why?)


As moças mais antigas costumam calcular o tempo que leva entre uma menstruação atrasada e a outra porque mulher tem água e água, sabe-se a lua puxa. é por isso que tem momentos em que as mulheres começam a parir demais, a beber cerveja demais ou a se jogar no primeiro chafariz de praça disponível.

Isso aconteceu com Rosa Alice, 27 anos, residente e domiciliada no número 316 sito à Rua St. Bueno, Goiania, onde tem aquelas pizzarias, lembra?
Tinha um bloco de anotações verde escrito Hangtian na frente onde punha seus compromissos e as pessoalidades. Arrancava a página e espalhava pelas casas. Certo dia disse pro seu moço: vamos fazer só um pouquinho então - porque tinha muita vontade - e lá se foi. Anotou tudo depois num caderno de capa azul, que era pra pôr em ata o que havia de inconfessável. Entrou na roda das amigas que, virgens, anotavam o atraso menstruativo para caso de necessidade nos seus futuros férteis, casados; assim repartia a preocupação sem que ninguém soubesse.

Rosa Alice desceu do ônibus com Hangtian na mão e lápis 6B na outra, escrevendo o que lhe vinha de agonia e deitava tudo, cada um papel de página, numa porta que via diferente pois precisava só dizer e contar. Ato contínuo, quarto-crescente, e lá ela feliz com o sangue caindo. Terminou o namoro e inseminou um novo hábito de verter desavisos textuais a torto, a direito. Foi bastante seguida, montou um espaço e hoje se frustra com o Yahoo! posts: gostam apenas das noticias onde não se apregoa cotidianidades. Pensa que isso é torto. Só frequenta o blog da Rita Apoena.

#pessoalidades
-125
se digo isso assim, não é por preguiça de me explicar nem nada. só acontece. sento pra escrever que sonhei que me seguiam e eu me escondia e depois eu descobri que quem me seguia era o Rafael, descobri isso meio mergulhada na lama onde eu dormi (como hidden place).

-70
é compreensível que o que escrevo não faça sentido. algumas pessoas dizem que entendem melhor depois de ficarem mais próximas, mas não sei. não costumo me comunicar oralmente, é isso: falta coesão de discurso.

12 de agosto
sobre cartórios, vi no de londrina ontem uma senhora q foi casar. ela pediu os papéis, assinou e disse q o noivo ia amanhã pôr o nome dele.. ...

02 de agosto
pessoalidades via twitter:fui lá comprar ração pros cães. cruzei com o pai tão bêbado q nem me reconheceu.tão vendendo açaí aqui do lado hmm ...

6
dizia que no sonho fugia do Rafael, aquele meu moço, é porque são das coisas inconfessáveis que ele me extrai; aquele meu saca rolhas.

14 de agosto
estou em londrina, como já se sabe. aqui chove muito e não tenho roupas pra sair de casa. o rio de janeiro me é outro país. dá falta...

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

3 minutos: hesitar

Genalva, vem me buscar qu'eu to odiando.



Pela meia noite, a gente entrou numa dessas de conversar a respeito do preço do maço, coisa estúpida. Coloquei a mão entre o braço e o peito porque o frio era o pior desde que tinha chegado. Meu avô recostou a almofada na cadeira lá do outro lado da rua e eu tentei entender o que é que a gente tinha de dizer pra sair daquela e ir pra outra. O rapaz não respondia e eu ficava pensando nas invenções de assunto, nas invenções de pássaros. Pássaros passam pouco de noite, sempre pensei que estavam atrasados pra chegar em casa. São noturnos, ele comentou e fiquei sem graça junto lá, e ainda abraçada com a minha imaginação. Pássaros retardatários.
A cidade era muito pouco parecida com a que eu tinha, com a que a gente brincava. O meio fio continuou sendo meio e sendo fio. Genalva, liga pro teu pai. Fiquei quieta e fiquei em silêncio olhando pro pé das formigas, ele continuava e parecia que ia fazer discurso: Genalva, liga lá, não deixa ficar tão tarde. Você entristece todo mundo com seu sumiço valioso e eu não posso mais te esconder.

3 minutos: hesitar
Genalva era uma garota de montar daquelas casas, aquelas de vareta que você encaixa um pano por cima; o pano fica no formato das varetas. Ela vestida com um casaco roxo do material parecido plástico e ela guarda ainda fichas de orelhões da Telerj. Ela é muito moça, embora a cara. Agora está de noite e Genalva decidiu que ia embora usando seu casaco tactel roxo com aplicação de gola feita de lã.

As pessoas é que não percebem (por ser Agosto) quando algumas coisas acontecem e são escritas: essa moça tinha pai, tinha mãe e tinha um avô, mas Genalva parecia uma jibóia gorda andando pela casa onde nada era dela, nem os lençóis que ela lavava às vezes. Ninguém dizia nada, as pessoas deitavam no lençol e deixavam um cheiro que ela não sabia como suportar, por isso lavava com Omo Multiação, por isso se sentia às vezes sem braço de tanto esfregar e sem olho que derretia saindo pelos buracos.

Você entristece todo mundo com seu sumiço valioso... Ela achou que bom do cigarro é que não se viam os aumentos do preço. Genalva é igual a mim, gente sem lugar pra ir, pra ficar. Ela devia pegar o primeiro ônibus, dar adeus pro avô - corda dos afetos com a família - depois mandar carta de tudo bem e Genalva não ia sem antes beijar uma boca curta. Beijar Tenório.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

3 minutos: des-sentido

Questionado sobre o que se devia dizer a respeito, pronunciou o parágrafo:
Linhas de escrita só se mostram verdadeiras quando molhadas em delírios demandados feito pão de três dias em café com leite. O bom delírio é o que pesa e causa preguiça de carregar mas, ainda sim, vão lá as vírgulas, os acentos circunflexos, mergulhar nele e deixar ir enchendo de cinco horas da tarde quando a gente junta o ânimo e o sol começa a melhorar.
Mas se o passar do pensado pro dito-escrito tem de ser entrado em coisas que flanam, que voam e que se não têm sentido, como então o texto vai ser texto? Pergunto:

Daí de cima, então? Como o texto vai ser texto?

O parágrafo desconversa, os repórteres resolvem que é boa hora de começar a fotografar todo mundo, o parágrafo toma água, o parágrafo ajeita os óculos e os papéis, penso que entramos na TV Senado:
Não há mesmo texto se for só delírio, mas ele tem de ser afresco. Não existe afresco no gesso seco, só no molhado, por isso uso isso de mergulhar. As linhas do escrito precisam vir dum caos tão grave que, quando imaginado, dão uma preguiça constante e o moço, que escreve, pensa que não quer ir lá não, apertar as teclas ou procurar o grafite 0.5. O dito que se põe pra escrito, precisa vir do surto. Quanto à forma estética, que transforma escritos delíricos descompassados em texto, essa vem durante e vem depois mas, como é que vem durante, isso eu não sei.
A assembléia levantou-se atônita. Ele não sabia. Não esperávamos. Cruzei as pernas e ninguém ignorou que esqueci de pôr as calcinhas - ficaram penduradas juntas no varal por detrás da toalha. O delírio tinha de ter forma?
Minha senhora, o delírio, o des-sentido tem de ter forma. Forma de baleia que é peixe, pero mamífero.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Apreciando um doce e mil cheiros

foto dum doce árabe que eu não sei do que foi feito


O primeiro cheiro que me chega perto do nariz é o de damascos. Às vezes acho que é porque nunca comi damascos, não assim, a fruta, já geléias. Deve ser por isso que eu entro e penso em como o cheiro, de tão coral, se espalha entre os outros e sobrevem.


As ruas estreitas nunca mais me lembraram maquetes depois que cresci; quando os pés vão gastando as pedras do chão, quando o corpo já entrou em contato direto com a parede e quando os olhos mediram como devia ser a queda do telhado, as noções fantasiosas param de ser inexistentes e é possível, finalmente, ficar fascinado com a realidade vinda pros sentidos. São sobrados ou quantos andares? Por que não nos lembramos bem do que acontece sempre? E é um de frente para o outro à pouca distância porque assim o sol vai bater e, fora o meio dia, podemos contar com a sombra diagonal, contar com...

A casa que vende é grande, essa tem dois andares e é ampla, pouco arejada, o que favorece. Na porta ficam gordas sacas de temperos, no meio, colunas de aquário com uvas secas, tâmara-sem-caroço, mel com própolis, cravos-da-índia, nozes, pistache, desconhecidos e aqueles inacreditáveis paus de canela que têm o tamanho de um braço. A soma de uma prateleira com bacalhau, outra com chocolate, outra vinhos e mais então esfiha doce causa um caos olfativo e a minha sorte é que me prendo em ver, meu sentido é de ver mesmo sem óculos, mas são lugares da experiência do tato que causa um milhão de perfumes entre as comidas, os condimentos e os vendedores.
Clandestino doce folhado de maçã dentro dum saco pardo. Mordi ali mesmo, o rapaz mal tinha terminado de embrulhar com o chapéu branco, eu mal agradeci o troco de tão ansiosa e criminosa. Sinto muitas saudades do meu pâncreas, o único que eu amei... Por que me apego então ao meu próprio organismo e ao meu próprio pâncreas? A mordida nessa receita tem uma textura, um cheiro, um risco que vão me formando lembranças do tempo paralisado, mas que vai refreando os segundos tão distraidamente que tudo ao redor se torna capturável, isso é um momento.

Depois passei a mão na boca por conta dos farelos, baixei os olhos pro saco pardo malhado de gordura. Delicioso folhado de maçã... peguei o embrulho de plástico e amassei com o papel, os guardanapos, fundo da lixeira preta. Senti tudo colorido com pesar pecaminoso dos que não se desfazem na saliva.

domingo, 3 de agosto de 2008

Poço cartesiano (ou Chapter 4: The Rabbit Sends in a Little Bill)

Era ir embora de outro lugar que não aquele,
de fotografias propositalmente desaparecidas.



A referência que tenho remete a 1885, quando se pensava possível sair de casa com óculos escuros retrofuturistas. Nos desiludimos porque ninguém mais ouve New Order. Desde o ônibus, não fazia idéia que fosse encontrar os corpos empilhados como eram; irreconhecíveis. Discou o número que era 4399-8061 e contou o que tinha havido: um acidente onde morreram muitas pessoas. Em sonhos, não sabemos o que houve, somos dados a saber, e foi dada a saber que houve um tal acidente e que muitas pessoas haviam morrido por causa de futebol.

a fotografia foi sumindo devagar, era ruim, e aos poucos. Deu ainda pra reconhecer quem era: uma senhora e uma moça, com algum sangue que saía do canto da boca, nem sei. Parecia que tinham sido difícil pra tentar fazê-las sobreviver, mas elas tinham morrido. Disquei o número e dava ocupado. As certeza são isso: inexistências de quando se pode andar mais um pouco e foi por isso que não insisti. Também comentei [como mentira] não querer falar. Chiados. E até agoraas pessoas estavam lá empilhadas num terreno esperando um parente e um reconhecer. Reconhecer nem sempre é patente, where the true lies.


[...] parte suprimida porque estou um tanto oca.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Resumo fantástico do escrito anterior

Dos quatro aos treze vemos o nascer exuberante dumas coisas que crescem em qualquer lugar.

fotografia que a isabella kantek tirou

Mais de um ano com o limão e tenho pensado constantemente nos escritos e nas mudanças de rumos. não, essa não é uma postagem que se despede, é só reflexão, exercício de reflexão que passa pelo estreito canal discurso em primeira pessoa.

talvez porque eu não seja primeira pessoa, nunca consegui me perceber bem assim: não tenho povos fronteiriços. e no início do espaço pensei nisso, em criar umas cercas separativas entre o que parecia comigo e todo o resto. deve ter sido isso, não lembro direito.
na época, a idéia era escrever qualquer coisa, eu não fazia idéia de que algum dia ia acompanhar ansiosa o lançamento daquele filme sobre a Clarah Averbuck, e morrer de inveja da lagartixa da Rita Apoena, a Judith. eu não conhecia essas pessoas, nem o inseto; a compenetração era toda a universidade e as coisas vistas por lá, coisas da pesquisa. sabem, eu trabalho com pesquisa há algum tempo, ou tento, eu gosto muito de fazer isso, mesmo sem saber se faço direito -fatal que não.

só vi na vida uma pessoa que fale mais mal do que faça do que eu, foi a Diana Krall no programa do Jô. ela dizia que cantava mal, que tocava mediocremente e que não fazia ideia do que estava fazendo ali. foi um bocado constrangedor, como não elogiá-la? ela é incrível. ela se acha miseravelmente artista, disse que era mesmo muito dura consigo. constrangedor, não sei explicar. mas ela disse que estava melhorando.

enfim, o que ia dizer não era isso.

o limão começou falando de coisas completamente dispersas. num carnaval que passei em Sta. Teresa ano retrasado, um casal muito querido não parava de transar (amorosamente) no quarto ao lado e me vi compelida a escrever , não sei que me houve. peguei uma agenda que a Luiza havia me dado de presente e comecei a despejar frases e frases sem a menor ligação entre si.
1.
Cinco situações diferentes o levaram até ali; mas nenhuma poderia se caracterizar numa boa história que valha a pena se contada.
Basta ao leitor saber que ele estava ali, em frente a praia, parado, sozinho, em pé, nu.

3.
As canetas nunca tinham tampinhas. Nem as novas. Cito esse dado por me parecer intrigante, ainda que sob a aparência de inultilidade.
assim.
eu escrevia em fonte Trebuchet e o layout tinha só duas colunas.
depois não conseguia mais parar, tornou-se um hábito escrever pequenos textos como se fossem partículas de uma história maior. talvez fossem. era algo que me agradava, me dava uma sensação alucinada de que, não só não haviam povos fronteiriços, como eu era uma ilha que vai afundando.
nessa época eu já conhecia o Bruno. passamos a conversar muito e desenvolvi por ele uma paixão doentia de base poetica, o máximo que ele permitia. a partir dessas conversas foi que a ilha finalmente se dissolveu e os pólipos ficaram visíveis, bem visíveis sob a água. coloridos à beça

serei

a

sereia

serei-a

foi o texto roubado que mudou os rumos do que eu vinha fazendo. desde então, infiltrei nos paralelepípedos diversos mundos imaginados e semânticos que vertiginosamente foram publicados, e publicados e publicados. veio a Kantek e foi laço. quem tinha aparecido antes fora o Benjamin, o Obvious, todo sedutor, cheio de propostas muito decorosas e algum tempo depois eu etava lá escrevendo apavorada para uma quantidade de pessoas apavorante.

mas a Kantek foi laço. a minha escrita foi amarrada por ela. desenvolvida, instigada, treinada, exigida enquanto mexíamos cada uma numa panela e pensávamos em formas geométricas, doces esporádicos que pausam com dois pontos: como se encantamento fosse certeza.

nessa época eu já ouvia a Winehouse, bebida desvairadamente e caía igual a Björk em Triumph of a Heart. nas descontruções que me vinham do Bruno, pensava em outros lugares feito contar histórias antes de dormir. o moço era muito de outros mundos, outros lugares. veio "a terra dos balões voados" onde tinha o moço e o laço; foi de lá que achei que via as formas escritas que eu queria pra sempre igual na fotografia (que é) do Bavcar.

a terra dos balões voados


tua bicicleta e a pista secreta dos pássaros
não sei se você sabe, mas existe a terra dos balões voados. acho que você recorda bem daquele dia em que você deixou o balão escapar - sem querer, coisas de quando se tem menos de 9 anos. ele escapou, eu vi...estávamos juntos e fiquei em silêncio vendo você acompanhar a subida do balão (não lembro a cor). ele subiu muito, foi muito alto mesmo e tinham umas ávores e ele foi mais alto que a mais alta e, de repente, desapareceu. esses dias eu fiquei pensando nisso...pensando muito forte nisso. daí acabei descobrindo que você tem razão, ele desapareceu. não estourou, nem ultrapassou a estratosfera... ele foi para a terra dos balões voados, a terra onde estão todos os balões que nós ganhamos nas quermesses, festas de aniversário, feiras e pracinhas. estão todos lá, como a gente lembrava que eles eram. fácil de chegar lá não é...não mesmo. há de se seguir alguns pássaros e outros balões que constantemente vêm sido perdidos por meninos e meninas com menos de 9 anos. o que sei com certeza é que ele fica bem próximo da Terra das Sombrinhas desaparecidas.
foi o período, o junho, em que mais escrevi. obcessivamente, passionalmente, alcolicamente. olhando esse ponto, considero que o que de melhor já fiz está lá e não sei se volto de novo. em diálogos cortados com o Bruno e constantes com a Isabella, a Estella, mais o bebê que a gente ainda nao sabia que ia nascer.

em agosto, certamente por conta dos abusos etílicos, entrei o agosto muito doente, neuropatia, disseram. passei os dias antes do aniversário dentro do hospital, neropatia dos meus versos e o Bruno desaparecido dentro da propria cavidade umbílico-esquizofrênica. não sentia parte da minha mãe esquerda e me perguntava: a mão ou a garrafa?
foi numa noite desses dias que conheci o Raphaël e ele disse que, se eu escolhesse a garrafa, ia ter de beber de canudinho. ri. eu não fazia idéia que ia me apaixonar por ele, de forma alguma, essas coisas a gente não sabe. ou sabe completamente, mas o que está na nossa cara é impossível de ver, como se sabe.

em outubro o volume de escritos já tinha despencado de 23 pra 9 textos. o primeiro do mês se referia ao livro que ele tinha me dado. fiquei feito idiota lendo o cartão meio disléxico que tinha vindo junto. eu sabia, eu já devia ter sabido pela quantidade de vezes que lia aquele cartão meio disléxico que aquilo ia ser abismo puro.
por conta dos atrasos frequentes, que derrubaram metade da minha vida na pesquisa, o de Góes me recomendou um psicanalista e passei a ir vê-lo. não escrevi mais 23 textos por mês.

o envolvimento com a pesquisa e com o término da faculdade, com a monografia minaram bastante a esfera aleggro-imaginativa que se via no limo, mesmo nos momentos melancólicos. acredito que foi o momento de consolidação das linhas. algumas chaves como a letargia da miséria, a questão do conceber uma criança sem sentido mais a assumissão das personagens femininas ficaram bastante recorrente. tudo isso sob a disciplina da Kantek, ela vai discordar, mais foi. faltava amarrar o que havia e, nesse momento as vírgulas pararam de recorrer à vodka para ser sentir sóbrio.
Eu queria poder dizer o nome dela que passou as fichas duma mão pra outra, deu bom dia imaginário pra moça da fila, olhou o retrato e se convenceu que nem tão distante se podia enxergar a grandeza da sua precipitação hílare (ainda que com suas suspeitas de trágica). Desocupavam o telefone e se afastavam, ela se tropeçou, agarrou o fone vermelho, telerj, telerj e girou o disco com 8 5 2 – 2 4 8 – 9 5 3 1
por influência do Raphaël, via Kundera, também houveram aqueles pequenos e bestas ensaios que me ajudaram a ver outros rumos. gostei. veio a revista piauí e o Bruno já tinha ido fazia tempo, cuidar das construções navais. o Desmemorium da Kantek foi embora uns meses depois por conta da gestação da Virgília, foi justo e feliz.

hoje temos isso, eu escrevo, os povos fronteiriços vieram, foram embora e nem deixaram um bilhete, nem mesmo um vago. o Dostoievsky me alimentou. o Raphaël estava parado mostrando umas fotos da família e - ínterim - pedi um beijo que ele deu igual se dá dança. acho o que eu escrevo muito ruim e tenho bebido muito, muito menos. não me lembro bem do tempo em que tinham os homens, as marcas de noites e dias mal, essas coisas paralâmicas. não lembro, parecem outra vida. era.
tenho escrito muito pouco porque ainda não consegui terminar a monografia, é a minha Virgília, tenho de gestá-la, não tem jeito. agora ouço muito Feist e converso com a preta Juliana mais raramente, é um pouco pena. fiquei sem o álcool, é isso, acho que ela compreende [não aceita] (e) que podemos sempre fazer roubos efêmeros. outro dia andamos de metrô e dormimos num hotel na Lapa.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Le Mariage

Why does Goucem steal the gun?




Elle veut l’amour
Pur et sans failles
Dans le profond des horizons lointains
Mordre au citron
De l’idéal
Elle veut le début sans la fin
J'aime....

ela quer o amor puro e sem falhas
nas profundezas dos horizontes remotos
morder o limão
do ideal
ela quer o início sem fim
eu amo...

(par Biyouna)

Le mariage (sans la fin)
Eu fico ouvindo a água do chuveiro e penso que é chuva. acho estranho como os móveis, as paredes, mudam de lugar e tropeço e machuco os dedos do pé. Olho as unhas do pé e penso que deveria usar aquele remédio, aquele. je ne peux plus vivre sans mon mari, eu disse embaixo, e achei que era uma grande incerteza que as coisas não se deteriorassem à cada espaço de dia. Me devoravam muito lentamente.
Descendo a rua, eu passava pelas barracas e o via escondido entre duas caixas grandes onde haviam estado tomates, batatas e ele me olhava com uma coincidência de olhar como a que se vê nas esquinas hoje, pela TV. Nunca nos falávamos e eu quis mandar uma carta, queria endereçar a quem? sabia que de noite ele vinha até a cozinha procurar bolo dentro do papel laminado, fazia escondido como se eu não visse e penso que talvez soubesse que eu não queria ver mais os pares de olhos com laços soníferos.
Eu observo as entradas e ela talvez a mim: je ne peux plus vivre sans mon mari! e nem sei mais quem diz. Quem diz? A quem endereçar? Eu, a fala, os carros de noite e um sentido de dor na garganta, de sal nos olhos que se saiam, e eu confundia o barulho com o barulho de chuva. Ela me ouvia como que não compreensiva e decidi que era bom um ônibus, um atropelamento. Passei a mão nos cabelos não sei quantas vezes - ainda tinham as cores quase farmacêuticas como o castanho café 366. Gritei e acho que saí andando mais na rua porque soube que a cidade não me seguia desde que saí com poucas peças de roupa e um prazer entre as pernas que foi constante.
a água ficava escorrendo por todos os lados, paralelepípedos... eu tentava passar o véu mais justo nas orelhas porque sentia muito frio. a Place Mai Alger tinha ficado longe novamente, como ela que não me ouvia, como as caixas de legumes, os remendos de móveis faltantes, as cartas que ele me mandou da cozinha à varanda de cima do sobrado e que queimavam afeto.

domingo, 27 de julho de 2008

Antologia da passionalidade uterina: séculos XX e XXI

Nascida Eleanor Fagan Gough, foi criada em Baltimore por pais adolescentes. Quando nasceu, seu pai, Clarence Holiday, tinha quinze anos de idade e sua mãe, Sara Fagan, apenas treze . Seu pai, guitarrista e banjista abandonou a família quando Billie ainda era bebê, seguindo viagem com uma banda de jazz. Sua mãe, também inexperiente, freqüentemente a deixava com familiares.

Menina americana negra e pobre, Billie passou por todos os infortúnios possíveis. Aos dez anos foi violentada por um vizinho, e internada numa casa de correção. Aos doze, trabalhava lavando assoalhos em prostíbulo e aos catorze anos, morando com sua mãe em Nova York, caiu na prostituição.












quinta-feira, 24 de julho de 2008

minha fotografia favorita de Tina Oiticica Harris



Caríssima
me diz uma coisa: posso te roubar? Se eu fosse ladra, queria ser igual ao Bruce Willis e o Thornton em Bandits, chegar no banco dando bom dia, "this is a bank robbery". ah sim, posso roubar um texto e uma foto sua?
é que, como não ando com cabeça pra escrever, venho querendo recortar pro limão as coisas que gosto e que as pessoas que me são queridas escrevem. entonces? queria roubar o post da chuva na Praça da Bandeira junto com a sua foto no Jd. Botânico... eu roubaria assim, roubando mesmo, mas não encontro a foto, (onde foi que eu vi, meu Deus?) e também pensei melhor achei melhor te perguntar antes se posso usar escritos teus.
então, me conte como está?
(...)
em busca da foto, acabei lendo bastante do UA e cheguei à conclusão que você tem um espírito à la Scorsese. caramba! tem sim, olha lá! que acha?
espero que esteja bem
Priscilla, mon amour:
Scorcese e eu somos de famílias católicas. Ele é um gênio e eu sou uma desmiolada como você. Estou preocupada porque você bebe. Você não pode beber uma gota de álcool. É uma droga draconiana mas é isso mesmo.
(...)
"roube" o que queira.
Vou almoçar. Nem postei ainda.


minha fotografia favorita de Tina Oiticica Harris
(ou Mulher, musa jardim-botanesca)
Hi Nicolas
Acabei de saber que a Tina foi embora e estávamos falando sobre a besta do Karl Marx, minto, falávamos das bestas que achavam que matar era bom porque era por causa do Karl Marx e ela, nem eu, a gente não entendia isso.
Não entendo porque só soube agora. Talvez eu não devesse ter me ausentado, não entendo porque me ausentei para cuidar dessas coisas que me pareciam importante. Vim aqui contar a ela que, finalmente, tinha acabado, que estava no fim as coisas que me afastavam. Ia perguntar quando íamos nos ver, talvez. Maybe...
Tenho tanto carinho pela Tina, mas tanto.
Conheci a Tina porque escrevia sobre o Rio de Janeiro e ela disse que sabia exatamente em que ponto da praia estava o vendedor de biscoitos. Ela me corrigiu porque eu errava as coisas que via do Rio de Janeiro, cidade fantasiosa que ela conhecia verdadeiramente. Ela conhecia o Rio de Janeiro de verdade.
É verdade que nunca nos vimos, não mais do que pela tela da máquina que ela gostava tanto. E ela me disse sempre pra eu parar de beber. Disse, estude e comporte-se. "Você não sabe quanta bebida tenho no meu bar. Não bebo nada. Não como açúcar. Um chocolate especial porque ninguém é de ferro. Mas parou aí.". Tina, minha querida Sea Lion Woman... e eu queria e devia tê-la amado direito como as pessoas fizeram. A amo. Ela disse que a mim.

Sentirei grandes saudades dos seus carinhos e nossas conversas sobre como ter dias bonitos e como tirar fotografias de flores até elas parecerem desenho. E não esqueci que a prometi um texto sobre minha favorita dela, lá no Jardim Botânico, tão linda... linda Tina... não esqueço dela.
Sinto tanto, Nicolas

Beijos.




domingo, 20 de julho de 2008

e parecia ternura...

se eu me deixasse embalar...





novamente a inacreditável Mariza, numas visões que são os próprios arrebatamentos.
me apego, porque daqui não tenho gente nem terra e imagino como é ser alguém e mais outros; os que já se foram e os que ainda estão aí andando nas calçadas e mais. não tenho gente nem terra. a minha tristeza não sei...
ela canta e samba, filha-neta de nem sei quem.

o vídeo quem me mandou foi o Messias, querido amigo que é grande poeta versador, vinho, Ferreira Gullart, salão do reino, generosidade e moça serenidades de Tubarão. peço que o visitem em Sapopédia porque dele nada consigo roubar (e a coragem? e o pudor?).

quarta-feira, 16 de julho de 2008

a falar, não posso dar-me

se a minha alma fechada
se pudesse mostrar,
e o que eu sofro calada
se pudesse contar,
toda a gente veria
quanto sou desgraçada
quanto finjo alegria
quanto choro a cantar...
que Deus me perdoe
se é crime ou pecado
mas eu sou assim
e fugindo ao fado,
fugia de mim.




(....a falar
não posso dar-me
mas ponho a alma a cantar
e as almas sabem escutar-me


escorrem os poetas que escrevem letras que falam aos cantos
nela... Mariza...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O Clube do Coma: reacende e se afoga para #10

Noutra parte eu vejo as duas e elas estão conversando. Uma delas diz que queria ficar e a outra também. Elas entram num consenso, mas ele não faz o menor sentido porque, veja, elas querem ficar, mas não podem, não como duas. Cada uma devia ir, elas deviam. Elas não vão. Uma está sentada e a outra de pé. Uma delas está gritando, acho que é a que está sentada quem está gritando, não tenho certeza, e gritando e as unhas no braço da outra a batendo. Acho que ela está pedindo para a que está de pé ir embora. Talvez eu não consiga ver nada direito, é bem possível. Não queria nada disso, não queria que elas estivessem aqui. Queria ter entrado naquele ônibus e ido para casa porque estava lá: todos me esperando em casa e elas resolveram justo naquela noite que ia virando dia pelo horário pegar o mesmo ônibus. Eu não devia ter virado dois.

barco
Nesse modo novo, ela ficou bem na beira pondo tudo pra fora pelo vômito. Pensei que talvez fosse isso, que Maria fosse parir e fazer nascer alguma coisa além de ficar caindo, caindo e sendo abismo. Ela costumeiramente cai igual abismo, infértil, sem algum arbusto por perto e você não segura. As pessoas se aproximam dela e não sabem explicar porque. Maria se mudou para a Rua fonte da saudade em tempos imemoriais; Maria via Nara Leão na praia, mas nunca teve coragem de ir lá, de ir lá e falar com ela, nunca tinha, na praia. Maria não é coletiva, mas as pessoas assim mesmo se aproximam dela e vão sendo todas tragadas pra dentro dessa coisa que ela tem, essa coisa feliz, essas reuniões de sábado à tarde que ela tem dentro dela. Dentro dela é sempre sábado no final da tarde e está sempre frio, embora com sol. A lua fica aparecendo no céu igual unha e isso deixa todos felizes. Maria usa roupas largas, Maria não se lembra bem que nasceu igual se nasce de tédio. Ela não sabe que o pai chegou perto da mãe por tédio e que a mãe abriu as pernas por tédio, e ele foi metendo por tédio, e ela gostou por tédio, e ela estupro como gostava por tédio. Maria nasceu exatamente onze meses depois. Não queria sair, pra ver o que? Não queria, fez bem. Queria que ela morresse. Maria, a sua mãe, ela não confessa isso pra ninguém, esse lugar tão comum das mães que não querem ter filhos, e não querem mesmo. A Maria tem um rosto que não chega a ser bonito, mas ela paga um boquete muito bem. Maria dizia que a mãe e o pai tinha largado ela num barco e ficaram na proa esperando a água levá-la: estibordo.... as pessoas chegaram e viram que é isso? a criança vai embora com o mar! E eles a cataram, a acolheram felizes feito quando é luz naqueles letreiros de propaganda, dos prédios. Nossa! A mãe virgem que concebeu o menino Sidarta, andando sobre as flores brancas, depois o crucificamos. Magro... magro... Maria, me deixe te dizer, calma, não vira o rosto, não fica fugindo... eu sei que é tão ruim, vou falar baixo, te contar baixo que ela te pegou, encheu um tacho azul, tão azul.... ela ia te dar banho, Maria, te limpar, te deixar . Ela te deixou lá e por que? Você batia os bracinhos, você batia as braças e ela ia te afundando e a sua cabeça ficou submersa com aqueles olhos que eram daquela cor abertos. A sua barriga ficou toda cheia dágua.

pesadelos recorrentes que maria tem
1.
ela está num caro com alguém, com um homem, e ela tinha ... ela gostava dele e ele gostava dela, ele era mau. eles vão numa subida, numa rua, numa estrada e vão subindo a estrada com a calçada branco e preta do lado direito, aparecendo no vidro da janela do carro tão rápido que nem dá pra ver os desenhos que são ou branco, ou cinza. e daí o carro para e ela sai correndo - a câmera vê isso de longe, como o carro pára de repente e ela parece na porta e correndo usando um vestido preto. e ela pula ou se joga, mesmo avoa e cai direto na areia - a câmera mostra o braço dela de perto e a areia indo pros lados e ela está chorando porque o homem disse alguma coisa que ela queria muito ouvir. e ela consegue continuar correndo, mesmo que a calçada seja uns metros acima da areia, ela sai correndo e ela pára, e ela entra na água, ela olha a água - a câmera mostra que ela solta o ar pela boca e pisa - e pisa, de novo, de novo e então ela se atira na água como se a água fosse cair alguns metros acima da areia. e vai nadando, entrando.

2.
ela está no topo de uma escada caracol e a mãe está lá em baixo dizendo alguma coisa e ela esta procurando alguma coisa numas estantes, numas gavetas e é um mezanino e ela desce a escada mas ela fica balançando e é mole, mas a mãe dela continua lá em baixo chamando, dizendo que ela tem de levar a coisa que ela pegou e ela disse que não pode porque a escada está caindo. a escada é cinza, mas ela pisa no primeiro, no segundo degrau. e desce a escada e os olhos ficam muito... vermelhos... ela diz, ela vai com a coisa da escrivaninha na mão dizendo coisas, gritando um monte de coisas e ela diz grita umas coisas: você já viu o quanto essa escada está bamba??

3. o clube do coma
ela está num teatro e as pessoas filmam as pessoas e as pessoas contam as coisas e tudo aparece na tela. aí ela, outra, outra, sobre no palco e começa a contar a história que era dela. ela sobe e ela grita, todos gritam às vezes, ela só grita pra dentro porque a outra.. por que a outra vai dizer e todos vão ver? ela beija a outra, ela põe a mão na calcinha da outra e ela sente que a outra está molhada e ela continua passando os dedos porque acha que ela está molhada, ela beija a outra de boca gostosa. a outra diz: você é um peixe.

4.
ela está num carro com um homem e o homem gosta dela. ele não é muito bom. ela se joga na água, é um sonho que acontece toda hora, igual o sonho de que ela está num prédio e tenta subir as escadas mas elas estão interminadas e dá pra olhar pro teto e ver os fios, os canos passando. ele fica abraçado e ela s´o queria nadar na água, entrar na água até o fundo onde tudo fica muito, muito silencioso num vestido solto, longo, de crepe. a barriga dela ficava cheia d'água e ele ficava lá só segurando ela e ela ficava lá com frio se debatendo. e não era. ela ficava querendo correr e fugir, e afogada, cheia com a água. água. água. água.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

do pedir:

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metalíngua na minha boca
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terça-feira, 8 de julho de 2008

Dissewiskey: terminações etílicas dirigindo

Cheguei ainda pouco no tanque a tempo de ver o meu pai, a quem decidi agora que tem só o nome, com uma garrafa de Coca-Cola, com cachaça.

6.
Eu queria tudo diferente... às vezes eu acho que esse cheiro não vai sair de mim e do cabelo. Isso me espanta em você, e acendeu um cigarro, foi pra junto da janela exatamente quando passou um Maverik vermelho escrito vendo raridade. Te espanta porque não precisou comer os ovos empanados do boteco, o moço me dava até um refresco de graça, junto com ovo... ovo cozido empanado, ovo à milanesa e um refresco bem ralo de maracujá. Só queria tirar o cheiro de peão de obra. Não sinto, nunca senti, não gosto de você assim. Riu de novo. Ri... ri que eu te prefiro, ri até com os dentes, Clarisse. Ficou d'um sussurro que se estendeu fresquinho pela sala e puxou uma mecha de cabelo dela com outros dedos da mesma mão de cigarro; prefiro você Clarisse à Macabéa.


cervejas depois...

o que me cansa é essa guilhotina velha me dizendo que eu tenho que escrever sóbria. ela veio de onde? desculpa, amor, mas gosto é de escrever bêbada, você sabe. a bebida não é mais que a direção de mim sobre o corpo; etilicamente eu ganho cruzada as curvas, os vales, os rios. eu me bebo, me açude. a polícia me para sobre mim quando eu vou passando rente do bico dos seios, me pára. minha escrita tem desse dissewiskey, falo lá bem alto nos porcentos, pelos graus. é o sexto hoje. as meninas vão passando, os meninos grandes de bicicleta, desculpa, amor, eu reparar. ainda te prefiro, sempre sempre. te quero mais depois da segunda cerveja, aí meu sexo é quem mais te deseja, independente de mim, nem faz força pra me convencer. eu deixo o catolicismo pra trás. a bebida de mim, as letras, as linhas colocadas no lugar errado, fingindo que eu ainda sei que tenho (estado) escrevendo. eu não sei.

sobre as folhas
pensava esses dias sobre a comida. lembrei da história que eu contava esses dias - faz uns meses, cê lembra? - da mulher que tinha comido ovo à milanesa. eu lembro que eu chegava no bar e via aquele ovo rosa e achava ele bonito à beça. não sei porque não pedia o ovo rosa... na verdade, é que eu achava que o ovo vestido com gema de ovo, depois frito, era outra coisa, um salgado. a primeira vez queu mordi fiquei só pensando na gordura. lembrei do dia que o pai que agora só tem o seu chamar pelo nome, colocou em cima do arroz óleo de soja porque a gente não tinha azeite. vomitei no corredor do colégio. deve ser por isso, e outros, que tenho obsessão agora por comida. comida pra mim é presente. já trabalhei por comida. meu paladar gosta é de colocar a língua pra fora e provar as coisas, as pedras, as pessoas, as bocas das pessoas e as comidas que as pessoas comeram. gosto de beijo salgado. depois eu descobri que era ovo, não salgado com massa, com frango dentro. depois descobri que não tinha dinheiro pra pagar o salgado que tinha massa e frango dentro, só dava pra pagar o ovo, não lembro se o refresco era de graça. voltei pra escola, fiquei sentada no pátio esperando a hora da aula. não sei o que era queu fazia, queu pensava, que o estômago pensava (mais... mais... por favor, mais...: não pode). é uma amnésia grande como eu olho pro pátio e as folhas e as [...] que davam na árvore, a faxineira.
não lembro o que eu lembrava. acho que isso era eu ir embora, de mim, digo. ia. eu nunca mais voltava. aí fico me catando, estou aqui tentando me catar nas letrinhas.


domingo, 6 de julho de 2008

Descomposturas dumas palavras sobre pernas quebradas: à trote

ditamentos que são parte da descompostura de quem queria remontar Bergman e aqueles olhos de cavalo:



The Horse's Eye Structure

The horse's eye consists of several parts which are all adapted to meet the horse's special needs.

(...)
Three chambers make up the inner eye. The anterior chamber, which is filled with a clear fluid, is located between the cornea and the iris. The posterior chamber sits between the iris and the lens and the vitreaous chamber is found behind the lens. This chamber supports the lens from behind as well as holding the retina in place at the back of the eyeball.



1.
As semelhanças encontradas entre quem quer que sejam dois, eram desajuizadas. Primeiro, são as centenas de olhares mal usados que os impediu de perceber que a razão das coisas vem do ouvido. Segundo, quando pegou o ônibus, o que ele imaginou era que estariam juntos durante, não só juntos, mas mesmo unidos, falando as mesmas coisas às mesmas horas discordantes - desentendiam já que os atos não correspondem às visões de mundo. ...durante o tempo levado para sustos e despertadores abruptos.

2.
Dessa vez não queria começar com um advérbio de tempo: nunca sabia por onde era que se entrava no texto (o homem bateu na minha porte e eu-a-bri)e nunca soube mesmo. Posso tentar explicar e ser inteligível: o que escrevo é mais do que eu digo. Abuso de dizer eu e isso me envergonha às vezes, edito. Eu não estou presente nas falas, tenho frustrações por não estar, freqüência cardíaca, presente nas falas. Falo e o que sai não é o certo, o que sai é o aparelho fono-desfibrilador que se articula enquanto, de longe, o que fica (?) na minha parte de dentro acena as respostas das perguntas que quem me parou na rua faz. Meus diálogos são tentativas, são trabalhos de ouvir o que eu digo e responder. Eu fico falando muito baixo, eu às vezes não me ouço, eu geralmente entendo errado. Dá pressa. Dá máscara. Às vezes ficam um monte de palavras juntas ou grudadas, se refrescando na pedras, e pulando e essa é a esfera dos fragmentos. Eu digo algo, eu não faço parte dos sons. Eu estreito descomposturas de cinismo ato fálico.

3. Em tudo o que riscavas, queria um testamento (Carpinejar)
Quem diria! Quando ela parou com as pernas na minha frente fiquei até sem saber. Sabia de nada mais porque eram lá, se vê, as pernas na minha frente. As pernas cheias, compostas, de pé, na minha frente e cheias. As pernas ela não cobria, usava saia, eu a usava. Quem diria... logo ela e as pernas ali de fora, na minha frente e não só as pernas, nada, nada, ela não estava vestindo nada. Fechei o olho e fiquei achando que ela não vestia nada. Minto! Ela não vestia mesmo nada não. Ela me despia, ela não tinha vergonha, sempre ela, quem seria eu então ali toda sem ela, assenhorada dela. Na minha frente. Fechei o lho de sempre, um, depois outro, como se fosse o obturador porqueu queria lembrar dela e as pernas na porta. Pelo espelho da porta.
Dei meia volta, acertei com as pontas dos ossos e carne meus três laços e minhas centenas de olhares mal cruzados ajeitaram a miopia que, se já não era cegueira, eu nunca quis operar. outras palavras onde não me reconheci - copo de Dissewiskey, por favor. Ninguém me trouxe.

-
imagem: horse + eye (animal body part). gettyimages
texto: Suzan McDonald sobre uma desordem ocular que pode ocorrer nos cavalos. Wishon Ranch's Web Page

o que há...: às vezes eu não escrevo porque não tem internet na minha casa. às vezes não tem internet em Sadi Moussa e fica assim por dias.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

desculpa em postar todos os dias: feist e twitter

Priscilla Santos prill definitivamente, a fiest tem o guarda roupas e as dancinhas dos meus sonhos http://tinyurl.com/yvhyvh (meu reino p um collant azul brilhante)
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My moon, my man's a changeable land
Such a loveable land to me
My care, my co-lead barber I know
There's nowhere to go but on

[meu homem é uma terra mutável
uma amável terra para se estar
]

ps. anotar que eu queria ou devia fazer isso outro dia lá no metrô. estação Cantagalo

collant azul, scarpin branco e lantejoulas
e um vídeo all doçuras para passadas sentimentais
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