sábado, 30 de junho de 2007

Era ainda agora...

sob a murta e flores histéricas
o Limão não é um blog, não é não... é uma criação (uma surgeção) randômica de-mente randômica instalada no blogspot. ai... isso não entretêm. não forço ele a ser assim - me esforço justo pro contrário. mas fico cheia de recusas, não quero falar dos meus dias de ontem ou transontem. me sinto como comentendo um crime: narcisismo. o Limão n'é nada além dum lugar para onde os pensamentos podem fugir e o que traz a angústia é que, por vezes, fogem os pensamentos errados, os que não queria, os que deveriam ter continuado lá quietos na deles, sem dar ares de graça ou desgraça. mas eles se organizam em palavras, em palavras em filas que eu não gosto. não escrevo pra mim, elas (as palavras) são de indiscrição. se o Michel Melamed viesse me perguntar (ele não virá, suponhamos só) se ele viesse me perguntar pra quem eu escrevo, eu diria pra você (secretamente diria pro poeta). não escrevo pra mim, preu me ler, escrevo pra espetáculo, pros do outro lado das polegadas (ego, delicioso ego) escrevo por mim. Michel, escrevo por mim (acabou de me ocorrer) pra fins exorcísticos. porque as palavras moram em mim como uma possessão, têm vida própria, asas e se ultilizam de violência pra sair. elas são os pássaros do Hitchcock.

uma calmaria lá no alto
daí tudo se acalma novamente pra podermos ouvir. ficou calmo, o poeta voltou, eu me embebedei, conversamos, você disse num momento em que refletíamos sobre o que eu ia dizer: "se você ficasse eu ficaria e ficaria na chuva no sol sós nós os girassóis o mar o canto da sereia. e preencheria o espaço do teu silêncio com o meu silêncio kafkiano contemplando teus mistérios, pois em segredo te amo". depois disso eu caí (de sono ou num sono) porque todo segredo deve ser mantido atrás da boca, toda paz deve estar na parte de dentro das portas e nenhum mistério nos têm desvendado. as palavras foram somente suas e mais uma vez, deliberadamente, roubei (as) numa tentativa desesperada de escrever no outdoor que tem aqui em cima da padaria em frente de casa, que sou como a baleia assassina presa à baía, numa armadilha. (baleia assassina presa à baía numa armadilha...)

breve aporte
Pri... fui expropriado! Ora essa, incrada em Santa Teresa? Levaram o meu carro! Meu amigo, digo por aqui também que sinto muito. Não sinta... Sinto... Se você fosse ainda comunista poderia já ter seu consolo desde o primeiro instante, podia dizer como o pai do Woody Allen no Annie Hall: deixe roubar! ela é pobre, é negra, não tem oportunidades; se não roubar de nós, vai roubar de quem? Incrada em Santa Teresa: como foi isso? Eu saí de casa, olhei em volta e fui tomado por um sentimento de orfandade...

11 comentários:

Van disse...

Querida.....
Gostas desse tipo de literatura então?
Poético-erótico-sensual-ou-algo-assim....
Tenho vários posts desse tipo. Eis um que gosto bastante:
http://vanluchi.blogspot.com/2007/05/o-corpo-confesso.html

Beijuca
PS: Entra no blog do Fabrício pelo link que deixei embaixo do vídeo-animação no post "HÁIM??????". Deve dar certo!
Fica bem, linda!
Beijuca

Van disse...

Outra coisa que eu amo no teu blog são as imagens que vc escolhe. As ilustrações, todas tão lindas...... Posso roubar uma ou outra de vez em quando? ;)
Beijuca

imo disse...

"aproveite enquanto podem te ouvir
aproveite, enquanto isso estou aqui
em palavras!"
(Palavras. Benzeno)

Se o rapaz realmente for entrevistá-la, me avisa para eu poder participar por telefone. Não suportaria ver "o mundo" girando apenas ao redor do seu umbigo.

Tive uma sensação de orfandade quando esconderam minha bicicleta, felizmente foi apenas uma brincadeira de mal gosto.

Ana Luiza Paes Araújo disse...

Adorei o primeiro texto. Certa vez vi um imortal da ABL dizer que o poeta escreve para se libertar de uma angústia que é só sua, é a maneira que ele tem de dividir o seu sofrimento com alguém, que é o leitor. Achei lindo!
Já o último texto deste post me deixou com uma sensação de vazio muito grande. E agora Pris? Quem vai nos dar carona???
hauhauahuahua
beijos

Leonardo Petersen disse...

Acho sim!
Voce nao acha?
Eu paro e penso e olho em volta. É de uma fragilidade quase cômica, ou de uma comicidade frágil, nao sei dieito. O primeiro tá mais pro momento. Se olhar em volta, talvez por causa da quantidade desse amor engraçado ele seja dubitavel, de uma dubitalidade cômica. Acho. De qualquer jeito, obrigado pelo comentário!

Leonardo Petersen disse...

o seu texto me foi esclarecedor.
percebi que o meu blog se criou ao acaso. É o formato do que é vomitado por mim. Quando há um mínimo de organização,de lógica nesse regurgito (raro), há o blog.

Diego H. Zimermann disse...

Hmm...Pode interpretar como quiser, justamente por isso escrevo: o espetáculo lisonjeiro de ver que alguém reflete, de vez em quando, sobre o que escrevo...nenhuma forma de inerpretacao é feia, feio é voce nao se lembrar disso.
O toque quer ser outro, e nao se para de escrever justamente por isso, a isolacao significa estar acima dos outros, e isso te faz bem, nao? pelo menos a mim faz muito bem.
eu nao tinha pensado em absolutamente nada disso quando escrevi esse texto.

Obrigado pela reflexao.

Osc@r Luiz disse...

Eu tenho uma murta.
Está plantada na Chapada dos Guimarães.
Não sei se ela me pertence ou se eu pertenço a ela.
Beijo!
Muito bom!

Van disse...

Eu tb tenho uma murta! Está aqui, bem no meu quintal. E quando ela floresce o perfume é de enfeitiçar! A vida podia ser sempre assim!
Beijuca querida!

F F Moniz disse...

Olá! Sou novo aqui no Blogger. Sou escritor e busco amigos que tenham interesse em literatura. Quando tiver um tempo, visita o meu blog (ffmoniz.blogspot.com), ok? Um grande abraço e parabéns pelo seu blog!

cris disse...

Linda, linda essa imagem : )

Gostei um monte do teu blog.

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