sexta-feira, 29 de junho de 2007

Nas flores

silêncio
se eu ficasse, ficaria de boca calada. e de dedos calados que é pra não pegar no papel, não escrever carta. se eu ficasse, ficaria tão de boca calada que era pra não te assustar, pra não te escapulir... mas fugiu! gritei, corri na chuva, montei bicicletas, subi nas árvores, mas fugiu... gritei.
meu pássaro colorido, meu poeta dos girassóis, eu sereia, e quem vai longe é o mar. gritei o que não era mais mistério, me desvendei.

son[o]s
Eu queria ter cabelos bonitos... não tenho. Sim, são bobagens, mas queria ter um teto pacífico. As idéias se vêem sob essa murta, sob essas flores histéricas e não se sentem nada confortáveis. Dizem em coro: só há paz nos seus cachos, mas os cachos se desfazem! Queria um chapéu, me esconder. Sorte minha que as pessoas não sabem que sempre chego atrasada porque estou ralhando com meus cabelos. Seja bonita Clementine!! Não seja feia! Eu continuo ralhando comigo mas... a transformação não acontece. Só nas minhas fantasias... Na minha imaginação não sou nada do que sou, nunca. Na minha imaginação eu sou sempre eu, como eu era desde qu'eu nasci.

papai-noel
Foi na época do Natal. Eu cheguei na clínica, entrei na sala. Bom dia. Era cedo, ainda não sei como consegui acordar cedo. O médico perguntou como eu estava, me pediu pra sentar. Mal. Por que acha que está mal? Eu esperava alguma outra pergunta.. como ia imaginar que ele fosse freudiano? Porque cortei os pulsos. Ele não se impressionou. Tentei colorir (de bom vermelho) a história, dramatizei... o ele não deu a mínima.
Ainda não consigo me dizer como foram aqueles dias, me esqueci e é como se nunca tivessem acontecido. Estive no inferno e lembrei de você. Pronto, foi a única notícia que recebi de mim mesma até hoje. Vagamente me vejo tentando assistir às aulas, mas com muito sono, e muita sede. E me lembro de ter desmaiado no baheiro, de ter batido com a cabeça no bidê e depois chorado muito. Vagamente... e dores por todo o corpo. O outro médico era judeu, me disseram isso depois mas nunca soube porquê. Você acredita em Papai-Noel? Não... Pois devia...ele me trouxe você de presente. Cheguei em casa e comprei duas garrafas de cerveja pra esquecer que ele tinha me examinado antes.

Um comentário:

T. disse...

que é isso... :)

gostei do teu comentário e a noite serve para ser vivida. enquanto vivemos durante o dia sob as malditas "regras de condutas".

gostei bastante do teu blog também. estava ajeitando o meu em alguns bugs de lay out... tentando, pelo menos.

obrigado pela tua visita e espero que possamos nos "ver" mais vezes.

inté.

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