segunda-feira, 25 de junho de 2007

Marvin: o andróide paranóico

Com o cérebro do tamanho de um planeta, Marvin, o andróide de O Guia do Mochileiro das Galáxias é um protótipo da Companhia Cibernética Sirius equipado com tecnologia de Personalidade Genuinamente Humana (PGH). Possui uma inteligência 50 mil vezes maior que a de um ser humano, mas é, segundo o próprio, subestimado. Há razões para que Marvin se sinta assim: sua ocupação principal é a de (...digamos) hostess da nave espacial Coração de Ouro; deve receber visitas, fechar e abrir portas, servir e eventualmente enfrentar quaisquer outros tipos de seres que estão, invariavelmente, em maior número ou são, também invariavelmente, maiores e mais fortes que ele. Consta também que foi esquecido num estacionamento por 40 milhões de anos, trabalhando boa parte desse longuíssimo período como guardador de naves espaciais.

Marvin apresenta-se sempre num estado depressivo: desanimado, entre lamentos, cabisbaixo, grosseiro e egocêntrico. Isso explica e des-explica como tornou-se o personagem mais marcante da saga: seus prognósticos pessimistas e sua visão cáustica da existência são responsáveis por algumas das melhores frases dessa brilhantemente insólita história do genial escritor e músico Douglas Adams, já contada como série de rádio, de TV, livros e filme. O robô possui fãs por toda parte – há entre certo grupo (de depressivos?) um verdadeiro culto a este (in)simpático equipamento – e inclusive ele recebeu menção por parte da banda inglesa Radiohead, que gravou em seu álbum mais célebre, o Ok, Computer, uma música chamada “Android Paranoid”. Não estou dizendo isso para agradá-lo, asseguro. Eu, por exemplo, adoro o Mavin, mas ele não irá acreditar, tenho certeza. Sei que ele me detesta. Inclusive não há motivos para se deliciar com suas quotas:


Sobre a vida
Vida? Não me falem de vida
A Vida. Pode-se odiá-la ou ignorá-la, mas nunca gostar dela!
Gozado, justamente quando você pensa que a vida não pode ser pior, de repente ela piora ainda mais.

Sua visão das coisas
“Ei, Marvin, meu velho, como vão as coisas?”
”Muito mal, eu suspeito.”
Não finja que você está com vontade de falar comigo. Eu sei que você me odeia. Faz parte da estrutura do Universo. É só eu falar com uma pessoa que na mesma hora ela me odeia. Até os robôs me odeiam. É só você me ignorar que eu provavelmente vou desaparecer do mapa.
Eu estava muito entediado e deprimido, aí me liguei na entrada externa do computador. Conversei por muito tempo com ele e expliquei a minha concepção do Universo.
”E o que aconteceu?”
”Ele se suicidou.”
Isso de nada adiantará, vamos todos morrer... se tivermos sorte!

A natureza
“Tinha oceanos?”
”Se tinha! Oceanos enormes, com ondas bem azuis...”
”- Não suporto oceanos...”
Em infravermelho posso ver,
como odeio a noite

Sobre si
Você acha que VOCÊ tem problemas? Experimente ser um robô maníaco depressivo...
"Ah,vou bem" disse Marvin "se você por acaso gostar de ser eu,o que eu pessoalmente detesto."
Minha capacidade para ser feliz poderia ser colocada numa caixa de fósforos, sem tirar os fósforos antes.

Os outros

Só ao tentar me colocar no seu nível intelectual, fico com dor de cabeça.
"Diga-me" perguntou Arthur "você se dá bem com os outros robôs?"
"Eu os odeio."
Gostaria de dizer que é um grande prazer, uma enorme honra e um privilégio para mim inaugurar esta ponte mas, já que não estou com meu chip de cinismo ligado, quero dizer que odeio e desprezo todos vocês.
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originalmente publicado em Obvious

Um comentário:

Rodrigo disse...

Oi, achei teu blog pelo google tá bem interessante gostei desse post. Quando der dá uma passada pelo meu blog, é sobre camisetas personalizadas, mostra passo a passo como criar uma camiseta personalizada bem maneira. Até mais.

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