quarta-feira, 2 de junho de 2010

A Esbofetada

Sigo com Nelson (vou dizer mais tarde que essa é uma semana Nelson Rodrigues e que ela tem sido meu ânimo nesses dias em que ando tão caminhando prum lado de mim onde me descolo exatamente de mim). A Vida chave de Como Ela É: uma das chave de compreensão da obra rodrigueana e delícia perfeita é "A Esbofeteada". Assistam.
No final, depois de respirar, pegar a bicicleta, comprar um sonho na padaria e outros etceteras depurativos, reflitam: quando a Globo produziria algo assim novamente? Reflitam. Elegância e arejamento, never again?


sexta-feira, 28 de maio de 2010

Retomada: Sobre Pascal e fictionadas fictiones

Escrever não é nunca o caminho mais curto para ir de um ser ao outro; escrever não é mais que perversão e diversão, pretextos falsos e saídas falsas, atalhos, metáforas.
(M. Schneider, sobre Pascal)
Sim, é mera conversa. Mas por que é mera conversa? Porque, meu amigo, beleza, pureza, respeitabilidade, religião, moralidade, arte, patriotismo, bravura e descanso não são nada além de palavras que eu ou qualquer um podem colocar ou tirar como uma luva.
(Bernard Shaw, Don Juan, Ato III)

Me pergunto apenas - a la Borges - se não estamos raciocinado ao contrário. O reverso da história é nada. Creia-me.


Sobre o Pascal, foi perturbador. Como eu disse, fiquei meio ah porra (certamente porque me propus a traduzir) com toda a construção, o formato que o M. Schneider deu ao texto. Aliás, foi desse artigo que você comentou outro dia dizendo que eu ia achar interessante por abordar a forma? Sim, a forma me interessa sempre.

Nunca li o Pascal, quero ir ver o cara, quero ver que porra de bad trip foi essa onde ele embarcou e fiquei tentada a me identificar. Os tempos são outros, mas ficou impossível pra mim não perceber exatamente a ânsia de escrever e pensar. Sabe, falamos outro dia de que bom abrir o jogo, mas há certas coisas que eu ainda não abri. Detesto telefones, pronto. Falar pra mim é uma bosta dum sacrifício e que terapia ajuda? Aliás, preciso de grana pra voltar, tô decaindo. Discordo de você sobre que a química é que funciona melhor. Meu caro Basil, a comunicação falada e escrita já não te provam o suficiente a onda que causam?
Lembro duns dias tenebrosos que passei bebendo e sambando com um amigo. Ele diz que foi minha época de ouro e, de fato, jamais produzi como naquelas semanas fantásticas, jamais cheguei em casa sem fazer ideia de como e sem fazer ideia do que estava escrito pelos braços e pelas coxas - papeis de derme, acessíveis. Era existir de uma forma nova e ilimitada, eu fiz do português a minha droga catalisada pelo álcool, muito bem catalisada.
Detesto ter de falar porque esse nunca foi meu canal. O que sai é um engano mais completo que o habitual e o esperado, porque a comunicação é sempre um mal entendido. Quando escrevo, tenho a oportunidade de malentender menos.

Foi o que admirei naquele dia em que você contou a história da carona na chuva. Dizer escrito, isso é tão raro, momento realmente precioso e te agradeço, não vou esquecer.
Pascal deve ter sido desses voluntariamente mudos, que não suportam os erros grosseiros da língua imposta pela voz, costurada nas conversas faladas. Porque a mente não acompanha. Minto. Por dentro...

O estilo me interessa.

208. Toma consigo Pedro, Tiago e João, e cheio de aflição lhes disse que sua alma estava triste até a morte.
209 Se aproxima deles
210 Mas ou menos a tiro de piedra
211 Reza. 212 Rosto em terra.
213 Três vezes.

(Sequencia do Breviário da Vida de Jesus Cristo)

É cinema. Aproximação sussurrada, de zoom intenso em cima da cena, de desfocar, sabe como é? Cê capta o suor do cara e você sente o cheiro de dor que é o que me interessa. Isso é recriar no outro, leitor/espectador, por memória solidária, o efeito, a química, não sei se consigo explicar.

O que o pessoal lá não entende - e dizer não é meu caminho, não consigo defender nem o que eu amo, caráter fraco - o que não entendem é que literatura não é ficção. Por isso eu perguntei "e vão acreditar?" porque a maioria sequer consegue fazer a associação lógica e correta entre literatura, poesia e ficção. Literatura = ficção, e isso incomoda o Fulano porque aí não é história, é estória, é a metade pra trás do Negras Raízes. Fiction, story, carochinha. Fazer sentir de perto a memória da dor, do problema, do prazer - o que os recria em inegável verdade, memória presente, não apenas lembrança - é arte.

Igualmente incapaz de ver la nada de donde viene y el infinito en el que está ahogado, qué hará pues sino percibir alguna apariencia en medio de las cosas en una eterna desesperanza de conocer ni su principio ni su fin.

Odeio telefones porque aí já é covardia grossa porque eu fico ali sem ter nem um gesticular onde me fiar, não tem nada, fico nervosíssima, mas não tem jeito porque vou ficar sem o celular? Não dá.

Bem, preciso fazer as unhas.
O outro disse que se você me encher muito o saco preu trocar de animal.
Mais vale um cavalo que me derrube

besos
Pri

-----
email meu dito sobre "La melancolia de escribir", artigo de Michel Schneider

Pausa: Nelson e a mulher batata


Grave e triste, adverte: "Isto que você está fazendo comigo é uma perversidade, uma malvadeza! Vamos que o meu marido não esteja lá. Já imaginou o meu desgosto? Você acha o que? Que posso continuar vivendo com meu marido, sabendo que ele me traiu?" E confessou num arrepio intenso: "Tenho medo! Tenho medo!" Durante toda a viagem para o estádio, a outra foi-se justificando: "Estou até a te fazer um favor, compreendeste?" Rosinha suspira em profundidade: "Se Romário não estiver lá, eu me separo!". A outra ralhou:
- Parei com teu erradismo! Separar por quê? Queres saber duma? A única coisa que justifica a separação é a falta de amor. Acabou-se o amor, cada um vai pro seu lado e pronto. Mas a infidelidade, não. Não é motivo. A mulher batata é a que sabe ser traída.

(Nelson, "Homem fiel" in:
Elas gostam de apanhar. Rio de Janeiro: Agir, 2007.
Imagem: Big Book of the Legs. Alemanha: Taschen, 2009)



quarta-feira, 19 de maio de 2010

Modinhas para fêmeas: Mirtes


Las miradas de tus ojos son tan sutiles que penetran en el alma de quien los mire.

Said she was a killer, now i know, i'ts true [hey, go get the doctor / doctor came too late]

A cidade mais ingênua, replicadora de crismas e parentescos não-permitidos, dessas; sentou-se no bar duma dessas. Sei que fica atento, mas é para incompreender o que lhe escapa, para observar os primos em flerte donde nascerão amores endogâmicos. Velhas senhoras, mendigos inéditos. Me escapa como choram os homens, se com as mãos unidas, se comendo, se silenciosos ou se cansados igual todos a quem a dor se impõe. Esse tinha a cara seca , que se diga pois não mancharia aqui nenhuma honra. O nome que me pronuncia como mais do que deveria lembrar...

Há na dor todas as coisas externas do haver sido bom, digo as dores da alma, do haver sido bom e de se ter perdido - sempre bestamente - o divino paraíso ao qual, não se sabia, estava de acesso. Ela em seus olhos porque tem uma boca que molha vasta e - como mente bonito - casta. Ela é branca e maligna, Mirtes tinha os olhos malignos.

Ele se aproximou arrastando a cadeira com a bunda. Quantos outros mortos, quantos no front dum amor só dela haviam ficado? Tantos muitos outros e, se não se atrevia a contar as mulheres, era por religião. Reconheceu-se mártir na suposição furada de existir e reproduzir-se na identidade mediante as próprias escolhas que nunca fizera; porque Mirtes é mulher de arrastamentos.
- Ela nada reconhece, explicou com a cerveja, tão quente está esta tarde.
Ela, dita Mirtes, nos vinha a todos em promessas escrotamente cálidas de uma aproximação de sua boca, com suas palavras e seus afetos. Quem não se empenhava? Quem não salientava , e mesmo salivava!, ver na própria destruição a reunião possível de si consigo, a paz, em Eva, em Deus, na cobra falante trepada na árvore?
Ela, ditosa Mirtes, tem seus olhos que são malignos e que destrõem a ele, a cerveja do dia quentes, aos incontáveis e a mim. Aquele com sua cerveja à tarde, com o copo entupindo, não lhe descreveria tão bem como eu que lhe conheço em vontades, em vozes e em contornos porque, porra, poesia sou eu. Ela mente com a boca sempre eterna e molhada, é da coqueterie e tem o útero fantástico, um útero mitológico. Se é fêmea!
Mirtes se propõe a uma conversa, a uma fotografia, eu a vejo lá longe em conversas, fotografias, ajusto a máquina quando ela sai rosada já que ela e branca e lindamente má, inescrutável, valorosa mãe. Eu a gostaria.
No domingo, dominós. Belo Horizonte é com seus prédios agora, para o alto como já se disse, mendigos inéditos. Eu imploro com eles o olhar que é dela e consumidor, burning paradise. Ela ama as mesmas ruas de uma cidade onde cresceu, e por onde andou e onde aprendeu a arte do bem querer, da agradável companhia, sua exogamia. Gosto quando ela usa as palavras com a boca nude de olhos pintados: demarcação. Mirtes me elogiou semana passada, quase morri.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Duas histórias de casal


1.
Satisfação completa. Uma reunião entre você e todas as mentiras curtas que me foram contadas nessas últimas semanas, foi com o que sentamos e com o que bebemos. Acredito piamente que tenhamos brindado. Era um restaurante rico em detalhes rendados no teto rebaixado, rico em pessoas se expressando livremente entre uma textura e outra especial de arroz. Você me deixa e me inundo disso, dessa impossibilidade de encaixe em mim causada pela felicidade atroz da certeza de que, no fim, te mato. Divórcio é pros fracos, chadornnei um pouco antes do xixi.

2.
A janela, pela fresta cândida, exibia uma noite com estrelas como é raro porque as luzes vão até muito alto e nos separam do cosmo. Meu cosmo, meu sol em torno de quem eu girava, em torno de quem eu preparava almoços com mãos santificadas, era o cloro. Com você esmaeci minhas digitais, com você esvaziei minhas bolsas, minha carteira. Você tão copérnico, me convenceu de que não deveria girar nunca em minha volta, era eu quem deveria buscar, tonta, me esfolar nas suas explosões nucleares. Mas eu sentia tanto gozo. Eu realmente sentia tanto gozo. Quero de volta os seus abusos, que você me bata, que você me retire. Me arrependo, pois.
Eu disse a todos que o que eu fazia? Eu não sei! Era uma noite como essa, vazia e eu perguntava arroz ou macarrão e via que o alho estava no fim eu não compreendo que tão logo você estaria escorregando vermelho... Me arrependo! Vê? Não vê? Eu amei você mais ali, amei mais do que cosmogonicamente, gimnospermicamente gostaria. Seu peito, seu pau, seus cabelos vermelhos e seu pé escorregando no sangue-piscina que eu formei manchando o recibo apertado do alugel. Aí você foi caindo e não houve mais volta dos seus doces abusos, das suas doces humilhações, sua doce explosão estropiadora. Guardo ainda no cantinho do sutiã o seu horror, com toda candidíase devida nessa noite santificada à cloro. Divórcio é pros fracos.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Preservada a infância

I'm about to drop
My head's a mess
The only salvation is
I'll never see you again

Fazia alguns anos, pensara em se desfazer da boneca. Sentada e de vestido, mas não aconteceu de ter realmente coragem, nem impulso, por isso ficou ali olhando parada com olhos vítreos iguais aos dela agora porque, saciada, nada mais permanecia para ser visto.

Aconteceu que morava ali cerca de dois anos e cinco meses, preservava do mesmo modo a poltrona marrom que integrava de modo inseparável a mesma infância em que passava na casa do avô assistindo à violentos churrascos em domingos chuvosos. Como o pai bebia aos gritos e a queimara com um espeto, assumiu o casamento aos nove e dele não pôde mais quitar como a mãe: companheira e amiga, eterna confidente 1958-1997. Seu visitante, o homem, deitou do seu lado e entrava nela muitas vezes enquanto ela lambia a própria boca. O apartamento era fechado e basicamente úmido, escondido. Sobre a boneca, vestia-se de verde e compunha bem o esquema de cor de árvore, sua alameda. Os visitantes que já recebera... Foi generosa com a lembrança porque a lembrança dos outros sempre lhe ocorria na hora como reunião dos aprendizados anteriores, livro dos prazeres e dos esgotos; ao que ela respeitava. Seu visitante gozara, ela gozara for sure, ele dormia um sono e um suspiro morno. Elas se olharam e, embora possamos todos aqui imaginar nos segredos que as bonecas partilham, elas nada partilham fora do olhar cuidadosamente projetado, replicado pela valorosa indústria de olhos de brinquedo. Nunca houvera testemunha afora ela.

O apartamento é agradável e a geladera cheia. O visitante era doce. É uma babaquice achar que se deve realmente reunir coragem e se desfazer da boneca, do marrom, da missa dominical e dos homens que eram todos maus e que ela fazia questão de escolhê-los assim, evidenciando sua teoria cosmológica. Embora agora não, delícia, assopro na orelha, porra nas coxas, folhas prum chá. Um chá, na cozinha que é singela, mas bem aparelhada, a faria dormir.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Cartas de Alforrias Fluminenses: alguns casos interessantes entre 1830 e 1871


Organizado pela Maffalda e inspirado pelo Fred Guth, o Café 22 é um seminário que reúne pessoas interessadas em partilha de paixões. Sobre tecnologia, psicologia, criatividade ou experiências pessoais, as falas se desenvolvem em 15 minutos que abrem um leque de questões e admirações postos para rodar durante os coffe breaks e por toooda longa noite de lindeza etílica que se segue.

No encontro de ontem , falei um pouco sobre a pesquisa que desenvolvi durante a graduação na UERJ e que pretendo dar continuidade entre ler murs do IFCS; a minha paixão. Nos meus 15 minutos, partilhei algumas histórias curiosas, pertubadoras ou cômicas retiradas de um universo de mais de 17 mil cartas de alforria com que convivi nos últimos 4 anos. Curiosas ou perturbadoras (provocadoras também é uma boa palavra) porque nos dizem de cenários sobre a escravidão brasileira que ultrapassam bastante aqueles do senso comum, das novelas, das aulas da tia Carminha. O regime escravista, integrante nacional íntimo durante mais de trezentos anos, deixou mais do que um país dividido entre brancos e negros, bons e maus, deixou uma bizarra confusão de histórias interrompidas, negociações, trepadas e estratégias de sobrevivência. Certo, já estou alongando.

Fica aí em baixo a apresentação em Power Point que rolou ontem, uma versão melhorada porque repensei umas coisas e apliquei as dicas dadas pela Bia Quadros sobre uma boa apresentação com slides. Enxuguei umas informações e acrescentei outras que faltaram (como o significado da palavra "alforria", tem horas que as coisas fogem da cabeça). Acho que ficou mais bacana pra quem quiser usar em aulas, cursinhos, sei lá. Fiquem à vontade e escrevam se tiverem alguma dúvida.

Obrigada pela atenção, abertura e carinho. Eu não esperava tanto porque história era a melhor aula pra dormir.

Hasta, amigos!

CAFE 22 . APRESENTAÇÃO EM PPT "Cartas de Alforria flumin..." e video da fala


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Linhas minhas: razões de não escrever mais, se estou do lado de dentro

Palavras que borraram no início
Antes de conhecer o Rafael eu escrevia muito mais, escrevia nos braços. Depois de conhecer o Rafael eu parei de escrever no braço, nos ônibus, mas, noutro lado, parei de escrever nos braços e nas pernas voltando muito bêbada enquanto chovia, nos ônibus, e eu chegava em casa e as coisas estavam borradas, não me lembrava mais. A cabeça girava com cerca de trezentas mil palavras demoníacas que se reuniam pra formar escritos que eu gostava, e que cultivava, e que me levavam pra o lugar de delírio sensível onde eu mais gosto de estar.

Depois que conheci Rafael, descobri que ir embora não basta, que escrita é ofício que necessita cuidado com a beleza nos trabalhos; foi quando ele me disse muitas coisas que me entristeceram. Acho que ele deveria escrever sobre música brasileira porque ele pode não identificar o down tempo, mas tem instinto pra ouvir nos nervos os arranjos que eu não sei. Rafael, meu moço que fica mais bonito quando tem a barba aparada no barbeiro à tesouras, me lê e não entende, às vezes não gosta, mas diz a verdade sobre que falta mais afinco. Eu só queria apaixoná-lo quando me equilibro no meio fio perigoso de caminhos passiones passando, mas aí ele explica que las dedicaciones al acaso se las deben cultivar con el rigor de una insanidad que no se saca de dentro con un simples puente de sobriedad.

Conclusões ou oclusões atuais
Percebi há pouco tempo atrás que, o que alguns amigos defendem com força e pouco disfarçados lamentos é que as palavras ditadas por Elëgbara nos meus ouvidos, majoritariamente à noite, ou os vestidos vermelhos que tomavam conta dos meus espelhos, vestindo diversas mulheres com garrafas de cervejas na boca (por supuesto, pelo gargalo daquela que sinto saudades), as que gargalhavam, bem no meio dos lábios gostosos planejando passar na primeira papelaria pra comprar um estilete e se defenderem doravante com eles, o que percebi, é que só estavam lá quando eu não podia conter e me iba embora. Nesse sentido, o álcool foi minha terra dos balões voados porque ainda hoje, ainda há pouco, não posso suportar o laço de armadilha de viver ancorada a vida que se dizia, no princípio, barco fantasma afogado, arcabouço amplo pras viagens ultramarinas de serei-a, sereia.

Corretagem
Temos procurado uma casa pra morar, acho que vai ser bom, um recomeço e uma fuga boa pra que eu descubra como é que se sai sem fazer muito mal ao corpo que preciso deixar aqui fazendo seguir com as linhas, esfregando o cerol. Semana passada o corretor de imóveis falou num tom de voz terrível, e me tratou como lixo. Foi ruim demais, me tratando por minha filha, falando rápido e com ameaças pra me convencer pressionadamente que o melhor era pagá-lo 4 vezes mais do que ele deveria ser pago. Ele não conhece os nossos sonhos, eu devia ter dito isso pro Rafael porque eu acho que é o que mais entristece, o grande mal gratuito em que as coisas chegaram, o mal sem causa e acordado. Fiquei sonhando tanto com aquele lugar, ficava perto da praia, e era o que algumas pessoas boas estavam me dizendo, um lugar para viver uma vida bonita. Fiquei lá deitada muito Oh Dae Su: em tantos dias vou sair daqui, vou sair daqui, vou sair daqui. Não consegui sair ainda, não conseguimos começar ainda nossa vida bonita ou não. Depois que conheci o Rafael acabei convencida de que não devia beber tanto. Vou pôr um travesseiro em cima dos desejos etílicos.

Linhas minhas: razões de não escrever mais, se estou do lado de dentro
Andei repetindo pra mim mesma que me respeitava a falta de escrever porque se afastar acontece é muito necessário às vezes..., parar, agora admito que me falta coragem, força. Faz meses demais que não escrevo uma linha que seja realmente minha.

¹as dedicações ao acaso se devem cultivar com o rigor de uma insanidade que não se tira de dentro com um simples poente de sobriedade.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

NÃO, ELE NÃO ESTÁ MAIS AQUI

Comendador, o senhor precisa acreditar que ela está grávida sim, prenha sim! E o filho é do teu filho, é neto do senhor! Isso mesmo as faltas de cinco dentes gritavam cuspindo uns tantos do caldo de couve no tapete. É neto do senhor!! Num orgulho como prum messias, pruma desforra. E ria, riiiiiia que e caía no chão, e a amiga criada, a Vera Aline, a ajudava. Gordíssima, Vera Aline. A saliva de couve no braço do sofá. O comendador devia saber que o filho ia lhe sair, devia ter mandado pra fora do país, pra longe dessas reminiscências dos homens da família, desse preferirem descaradamente aquelas negrinhas que despencavam de cima das ondas do mar em dias churrascamente quentes.


O LIMÃO EXPRESSO MUDOU-SE
ele deixou bilhete! ele deixou recado!

guichê no seguinte link, lavradas devidamente as escrituras em cinco vias.






VÁ AQUI Ó!


Row! There's only seven more miles to go...
We'll reach the Isle of Her

Fevrale dostat chernil i plakat
Pisat O Fevrale navsnryd
Poka grohochushaya slyakot
Vesnoyu charnoyu gorit


Fevereiro, pega sua pena e cai em prantos.
Escreve poemas sobre fevereiro nos soluços e na tinta
Enquanto o trovão vai queimando ao fundo,
está queimando no negro da primavera



Hoje eu vivo sofrendo e sem alegria
Não tive coragem bastante pra me decidir
Aquela menina em sua cadeira de rodas
Tudo eu daria pra ver novamente sorrir
Sentada na porta
Em sua cadeira de rodas ficava
Seus olhos tão lindo sem ter alegria
Tão triste chorava

llorando
llorando
por tu amor
llorando
llorando


Y así pasan los días
Y yo, desesperando
Y tú, tú contestando
Quizás, quizás, quizás

Mas o doutor nem examina
Chamando o pai do lado
Lhe diz logo em surdina

Que o mal é da idade
E que pra tal menina
Não há um só remédio
Em toda medicina

(!!!)

The priest in the booth had a photographic memory
For all he had heard
He took all of my sins and he wrote a pocket novel called
"The State I Am In"
So I gave myself to God
There was a pregnant pause before he said ok

Now I spend my day turning tables round In Marks & Spencer's
They don't seem to mind




here, baby, come on
http://verbeatblogs.org/limaoexpresso/

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Coincidência noturna anterior

Coincidência noturna anterior
parece difícil transformar em texto e realmente é. intimidades elementares só pedem silêncio pra paralisias convulsas e, desse jeito, não se sabe direito como me tornei diversa, como foi que quis te procurar com as mãos e vocalizar sentidos que nunca expressei. são todas imagens que, de tão aproximadas, são muito turvas: te procurar com as mãos, com os dedos e as unhas num movimento tão irreconhecível que é coisa de dar passos pra trás.

ineficiente.

se eu escrevesse a palavra, escreveria num espelho pra ter coragem de olhar (pra ele) em dizeres, de dizer que foi um salto do desejo, suprimir o que até hoje me pareceu proibitivo. saltando pelas sacadas, prestando
uma atenção suicida, aturdi mil beijos pelo seu pescoço e desenhei quadris perfeitos pra encaixe, mas não menti: quis estar infugível contra paredes.
a impressão que se tinha dali era que o querer estava vindo e agora era seu. era eu que te acordava, que achava hora pra parar os seus sonhos, que te procurava com as mãos, que te engolia dos seus sonos, que fazia cercos de língua e de realidade como se fossem cafeína.
e o que mais havia de ser? eu bocejava e sentia os seus dedos em mim. eu reclamava mais cinco minutos e só o que tinha era o preenchimento de todos os vazios universais pelos teus dedos em mim, pelos meus dedos em mim, pela vontade de me esconder, pelo meu excesso de pudores. parece tanto estranho dizer mas, digo, é urgente que se saiba que você circunscreveu meus seios e que você me ladeou e que houve essa posse e que fui pelos cabelos puxada. violentamente estive devota.

simplesmente quis devassar, singelamente forçada, frondosamente aberta. eu quis joelhos, quis ponta dos pés, quis beber e transformar em texto parece fácil, se você soubesse das exigências que... podia mesmo ser toda sonolências e se eu dormir e se você me morde, se eu te chupo; são percepções acetinadas do não comparecimento. apareço esmagada entre os dentes. li teu cartão pela vigésima vez. li teu livro agora e foi pela insistência da sua demora que me toquei gostoso.

domingo, 5 de outubro de 2008

Descobrindo o auto-gonzo

Por que se segurando?

porque se não saem textos não-amadurecidos demais,verdes-limão demais e cheios desses delírios demais. não consigo mais não usar um porra: se o porra e o caralho forem extintos, vou ter de vender laranjas na feira

Descobrindo o auto-gonzo
estou radicalmente poluída por uma série de pessoas que se juntaram nas ultimas semanas: sarah silverman, dahmer, hunter thompson y pereio.


estou sozinha aqui, sábado a noite, ninguém põe as caras, que resta? me recuso a me masturbar. me recuso a escrever.
minha vida social foi enterrada por um namorado violento.


é que minha boca está nos dedos
e que meu corpo inteiro, nas mãos
a minha alma só sabe se escrever, não fala, não mexe
não conversa com as pessoas na rua, não dá bom dia
minha alma é tão gonzo que saiu fora de mim porque sou careta

e aí é que explico: por isso bebo
é quando meu corpo vai descansar e a minha alma pode enfim ir. um saco esse negócio de morar em dedo. quem mora em dedo é unha.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O meu irmão retardado


visão do paraíso
a primeira vez que vi meu filho eu não vi meu filho, eu não vi nada. na primeira vez eu vi e era ele com uma cabeça quase do tamanho do corpo e os tubos que drenavam a água. acho que não gritei porque nunca grito. mas era lá eu, a primeira vez e era meu filho. que mãe animada! ele não tava morto. eu nunca mais tinha acordado.

O meu irmão retardado
Eu tinha tudo para ser infeliz e aí eu sou infeliz uma vez de cada vez, mais só. Tão só que nem em terceira pessoa iria rir e não só por estar vazio de gente: só pelo excesso dos mortos. Lembro que já fui pequena um dia e que dançava, que queria dançar num balé, não dá pra saber agora, mas dançava e dizia que mãe, eu quero mesmo é um dia dançar todos os dias. Naqueles meses tínhamos um sofá vermelho que não dava pra deitar no calor porque virava uma piscina de suor. Ela dizia que, filha, dançar é bonito, mas você não vai dançar. Eu achava muito engraçado esse desentendimento, eu achava muito engraçado que ninguém entendesse que eu ia dançar e então os anos se passaram e as minhas juntas foram ganhando ângulos cada vez menores até que não dançassem mais.
Queria que o Bruno entendesse, quando come um pão barrado de nada que, se eu como Qualy, isso não me deixa mais acesa, isso não me deixa mais esperta, nem mais tranquila. O Bruno achou que não devíamos nunca estar. O Bruno acha que não, nada deve dançar muito, que são planos engraçados, sonhos muito engraçados, lindos, que a gente é bem feliz, muito, muito feliz só quando as juntas atrofiam e você está obrigado a desistir de dançar, de beber e de trepar. Afinal ele me deu um beijo porque o obriguei. Afinal ele iria embora e eu não o veria mais e me encostaria a boca paternalmente, quase maritalmente, dum modo que nunca mais esqueci. Digo do Bruno porque ele me pensa quem eu não sou: alguém que lhe é diferente, e não sou. Digo, sim: danço com as juntas atrofiadas porque juntos e atrofiados ficarão todos os meus enredos.

Minha casa é infinita de absolutos vazios, e de pobreza e de jornais pulp reality fluminenses. Esses de trem, flores cinza-pedaços-de-outros-papéis-cinzas fluminenses. E a minha casa tem mais arte que a privada do Duchamps e a minha casa tem privadas em muitos cômodos e tem uma tampa de privada em baixo do armário da cozinha, e tem uma área de serviço e tem uma escova de dentes muito velha na fruteira depois que alguém pintou os cabelos com ela. Penso que não é por falta de quem bem me queira, porque não é, porque tenho: eu tinha tudo para ser infeliz e sou infeliz por uma vez de cada vez, cada vez que aqui mais cercada da dor dos outros, da mais só. E a casa cada vez mais suja com um saco de lixo guardado não sei porque, e outros, e um fogão novinho, e um microondas novinho, e uma churrasqueira novinha em que nunca faremos churrascos dum lixo novinho que produzimos tentando não comer as peles dos frangos.
Aqui é muito sujo, a vizinha neopentencostal tem uma voz muito bonita mas, se não se cuidar, vai perdê-la, mas Deus deu o dom e vai cuidar. Deus deu o dom e vai cuidar. Deus me deu o dom de escrever porque queria me cuidar. Aqueles hinos evangélicos enchendo o saco e então eu atinei que iria escrever com o desespero de quem toma chá na Colombo sem nem um real no bolso, com o desespero de quem tem uma privada usada na varanda, com o desespero dum cachorro atropelado correndo no asfalto preto e vazio de noite. Eu escrevo como quem achasse que dá pra ouvir música, como quem pudesse esquecer as mortes que as dores dos outros causaram nos outros, como se o guarda-chuvas do Dahmer pudesse me salvar, como se eu pudesse, entrevada, dançar.

Meu irmão retardado jogou fora aquela minha cadelinha, o meu irmão retardado jogou fora a placenta da mamãe, o meu irmão retardado jogou fora o meu contrato de trabalho, o meu irmão retardado jogou fora uns beijos sem língua que me deu, o meu irmão retardado , esse, jogou fora o fio que ligava o som.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Medo e delírio em Abolição: bad trip

Ela é uma caga regra! E elas deram uma lambida na beira do copo de sal do copo de whiskey. E elas subiram em cima do copo de whiskey e elas são daquelas meninas coelhinhas e elas põem as mãos no revólver e aquilo me dá um sono e eu mudo de canal e eu penso no Hunter Thompson e nos copy desks. O Hunter Thompson. O Hunter Thompson sai de casa pra fazer jornalismo afudê, o Hunter Thompson, ele me explica as coisas e ele fala as coisas rápido e eu acho que ele tá dizendo Ela é caga regra e ela lambendo o copo de whiskey, o sal da beirada e daí não dá pra ser serial genius: maldito Lacan.

Bad trip
Ela é uma caga regra, o primeiro pro segundo. Ela caga regra no trabalho, do amor, do horóscopo, caga regra menstrual. E o segundo: ela, ela, ela no rabo da Mirella. E a Cibelle? O segundo: a Cibelle... e tornaram a sair do bar daí um passou o braço em cima da nunca do outro e eles saíram novamente do bar tropeçando num meio fio. Então o primeiro largou a nuca do segundo, então se colocaram para caminhar mais uma vez a rua depois do expediente na garagem do ônibus e já era domingo. O primeiro tem um cabelo e o segundo tem menos cabelo que o primeiro, aí o primeiro pegou o celular e colocou uma música no aparelho de telefone celular daqueles novos que cantam as músicas alta aí ele pensa: posso ligar meu aparelho telefone celular? E o segundo pensa: vamos entrar no ônibus e vamos ouvir o som do aparelho telefônico celular desbloqueado que eu baixei aquela. E eles ouvem, mas, porque eles não estão ainda no ônibus, vão descendo a rua que dá nos Correios.
Bebida e beberam.
O chão preto vazio, os cobradores de azul pretos vazios, o cheiro de álcool branco e vazio os pilotos dos carros estacionados vazios. Tarde e uma lata no chão e um primeiro chuta a lata no chão então eles passam a primeira esquina e o som no aparelho telefônico celular então eles não se preocupam porque essa hora é tranquilo daí passa o mendigo preto vazio e outra lata que é de cola. Um deles fala pro segundo da mãe e o segundo diz que ri, e o segundo diz: preciso levar também a minha mãe pra fazer ultrasom mas o plano não cobre nem um ultrassom e talvez ela precise fazer uma cirurgia e talvez ela possa até morrer se não fizer a cirurgia e o SUS é foda... Deus não ia permitir. Talvez ele tenha de ir amanhã lá na academia porque tem uma menina lá gostosa pra caralho na academia e ele acha que pega a menina lá e o primeiro diz que tá pegando a novinha de quinze, que agora ela ficou grávida por causa de um registro dágua. O segundo fala que ri, e o segundo ri e fala do cachorro latindo longe e passa uma garota linda na rua.

E passa uma garota linda na rua.
A garota preta linda passa pela travessa ou entra na travessa e está usando uma roupa cáqui-telemarketing e a garota tem uns olhos que são doces poesias porque ela tem um namorado e ela é neopentencostal e ela dá pro namorado às vezes porque o pastor é homem e se for seguir tudo dos homens, tudo da bíblia, tudo aquilo que foi escrito hà 200 anos na bíblia sagrada... A garota na travessa indo pro serviço que ela faz: telemarketing filantrópico, ela ajudando as crianças a lavarem dinheiro, a garota linda, linda. Ela se passa na rua com uns olhos cheios de muita poesia de supletivo e uma boca doce, e uma boca de guaraná natural. Passa pela travessa e o segundo diz que ri, o segundo diz gostosa, diz princesa pra garota, belíssima, pernas belíssimas que cruza as mãos na travessa, que tem o trabalho, um namorado e não liga pro gostosa. E o primeiro chega perto dela. Diz: (que...) bolsa linda. Aí ela anda mais pra frente mas o segundo pega ela e o primeiro pega ela pelo cotovelo porque então ela diz: me larga. Porque então ele não larga e eles arrastam ela pra mais longe, pra mais perto do vazio da travessa e metem gostoso numa xoxota que tá gritando.



Ela deu uma lambida no sal do copo da beira do whiskey, e saiu de casa de noite, e escreve antes: Cibelle, o amor só pode existir quando incontornado.


terça-feira, 30 de setembro de 2008

Urânio enriquecido

Quando os campos de concentração começaram a aparecer, a coisa das mortes e das pessoas se enfiando ou morrendo afogadas nos dejetos, ou morrendo afogadas no gás e nos fornos com cabelos esvoaçantes no alto dos prédios e pelas cidades, a coisa das mortes e das pessoas não existia. Quando os campos de concentração começaram, eram os internatos e eram os oposicionistas e eram os alienados. Eram os alienados em geral. E os estudiosos: os estudiosos matemáticos que foram mandados para os campos de concentração com os físicos e os biólogos e lhes disseram para fazer a bomba atômica e não podiam sair dali enquanto não fizessem a bomba atômica, que ainda não se imaginava que fosse ser uma bomba, ou atômica à época.

E os estudiosos jogavam seu futebol e o silêncio e faziam seus cálculos.

Quando os campos de concentração apareceram, eu queria me pôr neles e só podem sair depois que fizerem a bomba atômica, mas eu não imaginava ainda que poderia ser uma bomba e nem afônica. O recolhimento, o advir que pode ser cruel com os outros. As cidades e a coisa da morte afogando nos dejetos meus e dos outros, meus companheiros. Aqui todos se igualam, como na placa do cemitério em 1984 quando enterraram as pessoas inebriadas pelo gás, inebriadas pelo incêndio e me aproximei delas por interesse financeiro. Eu queria me pôr no silêncio, na reclusão, e submetida, e ouvir as vozes múltiplas que Hildegard von Bingen, na Renânia, ouvia. Só essas vozes e só saem daí quando tiverem a bomba atômica.

1942, malditos soviéticos.

Quando os americanos, ingleses de zíper, formularem a fórmula do enriquecimento do urânio, algumas pessoas irão gritar e ter os cabelos esvoaçantes arrancados com uma rapidez impressionante, pelo gás, pelo fogo, pelos estudos e pela branca colombiana. E eu estando presa e eu lá estudando e ouvindo as vozes que Hildegard von Bingen ouvia em meio a todo vinho, todas as plantas, todos os escritos e as vozes que me diriam pra fazer logo a bomba atômica e escrever e destruir meia dúzia de amores de vidas que me querem bem.

(esses povos fronteiriços pensam que devo apenas transitar por eles e há você, meu amor, você que comigo formou um dadosnós; você que agora vai comigo quando páro de ser minha pra dar pra todo mundo, pra todas as gentes no meio do gás, do petróleo, da religião, dos Porcas de Murça e da merda. derretidinha, maníaca, exótica. e a minha mãe)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

André Sant’Anna é o Paulo César Pereio da literatura brasileira


O palavrão é o alicerce de sua produção literária, e é o que a define, justifica e celebra. André Sant’Anna é o Paulo César Pereio da literatura brasileira recente. Se hoje fossem abolidas as palavras “porra” e “caralho” o moço teria que vender laranja na praça.
(Garsachen, em 2007)

Espera. É que lembrei que larguei a análise... larguei lá a análise, que merda, vou procurar quem?

(Fazendo um favor: me dão luz vertical). A coisa toda que preciso é da papinha do Nelson, da cirrose do Nelson que nunca colocou um gole de cachaça mineira na boca. Talvez dois, três, mas coisas de molhar a língua, aliás, coisa que eu muito duvido porque todo mundo se lembra bem como se fosse ontem do Mário Rodrigues entrando na casa de Copacabana e caindo escorando num amigo d'A Crítica. Penso: devo falar com o Nelson? Devo falar com o Ruy Castro? Minha fé já foi mais alta, já fui professora de catecismo por quatro anos, juro por Deus e isso vocês não acreditam. Precisava da papinha da úlcera do Nelson, o Nelson com aquela vida santa e eu achando que ele era o John Wayne das cintas ligas nacionais. Minha mãe me proibia, mas eu lia o Harold Robbins e todas aquelas traduções aqueles "Era uma pequena sensacional" mas nunca saía da página dezesseis. Nelson Rodrigues nunca escrevera um tradução do Harold Robbins, não importa, tava o nome dele lá e eu queria ler, embora não passando jamás (rrramás) da linha 16. Tanto faz, eu queria conversar com o Nelson, convidá-lo pruma papinha anti-úlcera e daí falaríamos (finalmente) do André Sant'anna porque eu queria lamber o André Sant'anna sem saber direito porque. Depois eu queria lamber o Paulo César Pereio e que ele me chamasse de putinha ao pé do ouvido. A porra toda é que me lembrei que larguei a análise.
(nove pontos no queixo)
Nada mais daquelas viagens longas e belas escolhendo se vou pela Orla ou se vou pela Lagoa, nada mais de ouvindo Diana Krall no túnel, nem da cerveja em frente à Novo Rio com o cara achando queu queria água pelo julgamento da roupa Zona-Sul. Nada (N-A-D-A) mesmo, e isso é sério, de Shopping Leblon cruzando com o Daniel Filho na esquina da livraria, nesses meus deslumbramentos. Não vejo problema nisso. Tem aquele filme do cara que queria conviver com as elites e fingiu-se de atropelado. Eu queria as elites, eu queria ter as coisas das elites, eu queria beber a cerveja Therezópolis das elites. Seis reais.

Tudo isso eu queria falar com o Nelson, meu em missivas, que inda vejo lá naquelas imaginações de pernas juvenis, com saias de normalistas torneadíssimas, se abrindo em cima lá da mesa do chefe velho que agora é o pai. Nelson me ouviria como Pablo Picasso ouviria Coco se ela tivesse uma miséria de Piaf. Não importa. Nelson, a papinha, a minha cirrose futura e a úlcera como numa saída correta que não acontecia nas sessões com o analista que eu, puta que pariu, larguei sem lamentar e já super pensando nos sapatos lindos que eu ia comprar pra ficar igual a elite, nos cafés, nas elites, nos livros, nas fotografias e no Pereio. Era isso que eu ia falar pro Nelson que meu amor era como um amor que Elza lhe tinha, mesma Elza que disse se você não sair desse apartamento agora eu jogo os nossos filhos pela janela, e você saiu, e o suspensório, e as dentaduras do Nelson... meu deus. Nelson, olha, é que é igual. Você vai morrer e vai ver que é igual, vai ser igual daqui há 40 anos, dois divórcios e duas voltas e toda aquela coisa da divisão da biblioteca, do esse livro é meu, e toda a mágoa que ele vai sentir, e todas aquelas mulheres que ele vai comer e eu vou comprender, Nelson, entende? Igual a Elza e você.

O Nick Drake tinha aquela namorada favorita mas nunca encostou um dedo nela, morreu e tal e nunca nem beijou a mulher de língua; Nelson eu larguei o analista então me ouve, cara: a coisa da literatura não importa, você sabe. Nelson, é que eu sou muito a Elza e eu queira casar mesmo à revelia da mamãe, mesmo ela odiando o Rafael, eu casaria. Embora ela me odiando porque a vida é assim, a gente odeia tomar a papinha anti úlcera, a gente odeia tomar a insulina regular toda vez que vai comer um pão francês com Qualy, a gente odeia a filha dando e gozando gostoso.
Nelson, você é meu pai, me escuta. Eu nunca fui Glorinha, era mentira, eu estava brincando (luz vertical em mim, por favor) eu sou a Noêmia e me entrego num bom dia. Vê, ela lá com o Sabino e ele dizendo prela não fazer barulho e daí a Noêmia não fazia barulho. Isso foi em outra vida, agora é sério: outra vida e eu quero que se foda a literatura porque eu venderia salgadinhos pra aniversário se ele estivesse ali comigo cheirando o meu cabelo com cheiro de gordura e tendo um problema de vesícula por causa do wisky barato que a gente ia ter dinheiro pra comprar e a úlcera porque as pessoas ficam paradas no meio do caminho e ele quer passar, e ele quase o Alvy Singer... lindo! Larguei do analista e aí eu sinto aquele alívio que todo mundo sentiu quando começou a chuva do dilúvio mas sabia ainda era a chuva do dilúvio. Ê chuvinha boa.

Nelson, agora cê é meu pai, como vai ser? Porque te quero por pai sempre sóbrio, sempre sentado no balde e aquele barulho de cigarro, aquele gostoso de Continental que a Tina fumava e que meu pai, que veio antes de você, fumava e eu odiava, mas a Tina fumava e daí eu mandei o Continental pro céu, embora sem largar a cerveja nem a cirrose futura, nem a úlcera causada por honestidade, lerdeza e salgadinhos fritos pra festa, vê isso...
Eu amando o Rafael. Eu me preocupando com a literatura. Eu amando a preocupação com a literatura. Eu ali toda amando a literatura e falando um monte de merda pro Rafael. Vou vender salgadinhos e vão me dar calote, e a gente vai ficar pobre à beça, e o Rafael vai vender os livros mas a gente vai ficar feliz ainda com uns quatro filhos crioulinhos e eu com cinco centímetros de raiz pra fazer e aquele wisky que foi o que deu pra comprar, e a gente lendo o Paul Vegan falando sacanagem e a gente lendo e fazendo as sacanagens do Paul Vegan, e ele me chamando de putinha e eu ali realizada sem pensar no Pereio. Se bem que ia ser demais o Pereio...
Mais demais que os textos longos e os adolescentes preocupados com a LHC dizendo que os meus textos são longos porque as partículas vão acelerar e elis ixtao apavorados e deuz naum vai deicha iso acontesseeeerr, disse o Gentileza.

Pereio ali querendo me chamar de putinha e a minha vulva depilada e a gente discutindo o conceito de conto e eu querendo você comendo a minha vulva depilada, me chamando de putinha e eu parando de pensar no Pereio, no Dahmer, no André e pensando no Rafael Santana fazendo amor na minha vulva depilada em meia hora de depilação com aquela esteira massageadora em baixo e a depiladora falando da novela e eu querendo que se foda a novela que eu queria ter dinheiro pra pagar a TV à cabo, pra ver o Pereio entrevistando os domingos. Tanto faz. Eu amando o Rafael, eu querendo o Rafael mas a crítica dos conteúdos e todo aquele Poe, e todo aquele Umberto Eco na porra do meu ouvido e eu, meu amor, querendo agora conversar com o Nelson prele me explicar porque sou uma zebra, porque os golfinhos se comunicam e eu não me comunico e porque é que infernos que eu te amo tanto que queria ser atropelada pra ter esse desfecho deu falando ao telefone que te amo pagando 16 centavos o minuto. Pra eternizar o momento tipo a Noêmia sendo esfaqueada e admirada e eternizada nos jornais, linda... Dona Noêmia se entregando num bom dia e nunca conhecendo a Glorinha. Eternizando minha declaração de amor mão-única, meu senso de queda, meus Umbertos Eco não lidos, meu Cortázares, meus Dostoevskys meus Márquez advindos de resenhas. Pra eternizar a rodoviária e a tua família no painel das fotos e eu pedindo um beijo e você na cozinha mordendo os meus mamilos eternizados.

N R, a literatura e o culto aos sentidos me cobrando essas coisas que não são você... Meu Nelson Rodrigues, eu quase saindo de pijama pra comprar cerveja pra ter cirrose hepática pra partilhar um câncer de laringe do Dahmer junto às porcelanas de elite dele e as conchinhas da praia de Icaraí e toda aquela coisa das papinhas e do meu pai escondendo oito litros de pura cachaça mineira em baixo do tanque. Essas coisas, e as putinhas. As calcinhas enfiadas na bunda e as meninas no banheiro da academia e o Pereio xingando todo mundo e eu lendo a porra das teorias literárias da Gotlib, do Umberto Eco e nada lá me trás a pessoa amada em 3 dias além da grana em continuar escrevendo textos curtos com figuras que os adolescentes, com medo do apocalipse pela LHC, vão ler e vão ver e vão fazer um vídeo e vão usar kajal stick e vão ouvir a Kate Perry eternizando numa efemeridade e eu vou ficar em casa procurando os livros do Robbins e vou telefonar pro Rafael desejando o Rafael, amando o Rafael, a voz muda do Rafael mas ele ficou com aquela dor misturada com o sono e ele foi dormir como eu não gosto porque sinto falta dele quando ele dorme e eu fico acordada tomando wisky caro, como já sinto falta, como deito e espero ele voltar do trabalho com uma úlcera peptídica linda, me amando...

domingo, 14 de setembro de 2008

Ana Vanessa não vai virar uma Pussycat Doll

este lado para cima
Havia aquele cara, ele dizia que era estranho, mas gostava de punk nazista, aquela energia.... concordei. Tomamos vinho. Algumas noites passam e a gente não sabe de nada, nunca soube. Eu não sabia de você e a sua namorada, eu juro, e você tocava o vestido dela como eu não saberia fazer. Cheguei em casa horas depois da que devia e meus pais recriminaram aquilo tudo, recriminam isso deu gostar de meninos ao invés de meninas. Fui direto, passei, entrei no quarto e olhei pouco pra mim mesma e para todas as coisas que fico caoticamente pensando, caoticamente desenhando, caoticamente pintando.
Mas o pior, me deixe dizer, eu também gosto de punk nazista e toda aquela energia... Mas o que é isso? Ela vai beijar sua boca até começar a sangrar?

Oh stay... Cause Mary Anne's a bitch Mary Anne's a bitch

O pior é que fico te olhando na saída. Gosto da tua namorada, mas mais de você e acho muito, muito absurdo que me digam que isso não dá. A sonda do papai está no lugar, perguntei como foi o médico e ele falou alguma coisa. O médico disse, ele disse, que eles precisavam trocar a sonda mas não dava pra fazer isso no hospital da Posse. A mãe te olhou com apreço, beijou sua boca e ela parecia com sangue, eu disse que você devia usar Listerine. A mãe te tinha muito carinho em 1989, mas é difícil pra ela a coisa da próstata. Voltei ao quarto e achei que mamãe fosse frígida e nisso vivia o melhor da carne no seu casamento hoje. Ai como fiquei encantada com todas aquelas festas pra onde você me convidava a ir com Ana Vanessa...

Oh stay... Cause Mary Anne's a bitch Mary Anne's a bitch

Nos encontramos duas horas depois, você com o chapéu que comprou em Ipanema, viu num holandês e quis copiar. O cara nem era holandês! Você e a sua mania de adivinhar nacionalidades. Erra. Ana Vanessa estava linda de roxo e ela me elogiou, chegou próximo do meu ouvido e sussurrou: quem disse que você não fica bonita assim?
Cruzei o espaço entre a cama e o rádio. Cultivo um urso por recorrer ao passado, tentar remontá-lo, segurá-lo desesperadamente enquanto passo o adstringente e deixo, durante a noite, a pele respirar ao som do bálsamo de vitamina E. Ana Vanessa não tira o vestido pra você, a gente se vê de vez em quando, a gente transa de vez em quando, a gente goza de vez enquanto e eu fingi uma vez de vez em quando. Acho que o teto é interessante e daí fico olhando o teto se mexendo vertical, da minha cama, do meu lustre, do urso da Saara a R$5,00. Haviam algumas reclamações porque você estava de jeans e a minha mão te machucou, não se entendia com o zíper, sabe? A tua namorada ligou, você saiu e disse adeus ao pai. Cheguei nele o beijei até a boca sair sangue.

--
ºImagem de Ahnouk Emma.
º" Oh stay... Cause Mary Anne's a bitch Mary Anne's a bitch" é parte integrante da canção "Sailor Song", de Regina Spektor

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Príncipe Hamlet, monólogo freudiano para piauí_24: Gotlib

O MONÓLOGO DE HAMLET
Gotlib
... meu pai que ainda estou pranteando... enquanto minha mãe, a rainha Gertrude, já tornou a se casar com Claudius, meu tio, irmão do morto, de modo que, se tiverem um filho, ele será ao mesmo tempo meu irmão e meu primo-irmão, e se cunhado da enteada...


haga doble clique em la foto para aumentar.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Jantares: esfregando as coxas pelo gerente dos Cohibas

Nota da autora:
agora pouco, e faz dois dias, olhei e vi que os meus escritos não contam histórias com início, começo, tampouco fim. elas falam de coisas que acontecem em rápida duração e, no máximo, montam um conto por juntar todos os acontecimentos banais numa ordem mais ou menos compreensível que, todos juntos, parecem uma história que tem começo, meio e um negócio que se finge de fim. no que eu vejo, e isso é cena, todo acontece desgarrado do lugar donde veio.
essa é a história dum talher que caiu.


Jantar, microfilmagem, o amante e travestis

Arrastando a tarde, se pode até ver o que acontece: as duas pessoas se encontram e começam a fazer traços como se pudessem permanecer juntas por muito tempo. Eu permaneço. De janta fiz o que você gosta de comer e coloquei pouco sal por conta de você ser hipertenso. Coisa estranha, essa, ela vinha calada mesmo. Toda vez que ele dizia umas palavras, parecia que a casa tinha ficado menor; eu queria tanto ouvir as palavras que destruía todos os espaços, todos os móveis, esquecia as cores e não perdia a atenção dos teus ditos. Mastiguei bem usando o lado direito porque o esquerdo da arcada doía, andava doendo fazia dias e daí mastiguei com gosto de alho, no lado direito incisivo. Não me importo, depois que já ouvi eu não me importo. Penso que você trazia dentro dos bolsos, do trabalho, trezentos fantasmas e por causa disso eu nem dormia mais, só dormia quando Augusto Pedro aparecia e me dizia que podia ser.
Nunca me habituei com esses seus modos de jantar como se pudéssemos beber todas as garrafas da casa, como se fosse educado bater o garfo na beirada do prato, mas o pior eram aquelas perguntas que eu queria te fazer mas não fazia, iam me comendo de perto, mais perto que o Augusto Pedro. Parece que não quis dizer a gente, é difícil... Você concordou, aquele trabalho dela na TV, as entrevistas, o que os jornais haviam escrito, as seringas e quem não ia morrer por causa disso? Às seis horas da tarde eu preciso ir ao banheiro trocar as calcinhas, lavo com aquele detergente próprio que deixa tudo com cheiro de loja de departamento, é bom a beça. Eu penso que Augusto Pedro vai chegar e acho que vou levantar e trocar a calcinha novamente, você não sabe. Pergunto do extrato do banco: microfilmaram o cheque, não te disse? Não disse, verdade? Verdade. Aquele rapaz, o de dois nomes augustos, me ajudou. Que rapaz! Avisei à gerência, lhe devo aqueles Cohibas que prometi. Concordei esfregando as coxas. Apaguei novamente os móveis, o sofá, apaguei a máquina de lavar da cabeça. Quando eu te conheci frívola...

Eu prestava atenção, quando ele me conheceu frívola... Você tinha esses teus segredos no bolso, essas pessoas, esses meninos do escritório que você esbarrava a mão na bunda e as meninas do escritório que você gostava de comer o cu, esses seus segredos... esses meninos de boné e grandes peitos que você olhava quando o carro contornava a praça. Esses seus segredos não me deixam mais dormir, faz dias. Eu só durmo quando Augusto Pedro me diz que devo. Esse gerente. Mastigou o suflé de legumes, desferiu golpes de língua pra tirar o resto dos dentes, rasgou a garganta bebendo água com gelo. Eu me sentia sufocada toda vez que ia à praça e via os garotos de boné, com peitos. Pareciam meninas, mulheres com grandes e rosas mamilos. Eu me sentia sufocada quando ia à praça das nove e meia às dez pra te ver, te descobrir e voltar pra casa, fazer teu jantar de hipertenso. Quando eu te conheci frívola... E você senta e coloca o garfo na comida e a comida some nesse seu focinho queu já amei. Às vezes me esqueço. Terminamos, quis levar as coisas, fui lavar na pia, quis ser perfeita nisso, quis Augusto pra chamar de Pedro, esqueci o pano de prato, o exaustor, as cortinas, apaguei desatenções e o garfo rolou pelo detergente até que caiu.


Print this post

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Regina Spektor: quimioterapia e limosines, 2004

"Chemo Limo"

Eu tive um sonho
crocante, crocante
Benjamin Franklyn apareceu e ficou de babá dos meus quatro filhos

Então no meu sonho eu falei com o médico
Ele disse: "se você não quiser fazer isso, não precisa fazer"
Ele disse: "a verdade é que você vai ficar bem de qualquer modo"

Então no meu sonho crocante, crocante
Benjamin Franklyn e o médico foram lá
e tiveram uma conversa com meu chefe

Alguma coisa sobre seguros de vida
eles mantiveram a porta fechada todo o tempo
e eu não podia ouvir ou ver

Então eles apareceram e disseram
"Você vai ficar bem de qualquer modo"
E eu sorri porque já sabia daquilo fazia tempo

Não obrigada, não obrigada, não obrigada, não obrigada
eu não tenho de pagar por essa merda
eu não teria grana pra quimio como não teria pra alugar uma limo
E num dia em que me for dado, eu hei de passear numa limosine

Não obrigada, não obrigada, não obrigada, não obrigada
Não estou a ponto de morrer pra isso
eu não teria grana pra quimio como não teria pra alugar uma limo
e, de mais a mais, essa merda está me deixando cansada
está me deixando cansada
está me deixando cansada

você sabe, eu pretendo cair fora algum dia
e eu quero sair com estilo
sair com estilo
essa merda está me dexando cansada
está me deixando cansada
está me deixando cansada
mas eu quero sair com estilo


Quando eu acordei
meus fillhos estavam quietos
Eu soube de cara que tinha sido um sonho
Eu liguei pra companhia de limosines

Então eu me vesti

Do mesmo modo, vesti as crianças
A limosine estacionou e nós entramos

O médico, ele perguntou para onde queríamos ir
Eu disse: "Senhor, vá simplesmente para oeste", e ele ouviu obedientemente

Sophie só queria ouvir a rádio BBC
Michael sentou no meu colo e sussurrou para mim tudo sobre os malvados
Jacqueline estava virando uma grande garota
com seu copo de chá, olhando pela janela
e Barbara
ela é bem parecida com a minha mãe
Oh meu deus, Barbara,
ela parece tanto com a minha mãe

Não obrigada, não obrigada, não obrigada, não obrigada
eu não tenho de pagar por essa merda
eu não teria grana pra quimio como não teria pra alugar uma limo
E num dia em que me for dado, eu hei de passear numa limosine

Não obrigada, não obrigada, não obrigada, não obrigada
Não estou a ponto de morrer pra isso
eu não teria grana pra quimio como não teria pra alugar uma limo
e, de mais a mais, essa merda está me deixando cansada
está me deixando cansada
está me deixando cansada

você sabe, eu pretendo cair fora algum dia

e que eu quero sair com estilo
sair com estilo
essa merda está me deixando cansada
está me deixando cansada
está me deixando cansada
mas eu quero sair com estilo
sair com estilo

estilo
estilo
estilo?
estilo.
estilo?

Eu tive um sonho
crocante, crocante
Benjamin Franklyn apareceu e ficou de babá de todos meus quatro filhos

Eu tive um sonho
crocante, crocante
Benjamin Franklyn apareceu e ficou de babá de todos meus quatro filhos


Sophie só queria ouvir a rádio BBC
Michael sentou no meu colo e sussurrou para mim tudo sobre os malvados
Jacqueline estava virando uma grande garota
com seu copo de chá, olhando pela janela
e Barbara
ela é bem parecida com a minha mãe
Oh meu deus, Barbara,
ela parece tanto com a minha mãe


Oh meu deus, Barbara,
ela parece tanto com a minha mãe


segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Gráfico caóico das pessoas se encontrando (grátis, carta e duas fotos de céu)




domigo, dia 31 de agosto de 2008.

Queridos amigos, não this is not spam, só queria repartir com vocês esse meu trabalho de terapia ocupacional; não muito bonito, onde fiz um pequeno desenho/gráfico de quem conhece com, de quem conheço ou como conheci, sei lá. O mundo é pequeno e tem umas coincidências. Enfim, espero que gostem, achem legal, essas coisas...

beijos inúmeros

prill

-
fotos do céu e árvores na Universidade Estadual de Londrina tiradas pelo Rafael: cybershot e abril.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...