quinta-feira, 27 de março de 2008

Cidades #9: trechos que não faziam sentido ou outras idéias abandonadas

intro recortada pelo Seven do texto que foi
Pode-se traçar uma forma geométrica no mapa de lugares onde, você não sabe, nem como, mas se faz presente na suspensão de toda necessidade de ir: é chegada.

a idéia (a) eram as fachadas que me atraíam porque tinham virado pontos ordinários
Por isso digo tão abertamente sobre os detalhes mais estúpidos, sobre os ônibus, sobre os mendigos, sobre os 1861 escrito no alto das fachadas de casas que já ruíram ou que já puseram em bom neon escrito “club”.

(b): imaginei que nevava
Naquele dia éramos uns dezessete parados em frente ao prédio baixo de uns cinco andares, observando os artistas, os trapezistas que evoluiam as danças pendurados por cordas. Desde a escolha do lugar, não sei, porque havia uma pressa imensa de chegar onde não se é pra ir. Os moços iam empurrando as carroças brancas e esperei o caminhão da prefeitura passar raspando o chão até poder atravessar em frente à rodoviária numa impossível conformação ao frio de toda aquela manhã cedo. Esperei na caixa amarela da roleta aparecer escrito “Passe...” e passei e sentei feito um saco junto da janela parecendo um cachorro cansado. Descemos lentos a Zona do Porto até o Estácio, os trens estavam parados porque a neve tinha coberto tudo, os trilhos...

idéia de contar do dia com ela, (c) - que, na verdade, foi a primeira idéia. ia começar contando da despedida na rodoviária do Rio.
Ficamos ali sentadas na frente da papelaria: roxo, verde, vermelho, amarelo, verde. Na vitrine o Cristo Redentor em miniatura, em resina, em ligações elétricas, ia mudando de cor e apostei que conseguia dizer cada uma delas a cada mudança. Ela riu não sei se de impaciência. A papelaria não tinha janelas; a parede do fundo era um painel quadriculado como tela de arame onde estão pendurados pelo lado de fora O I R O V O, que é o letreiro. Não lembro de ser feriado, mas a rodoviária cheia não deixava um banco livre, sentamos num tablado no chão azul e com sono.

Cinco pessoas escrevem sobre cidades, reais ou imaginárias, mas vivas dentro de si. Porque uma cidade tem vida e é esta que a define. Nova Iorque, Hammershoi, Lisboa, Fava ou Rio de Janeiro são cidades vividas dia a dia, passo a passo, cada qual à sua maneira. Página das cidades no Obvious.

terça-feira, 25 de março de 2008

Reflexão improvável dirigida à Rafael Barba

por reações em amores Brutos e vendido


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não quero um homem que me faça mulher

quero um homem que me faça homem





porque outros savoir-faires também têm seu folhetim



sixers surpreende e derrota celtics fora de casa
1. fui pegar o Carlton vermelho da Carine que caiu no chão e rolei por lá mesmo. escoriações, mas ninguém viu minha calcinha rosa. polícia não põe a mão nesse filho de meu pai, disse o Drummond, daí eu levantei e vomitei. o cigarro foi salvo. eu devia ter comido depois das 14, agora é só comida embalada. miojo. biscoito. lazanha perdigão. Ronaldo lembrou da queda agora pouco no telefone, disse "foi muito engraçado".

2. tava no bebedouro do segundo andar, mal encostei a boca na água e senti um corpo alto atrás de mim, daí o Alan Claire cantou no meu ouvido "créu". mas meu deus, não se pode mais nem beber água? não, a questão não é essa, é a mulher. e o que é isso? A Guerra do Fogo? dança do créu, [.... ] for the devil sake...


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quarta-feira, 19 de março de 2008

#5: Esferas quase espessas da alucinação

e o que mais se havia ela?



diário em fevereiro, 1996. Rua Fonte da (...)
me passam coisas sem vontade de dizer porque revelam aqui, bem aqui, a perversidade, a vontade de usá-la pro prazer, usá-la como objeto; minha musa, meu boneco posando prum quadro. eu pinto e sem as cores que consolem, mas a inveja da modelo me consome.


lembrança. teatro.
com as pernas estiradas ao longo do assoalho, ela ou eles encostaram - não, era apenas ela - o dedo médio no braço da cadeira. era daquelas poltronas retas, pra coluna reta e só era macia de tanto que já haviam sentado. ela abriu a boca, ela mexeu a boca. a culpa é toda da boca de Tereza, foi o que a frase outro dia disse no meu concordei. pior que doía ela ali indiferente, transcorrendo e eu fazer o que? é como ouvir uma música gostosa onde toca no coro um mi menor. mi menor aperta o coração tão estranho... assim como eu nem posso mais, assim como queria mudar o nome disso, o nome da perversidade, do culto à queda. minha, a tua, a brincadeira.

dark orange sunset
Maria entrou no corredor e ficou esperando pra ouvir alguma coisa. Ela ficava respirando sempre como se tivesse corrido muito, podia-se pegá-la com a boca aberta em distrações recorrentes. ele está ali sentado, sentado num chão degrau como se esperasse, como um cachorro esperando o dono chegar e abrir a porta. Vemos Maria abrir a porta por onde entrou, brisa e etérea, por uma porta que já estava aberta. o cachorro a segue. Mostra ela, a boca aberta tão de perto que é do foco embaçar (quente, abafado dum fim da tarde) e eu quero ver, vemos embalando. Ele parou os pés e se ouve o som dos pés parando, depois a mão na manga da blusa, nas rendas pequenas da manga da blusa de Maria, então beijando o pescoço. Dá pra ver que o som que saía da laringe dela diz que não, ou até mesmo que sim, enganava. No fundo atrás dos dois, a casa, a parede lá da cozinha que é verde e tem umas panelas empilhadas em cima da bancada da pia que não é de mármore - é um outro material. cortina plástica e mal se esconde o botijão de gás, o que ninguém menciona. Maria não..., Maria suspirou numa primeira vez sentindo os dois dedos dele como se procurassem alguma coisa muito lá dentro dela, e num colo dele e num molhar indispensável de mal encostar a língua, a boca, contorcia em concretudes de alma. Olhos dele, os olhos dele que vêem Maria nas pálpebras pulsando, nas pontas pequenas de dedos que se enterraram no seu braço; espera que surja algo, quer encontrar. talvez dentro dela. pelas violências macias, reaver o corpo à superfície; sobre ela, pelos seios, os cabelos.
Foi numa suspressão surda que Maria surgiu; a cabeça lançada para trás e toda, ela toda tornou-se visível em inesperados tons coloridos. os quadris se moveram e foi repentino, foi ato continuado, como que despertos e agora prosseguiam na última tarefa ignorando o longo tempo - entrepausa - onde dormiram. escalou por ele apoiada na ponta dos pés que antes jamais tocaram o chão, agora tocavam o carpete, e alcançou-lhe o ouvido, e exprimiu seus primeiros sons, palavras, após os anos desistentes: eu sou um peixe .... (...!)
Um copo grande, panelas, vento, camisa azul coberta por casaco de número maior, sandália havaiana, cheiro. Ele é como um bêbado esperando a dona chegar e abrir a porta, ama por incompreensão. Maria da Glória, em Santo Cristo, entregou-se em amor póstumo ao homem de Tereza.

lembrança e vue d'spirit
às 3:87 da manhã o ônibus freou bem em frente à padaria quando os meninos corriam com o Jornal Extra que chegava e iam empilhar, encarquilhar, distribuir. Freou mas já ia andando em linha reta, a frente do ônibus eram as janelas dos passageiros que gritavam, as ferragens da construção largada entraram pelas ferragens constituídas e coletivas. ela ficou sentadinha quando tudo parecia que ia passando, não, ainda acontecia, mas é a percepção quando há o desenrolar das instâncias inexplicáveis e inapontáveis, por ser tragédia, faz-se assim: choro, rodar, rangido, asfalto, terra, sangue... ficou sentadinha, achava que estava parada e daí gritava quando os bancos iam tombando pra trás, pros lados, já se sabe. segurou Tereza na mão e até a sua mão gritava assim sem tremer. Tereza viu-se incrustada nos dedos, nos seus, viu que o fim era um chegar constante contra uma parede que já não se move mais; penso se foi por isso que segurou a blusa, segurou o meu jeans e toca aquela água molhando seus pés.... eu queria dizer a ela que era líquido amniótico que caía no seu joelho e que eu sentia tanto por nunca tinha nem ia poder ter o meu bebê ou dela. Se partiu ali sem nunca ter existido era por ter sido gerado e fruto só na minha imaginação - tão prenha desde que Maria caiu surgida naquele barco/navio, com vento e tempestade/chuva, escorrendo pelos lados de tudo quanto era lado; existência pura e incorpórea... e se disse que era morno ou frio, nunca menti.
Fiquei partindo (a pele, o osso é forte) e Tereza tentava juntar os dois pedaços, o tronco, as pernas, escorados na almofada sintética, reta, amaciada de tanto que já haviam sentado. morri e Maria tentava avisar em desesperos gritados, súbitos, cegos, imóveis, pra Tereza que de que é que ia adiantar juntar os pedaços já tão re-movidos? ia saindo do olho dela coisas e eu pensei: é sangue. ela ficou comigo pra sempre como eu quis, nunca. a outra me olhou através da poça formada, juramentada cauda... escamas... tinham se juntado pelos dedos. Agora você acredita?




terça-feira, 18 de março de 2008

Clube do Coma #4: entrepausa

será?

serão?

serões?

serei?

sereia.



Faz onze dias que o asfalto conheceu Maria direito. Maria da Glória nasceu na Freguesia da Candelária embalada num barco que chovia, e naquele dia, um sábado às 07 e quarenta e seis da manhã o dia tava cinza, tava nuvem e foi um barulho grande e longo. Deve ter sido por isso que a água salgada invadiu o convés onde tava a menina, os pais não queriam nem quiseram ouvir um choro, ouvir um grito, é por isso que ela conta que não tem pai nem pai. A gente sabe que não, nem é verdade, mas ela insiste. Maria da Glória insiste e faz enfática as voltas com a mão que gesticulam essas particularidades parturientes que a lembrança, ao que importa à mente, se esqueceu.
Na madeira era água e era da água que aparecia Maria junto com os sacos plásticos de supermercado que ficaram ali boiando. A mãe mal quis tocar, sentiu sono, o pai demonstrou-se feliz, mas á lá: a criança submergida no verde dum cinza azul, tão azul, peixe... berrando à beira do que nem sabia, do que percebeu, do que quis voltar. Ela na água e eu nem posso fazer nada, escorregando por tudo que´ra canto mas se fazia tão mudo paz.




Maria vingou como doença em velho, ficou, nunca pertenceu, mas esteve e fez. Devia chamar Sidarta à menina, mas os pais conheciam? Os pais constrangidos, olhando pra criança que não tava morta, cataram do chão de mar, de chuva. Ela bateu as perninhas gordas e depois daquilo quis voltar sempre pro mar, o mar que lhe tinha surgido, o mar pra onde prometia ir num dia fugido, de noite.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Acordar nunca desagradava

leblon - a. de paiva.
Alice com medo das cartas e do ônibus


queria escrever, mas não escrevo. (e isso não entendo). foi assim mudo que o limão fez um ano de falta de vírgulas e trilho de linha, de trem [acho] - ele não seguia, ele era estranho, agora ele-fante.

trecho de 1885
Parece que antes a solidão era medida pelo som excessivo. A cidade também é um rolar de rodas. Acordar é um desagrado quando se olha pela janela e percebe que ainda está escuro, mas os animais estão dispostos. Puxei os panos da cortina devagar e o céu era um ficando azul com a lua no fundo parecendo uma unha. As galinhas estavam em cima da árvore, tão empoleiradas e tão juntinhas que ficavam parecendo a copa, pé de galinha. As rodas de carroça rolando nas pedras da rua [lado de fora, Rua Princeza dos Cajueiros] me deixaram acordada de vez.

domingo, 2 de março de 2008

Clube do Coma #3: o acaso

No desistir da tristeza, os três tipos de liberdade. Entre a morte pequena e a maior. Entre a verdade inevitável que paira sobre a ponte e o crepúsculo alveolar. Pendente. E tudo aquilo que ela não consegue entender: a infância reminiscente. Árvores ocas para um eu efetivo. Se couber, os sonhos.


lembrança (e não vai se explicar)

Não tem exatamente a ver com existir dentro de outra existência. Talvez assistência dentro de uma existência, sim, essa é uma fórmula boba, simples, por isso é compreensível. O que assusta de fato é esse modo como se transcorrem as cenas; elas são contadas, mas há alguém assistindo? Porque às vezes duvido e duvido porque sabemos que isso não é real. Quem vai acreditar que esse grupo de pessoas está de fato reunida, está materialmente se encontrando e formulando pautas que vão desaguar num palco apobreado onde alguns poucos contam tudo de si? Ninguém vai, eu não vou, não acredito.

lembrança
Estranho mesmo ter de explicar o que não faz sentido nisso tudo. Era noite e estávamos num ponto de ônibus na Presidente Vargas, bem do lado duma carrocinha de churrascos e vinha aquela fumaça perfumada de carne e ninguém quer ter os cabelos com cor de carne. Ficamos nos abanando, não nos conhecíamos. Eu estou fora disso, o que se trata é de Tereza e Maria. Eu não me abanava, eu menti, eu estava só olhando as duas. O problema é que são mulheres muito, muito diferentes: quem vai acreditar que se tornaram pessoas próximas. Eu não acredito.

lembrança
Engatando a chave no cadeado do portãozinho, Tereza entrou batendo o pé antes de pisar na terra do corredor que dava pra casa. Ele tava lá deitado, digo, sentado bem no final encostado numa parede de olho fechado. Tereza foi até lá e antes ficou parada uns minutos longos. Nessa cena não dá pra ver a cara de Tereza, vamos voltar. Ela engata a chave no cadeado que prende o portão que é de ferro e alto, alto que não dá pra ver o que tem atrás, e pintado de verde-descascando. A gente vê que é de manhã bem cedo, bem 5 da manhã, quando dá pra ouvir uns pássaros, céu em três tonalidades aparentemente distintas entre si. Vê o vestido de Tereza bem de perto, a estampa que é de geometrias com flores minúsculas azul, preto, cinza no fundo meio branco; a gente vê a cintura de Tereza e a gente vê metade da bunda de Tereza. A gente vê que ela está usando um casaco de não-sei-o-que e a cena desce pro pé batendo, pro pé subindo o degrau e, quanto o portão bate atrás a gente vê lá no fundo o sujeito sentado, parado dum jeito quase que morto. Não se vê também a cara, ele está com uma perna pra cada lado, calça e sandália Havaianas. A gente vê Tereza passando na frente, vê as costas da perna dela, ouve ela vendo o homem e ouve o barulho duma reclamação.Ela vai até ele - já sabíamos que ela usava sandália dessas que imitam couro e tem tiras, meio envernizadas e solado de plástico.

pendente
Era de manhã muito cedo. Foi na noite anterior que eu tinha encontrado Tereza, não vou deixar nunca ela tirar isso, esse dia, aquela noite, não vou. Ela conta histórias com outros nomes, com modificações, mas eu não; avanço pra que isso não aconteça muito. Encontrei com ela a primeira vez,mas nem foi encontro, era só a fumaça. Tereza trabalha agora no telemarketing ativo na hora da madrugada, eu só tava com medo de levar um esporro da minha mãe pela hora, ela tava saindo do turno. Minha vida é besta, queria não ter de cruzá-la com a de Tereza e nem sei por onde começar porque é triste. Entramos no ônibus, no mesmo ônibus e sentamos no mesmo lado, daí a viagem foi com eu sentada na janela. Era de noite com os carros passando, os postes amarelos. Recostei a cabeça (lado direito) e senti a janela tremendo minha testa, coloquei a mão pra apoiar e me abaixei, fiquei pequena do tamanho que sou mesmo. Foi aí que o ônibus virou mais pro lado esquerdo e freou forte pra trás, eu já tinha reparado em Tereza de jeans e blusa com manga comprida, a achei estúpida. Gostei dos cabelos cacheados, imaginei que ela me disse que não era nada daquilo, mas que não tinha tido uma vida necessária pra poder virar o que era. Imaginei que ela me contou que teve um filho e que largou ele lá, que matou ele com uns chás, uns remédios e que isso aconteceu duas vezes. Da primeira vez tinha tido um filho, mas indesejou tanto -isso foi em Resende, acho - que a criança morreu um pouco depois, o que ela não sentiu. Não conto isso pra que tenham raiva de Tereza, ela queria pôr uma continuação no mundo, mas não entendia como nem de que. O ônibus virou muito mais pra direita, freou pra trás, depois foi como que tombando e batendo nas coisas e eu senti uma tristeza, um medo, depois um nada, sabe? Um nada. Me encolhi pequena mesmo porque eu era alta, mas na vida pequena, minha vida só fazia sentido por causa de Tereza; olhavam pra minha cara e viam ela, não era. Queria que não fosse assim, queria ser eu mais suficiente, assim consistente. Senti uma cosia molhada na cintura e se ficasse silêncio todo mundo ia ver que era líquido aminiótico. Era gelado e molhado o líquido, o ferro que entrou pra mim, pra minha cintura, e foi gelando tudo até lá de ser jogada em frente. Rápido, devagar, esbarrando com as coisas da barriga. Era frio e morno, quente, molhado subindo até o peito da dor do medo, da dor do susto que passou e foi, foi então que estraçalhou tudo o mais até que eu morri num avanço simples de sinal.







Ela não conhecia os caminhos que haviam sido preparados para ela. Vida corre trilhos. As tentativas de retroceder e os sofrimentos do que há de vir. Segundos serram direções deixando para trás, debulhos.
(Isabella Kantek, também roubei o corpo monocromático, depois devolvi e peguei a maçã)

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Na senzala, uma flor

por Justiça que damos liberdade a nossa escrava Magdalena de nação Mina que recebemos por herança por essa ser a mãe da minha mulher por isso desde já a considero livre e como tal fica de hoje para sempre. Sacramento, seis de Junho de mil oitocentos e cinqüenta.

antes (no the smiths):
1. Learn to love meAssemble the waysNow, today, tomorrow and always Minha única fraqueza é uma lista de crimes. Minha única fraqueza é...well, never mind, never mind
2. stop me oh stop me
stop me if you think that you heard this one before
(...who said I’d lied? because I never... I never! Who said I’d lied?because I never...]
3.Last night I dreamtThat somebody loved meNo hope, no harmJust another false alarm
4.vejo que a sorte que tive pode fazer um bom homem se tornar mau
5. driving in your car, please don't drop me home
6. William, isso realmente não foi nada


meio:
aldurin@to me show details 1:29 AM (25 minutes ago) Reply
1:19 AM me: por que the smiths é tão do caralho? não entendo 1:20 AM só falta você me dizer que não gosta, não faça isso
9 minutes
1:29 AM me: vou mudar de conta, peraí. você está tão quietinho hoje... que bom!1:30 AM não sabe como estou insuportável

impressão número a
o que ela não entendia e nem ia entender mesmo, era como os liquidificadores se impunham com toda força na casa. vitaminas e limonadas suiças, pensava nisso, gastava horas do dia nisso. não compreendia nada que se dá pra ascenção em escala filosófica, os grandes pensamentos, os grandes clássicos (também em vinis). mantinha esse firme reflexo obcessivo em enfiar os olhos, enfiar as lupas, as lentes das lupas dos óculos em cima das coisa minúsculas, desapercebidas, desprovidas de importância no cenário fono-literário, na psicologia, no estilo das linhas, no tamanho real das coisas - nisso lhe doía. o apego por si [só] era mesmo inútil. forçou um blog e nomeou Laranja Regressa.


expressão número b (por e-mail enviado e não obtido resposta)
...)

é que só existe inteira felicidade no reduzido à escravidão. daí você me diz "grande, eu já sabia", mas tenha paciência porque pra mim é novidade. não que tenha nascido do nada, mas só agora nasceu. e descubro que tenho vivido todo o tempo sob muitos proprietários (de escravos) e que tenho sido (assim) absurdamente infeliz. mas como largar o serviço de um - de dois três - e me dedicar inteiramente ao serviço dum único?; ao serviço do medo, dum homem, da traição, da negação de alguém, da Igreja, dos estranhos, da fotografia. tenho sido absurdamente infeliz. tenho 23 anos e vejo que sou a pessoa mais velha desse perto. velha e incapaz de parecer um pouco sábia, quando falo qualquer coisa desse tipo, (....
não sou capaz de servir a um único senhor, e o salário do pecado (o pecado é acender várias velas, é apostar em diversos planos futuros que não coincidem) é a morte. é isso. beijo.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

entrepausa #4: final por finalidade ou utilitarismo


Abaixo, roubo afeto surdo de silêncio
teu sair na rua fantástico,
les photographies de Gaëna Des Bois, la chambre noire
de Gaëna)

Les heures passent, les trains routent et les rails s'usent de leurs tangages de marins de rails doux...

Je sais. Je roule, seule.

Comme toi.

J'ai fait l'apprentissage des voyages solitaires et des rencontres qui marquent et gravent et reviennent en souvenances au rythme des musiques que font parfois les roues sur nos chemins.
(...) … Et l’enseigne à retrouver ses pas est là…Va... Va voir. Je suis dans la chambre noire quand je ne suis pas là…

J'ai saisi des ombres et aussi des lueurs, des manières d'exploratrice où j'ai conquis des mondes, quelques terres qu’on n’aurait pas crues fertiles.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

entrepausa #3: nada

António Neves to me
show details Feb 19 (4 days ago)

Tá. Cuida-te.

foi da Isabella:
Dizem que estou repetindo palavras. Mas não percebi. Para não esquecer, para não deixar eu ir.

Cartão postal:

abaixo roubo as efemeridades
(do Bruno)

um grama

de anagrama

é suficiente

pra fazer da

maca

a minha

cama


A visão:
Mulher, não sei se bem nova. Entre a parede estreita, um homem a pega por trás. Acho que luz cinza. Ela usa cordões, muitos, de ferro, e eles vão batendo entre os seios. Não sei praonde ela olha, já esqueci da visão. Tenho um album de fotos que ontem gostei.

Olho fechado:

Nem tudo o que desaparece, é.


Da ausência:
Era pra eu estar onde agora? Em outro lugar, em outro estado (do sólido pra o liquido, mais no Sul, [E]stado), era.... (não podia estar aí com essa mágoa., agora vê? que não é tua) Olhem, vou dizer algo pessoal: por aqui não tenho mais lugar. Essa cadeira, essa mesa, essa música, não é meu (lembrei: dessa vida nada levamos, por isso levo da dos outros). Ademais (continuo parada no mesmo lugar, nem escrevo mais, que isso?!), ademais ainda não me mudei, não me movi. Culto à neurose. Fui prum dia que não sei se volto. Se vocês soubessem.... é que tem de ser assim, ninguém sabe nada de ninguém do outro, só do outro perto, do outro que virou quase você. Vou chorar por tudo.
(...) felicidade no reduzido à escravidão.


Carolina, a virtuosa:
quando eu fiz quinze anos, isso ela contando pra mais três amigas no ônibus balançando as pulseiras, meu pai me levou num restaurante lindo, nossa. mas aí eu queria saber 'pai, você me trouxe aqui por que é meu aniversário?', ele disse que sim que porque eu era agora mocinha. pensei: pergunto? fiquei horas querendo perguntar, não, horas, ela ri, exagerada, fiquei nervosa esperando... vou perguntar! : pai, então... já sou mocinha? 'já'. então já posso namorar? O QUE??? - susto no ônibus - NEM PENSAR!!! NÃO!!! e pior que eu era apaixonada por um menino que trabalhava lá no restaurante - Carolina, a virtuosa, não é boa contista, não consigo encontrar bem essas emoções, mas imaginei e imaginar é a mesma coisa de ser, imaginem daí. aí eu cheguei em casa e minha mãe perguntou e aí? aí eu disse 'é... ainda não posso, vou esperar 18'. depois ela contou que chamou a ex-namorada do atual namorado de piranha, num aniversário que a garota apareceu por lá em busca do rapaz (isso estou presumindo). escuta aqui, sua piranha...! meu sogro ficou apavorado: o que é isso, minha filha. o que é isso o que? Carolina fica trantornada. amava mesmo o pai.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

entrepausa #2: que era isso

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

entrepausa:


(escrito sob a morte de Thiago)


Assoviando a meio palmo da janela, a gente nunca sabe o que vai encontrar quando, depois de fazer o vapor, passar o dedo. Não sabe ou se sabe que os carros passam sempre diferentes, modelos, na rua? E eu gosto disso, cê gosta? Quando eu passo o dedo no embaçado; quando sussurro é isso, é vidro e vidro tem umas coisas...

de quebra.


Doutro lado (que vontade de escrever “do outro lodo”) outro parco, outro importe e aportes novos, diferentes dos que nunca aconteceram, mas que vão se desmanchar como tudo – não quero ver. (hot kiss on cold window), melhor vem ser o ar de garganta.

Assoviando a meio palmo da janela, eu sei muita música boa e inventada (boa), ouço três mil diferentes trinados, tudo delirado, nada acontecido. Eu fui ter amigos bem mais muito tarde, eu sentava embaixo da árvore e nunca houvia ninguém lá. E nem mesmo aqui esperando a hora dar (je ne regrette rien) recordo do que é que ficava pensando quando tava tão sozinho como os últimos desejos dum pão dormido. Esqueço dessas memórias como cresci quando nem tinha nascido. Reminisço apenas ter estado.



--
img. par Luana Silense

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Clube do Coma apresenta: #2 nunca houve um beijo na boca

Terezinha, você que saiu no carnaval de 1968 vestida de Chiquita Bacana, você, Terezinha, que por causa disso seu pai deu uma surra e de manhã você fugiu na carroceria dum caminhão com cheiro de boi, de vaca, Terezinha. a roupa de Chiquita Bacana que a tua mãe lhe fez Terezinha e agora seu pai diz que a mão dói pesada, Terezinha, ele te espera na recepção, ele tá morrendo, Terezinha.
(Sangue de Coca-Cola)



a verdade é que Tereza não fala de si. falar de si é expansão e Tereza, essa Tereza... ela exclui-se das rodas todas entre os seres outros.
macabra, Tereza, acha que vai falar de mim e ri de mim. ri! ri-se. finge que não entende dos meus medos, finge que ignora se me exaspero...Tereza... não faça assim! uma preta tão querida assim não devia me querer tão mal pra tanta troça. penso em atirar primeiro, penso em denunciá-la, penso em matá-la e ela salta rojões enquanto passo minha mão lhe averiguando se usa calcinha; usa uma calcinha rosa. faço isso em agonia, pra dissuadir.

o clube do coma (coma's lonely hearts club) não tem orgulho, mas apresenta aos poucos que expectam essa coisa insignificante do ser, do ser ninguém. há mesmo é falta de divulgação, não falamos de nós. você mesmo pode estar aqui, nos deixe saber que você quer estar aqui porque fornecemos máscara à todos os que contam, todos que vem ver. assistiam aos beijos em silêncio, assistiam meus pedidos: silêncio. Tereza, Terezinha... você tem uma boca tão gostosa, malvada. vou contar aqui, desgraça, as coisas tuas antes que você desabe as minhas pressas pessoas com caras de papelão. Tereza é forte, é tão forte que quando peca, quando erra, ela não liga e não sei como meu Deus, ela não liga; ou ela finge bem, muito bem, que não liga.

Tereza sentada no saco de supermercado na beira da rua, querendo um pedaço de pão, uma rosquinha. sei que passou um carro, dois, na beira da rua vazia. Fica quieta que eu tenho aqui as pessoas e vou contar, vou detalhar que você tava fugida na estrada esperando carona pra onde quer que fosse e que isso só aconteceu mesmo foi na sua cabeça, você queria fugir e viver grandes aventuras, o que realmente nunca ocorreu. não essas aventuras que viram filme, Tereza, as suas são de outra natureza; eu me arriscaria a dizer que tão mais lindas, você devia falar delas, mas você esconde porque nunca ia se repartir com ninguém.
Casou-se cedo, num susto. Assim, ar todo pra dentro e (abismada), casou-se do nada em algum lugar de Resende. ela comia chuviscos (o doce, não a água), fazia chuviscos, vendia chuvicos. chuviscava (a água). Tereza achava que casar era o mais importante e que casar tinha de ser por amor; casou. pro espelho, declara que nunca mesmo amou. a coisa na verdade não começou assim.

Tereza vivia na casa com os pais e, numa certa festa de carnaval, foi vender refrigerantes. ela pequena com os irmãos pequenos vendendo coca na rua e as pessoas brincando carnaval. ela tinha especialmente medo dessas fantasias em que a pessoa coloca na cabeça uma tiara que é uma faca? num carnaval passado ela tinha visto e então não queria mais sair na rua, pânicada. enfim, tinha horror àquela tiara. passou um homem bêbado e perguntou dos preços, ela que ainda mal era nada mocinha respondeu e falou; disse. a mãe viu que o homem não comprava porque tava bêbado, mas sorriu. ele cochichou algo com a mãe e a olhou, Tereza não ouviu, nem entendeu, mas copiou a mãe daí também sorriu com muita educação. o homem sussurrou e ninguém ouviu. que? a mãe disse que podia. o homem tinha um cheiro mais forte que as próprias garrafas de vidro e uns cabelos grandes pro alto, chegou no nariz de Tereza e pousou a boca molhada dum fedor e baba. o nariz dela ficou molhado por aqueles longos demais minutos. depois ela sorriu, pouco mocinha, boa educação. Tereza olhou pra mãe que ria. Tereza olhou pro homem e cruzou na rua com ele outras 21 vezes pelos anos que vieram, em todas elas quis correr e quis matar, quis enfiar a cabeça no vaso sanitário; ficou com medo do homem pra sempre.

agora tava casada. não tinha mais o homem do segundo carnaval, nem o irmão que na cozinha se esfregava nela, nem o pai que antes de sair enfiava o dedo debaixo das saias e depois chupava, nem o amigo da mãe que lhe dava maiôs, nem o vizinho retardado que lhe cuspia na cara e depois roubava a bicicleta; a chamava "muito feia". agora tava casada.

Tereza chegou no Rio de Janeiro em épocas imemoriais, acho que Tereza conheceu Tia Ciata (de vista), Tereza comprava coisas na Saara quando tinham árabes na Saara, ao invés de chineses e coreanos - quem hoje ela observa com satisfação e compra sombrinhas prateadas por dentro. Dizem que Tereza trabalhou no Mangue, que fez ponto na praça Tiradentes, que frequentou o Real Gabinete Português de Leitura, que sambou na Praça Mauá e que teve medo da Barra. isso tudo é coisa de demonstrar que eu não me importo com o tempo, Tereza nasceu com nome com "z"e é de cor misturada. Tereza mudou-se pra Santo Cristo depois que largou do marido. Tereza morou em Santa Teresa e afirmo o quanto sempre se fez honesta trabalhando não sei em quê. Ela me representa o desejo, ela é maldita pelo desejo que dá nas pessoas. Tereza foi estuprada tantas vezes que nem pode contar, ela mal sabe ler (o que também finge). mora numa vila de 6 casas tristes que ficam felizes às noites de quinta e sexta, quando as pessoas poem as cadeiras na calçada e comemoram os engarrafamentos que fazem os ônibus desviarem ali pra dentro da rua. espera ansiosa o carnaval, gosta de se doar. gosta de amar como quem grita se jogando na grama pra não ouvir a notícia clara de que é tragédia.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

O Clube do Coma apresenta: premier de Suzana Flag

é um clube onde as palavras vão falar dentro de um porão escuro e vai haver as coisas ditas baixas. coisas que já são mesmo baixas. o clube vai apresentar. a febre...




o começo da cena é fácil de ser descrito porque é o cenário, e o cenário não tem nada dentro que não seja a si mesmo, branco e lento, feio e só, triste e próximo. branco atrás dos olhos, branco lá dentro do pensamento que ela costuma cruzar; lá fora eu pus teu palco escuro e arranjei um fósforo. acendi, apagou por causa do vento. acendi, apagou. acendi, traguei, acendi metade da ponta que apagou. acendi e gastei uns sete fósforos até encontrar o isqueiro nos bolsos da frente da bolsa bege. sentei no branco dos olhos, lá fora pus teu palco escuro: o que você vê é justo isso que é o palco e o teto baixo do teatro 30 lugares, nenhum vento, eu só imaginei, mas não abafado. é inexplicável, entre outras sensações, que os ouvidos fiquem com zumbido e o lóbulo quente. não, quente é a luz, a luz porque não sou platéia. explico: me vejo e a vejo. eu vou contar o que ela diz, eu vou assistir ela dizendo. os outros por perto (lugares cheios? lugares vazios?). ela vê branco porque a história não começou e o vazio disperso é como uma saída de ar tipo ar-condicionado central.
aqui fora, espreito, a cortina verde pesa em cima da madeira-tablado e a pessoa do meu lado tem o ombro direito suando, me roça e incomodo porque não gosto do suor dos outros. não devia ter vindo de camiseta.
agora o palco, ela acende o cigarro protuberante com o isqueiro. agora eu sei, é branco na luz dum milhão de watts brancos bem em cima do cílio: spot. eu não ouço nada mesmo a boca mexendo. o dente aparecendo e as palavras aparecendo e tudo silêncio como seu eu tivesse mergulhado no tanque lá de casa. o suor do ombro direito onde eu tava enfiada não me conseguia pensar ouvir, nada ouvia pensar, nada. ela fala e eu conto. (...tenho vontade de lamber a marca de vacina do braço esquerdo molhado).
o homem vem carregando a câmera entre as cadeiras improviso, uma dum jeito que de outro e tamanhos diversos. já disse que o teto é baixo e que tem um ventilador de igreja que ventila, não, não disse, não são importantes. eu levantei quando tinha de levantar, un-. eu de pé corri porque ia mostrar aqui nas linhas o que do palco havia sendo. cheguei e ninguém que assistia ficou atônito.
a platéia, aliás, quem é? eu nunca vi essas pessoas, nem as que não ocupam cadeiras viradas lugar vazio; não conheço esses vácuos de brisa dos que não vieram. eles vêem a câmera sendo levada calma. a rodinha do andor (andor) tropeçando nos buracos, o rapaz ou mão que leva ia pelo canto e - agora atrás da cortina muito pesada - coloca a câmera do lado dela, brutalmente perto como se fosse pra furar a cara. não sei como a luz chega através do pano.
o clube do coma reúne ou não essas coisas e essas pessoas e as coisas das pessoas e as pessoas nas coisas. acho importante que eu diga que não conheço todos os desconhecidos apesar de ser fundadora e colaboradora desse clube do coma. estamos abertos aos aficcionados pela miséria, anestesia do anestesiado, dor. penúria - foi isso discutido numa reunião de pauta. agora eu sei que é frio porque os ventiladores estão realmente desligados e o teto não é baixo, mas era o meu chapéu que comprei pensando em parecer a Sabina do Kundera. Amplitude dos 170 lugares (84 desocupados) e a luz forte em cima da mulher que, doravante, se fazia pessoa.
mas levantei num susto (percepção) e corri no ar extremo d'agonia como se fosse a hora de cortar o cordão do recém parido mas ninguém quisesse fazer o serviço.
a câmera perto, a cortina abriu, a luz duma lanterna porque o que acendeu foi atrás o cinema. a projeção. eu parei que vi a [inha] brincar de argola no filme passado atrás da mulher. tragou o cigarro forte num soluço do cadafalso.

Teresa me olhou quando eu cheguei no palco e a achei envelhecida. Linda, envelhecida. o que fiz ali? ninguém sabia. uma das fundadoras do clube do coma invadia o palco mais parda que a casa sétima. eu conheci, reconheci Teresa e ela ia contar, eu ia dizer e escrever, não podia! eu queria as coxas de Teresa com anos de idade. queria ela nova e feia, ou gorda, velha como rabanada na Páscoa. eu fiquei confusa embotada e ela ficou de olho pra mim. eu corri e me atirei pra Teresa, pro seu sangrado do carnaval. beijei a boca da Teresa sentada na cadeira nessa luz de lanterna, levantei ela, levantei a saia dela e ela fez justamente isso.... me abraçou e me disse no tímpano que eu era um peixe.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Coma sem título. Letra vista.

sem título
(não é perda se não fizer, mas , se clica duas vezes, a imagem fica maior)


terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Coma. 1º 2008: passanário

Dance, dance, dance, dance, dance, to the radio
Dance, dance, dance, dance, dance, to the radio
Dance, dance, dance, dance, dance, to the radio
Dance, dance, dance, dance, dance, to the radio
(ian curtis)

antes:
dormir na areia da praia e frio.acorda areia da praia que o dedo do pé inflamou, o vestido é curto você é feia na no preto (tinta?)embaixo do olho... e mais...

pausa lembrança:
te amo.
que assim seja!
querido, você realmente sabe congelar o coração de uma garota...

ainda antes. telefone e Fabrício misteriosamente atende:
pra onde você acha que vão os barcos de Iemanjá?
mas porque você me faz essas perguntas? ... acho que eles desmancham e afundam; o que fica inteiro, aparece em outras praias diferentes.
você vê pra mim até onde vai o barco?
vejo.

justo agora:

foto do nascer do sol pela janela em Vila Isabel, mas esqueci as pilhas da câmera em casa...

antes (pouco) d´agora. passanário:
daí o erro te-me enfeita o tempo feito acerto

domingo, 30 de dezembro de 2007

Monografia. Cirurgia. Coma.

5:19AM
a manhã tropical se inicia (e eu me sinto melhor colorido)


Oh my God! They killed Kenny!


e-mail1: (editor imaginário). já entregaste a tua eternamente inacabada tese?
e-mail2: (orientador imaginário). 21/12
pri, calma, ando enrolado. prometo responder tudo, qualquer hora. bjs.

diálogo inventado: eu (por que não me contou??)
psicanalista imaginário (o que?)
eu (que sou obceconeurostérica...?!)


Mas o que me faz ligar esse histórico peculiar às minhas questões, é o que nele faz destacar a experiência escravista brasileira como fundada na série de costumes legislativo-teológicos romanos e duma outra série de quadros mentais e sociais que definem a função e o lugar desses novos membros, inseridos através das restrições ao trabalho manual e ao conceito de limpeza de sangue: legitimação das hierarquias, vivência e sobrevivência do Antigo Regime, peça nuclear de nosso escravismo colonial e imperial.


Coma não-induzido. (aka: vígula não-induzida) não consigo mais. Imagino que uma boa assumissão é a de que...

"[. .]" me afunda
mas se eu não "[. .]", me vivo num morro.



Há de haver um guarda-roupas grande o suficiente onde eu possa viver, esconder, pássaros.


eu minto. quando não minto, eu fraudo. todo mundo agora vai descobrir.


picadas de mosquito. contabilidade final: 17
outros insetos: lacraia de tamanho médio-pequeno, morta à tempo

Estava escuro, mas isso não é o importante. Engraçado que à noite certas imagens que vemos parecem preto e branco, lá se pareciam preto, brancas e azuis. Verdes. Eu disse: está frio. Então fizemos amor.
a alegação de insanidade monográfica (nas normas da ABNT)

nós a perdemos...
onde? fica longe daqui?


:

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Monografia. Cirurgia, still life & pausa: correio sentimental

Em presença etérea
Correio sentimental pro meu cachorro:

Poodle de pelos cor champanha, 4 anos e 10 quilos, o Beebee está terrivelmente em busca de uma cachorrinha para relacionamento sentimental sério - ou nem tanto. Tem poucos vícios; é carinhosamente hiperativo e salta obstáculos de 1 metro de altura (por ciúmes ou por vontades incontroláveis). Como os animalzinhos subiam de dois em dois, quem conhece alguém, que conhece alguém e que conhece alguém que conhece alguma candidata?
... come on baby, light my fire
come on baby, light my fire

try to set the night on fireeeeee...


Será que aparece?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Monografia. Cirurgia

Um pedaço


Outros uns pedaços
na carta rasgada

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Monografia. Dilatação: 35,8 mm



1. a [. .] nasceu comigo

se eU não "[. .]" , morro de fome


2. Tendo os princípios da misericórdia e benfazeja do cristianismo, as alforrias representavam tanto a utilidade da entrega do auto-governo, usurpado ao outro pela posse senhorial, como a utilidade de sinalizar o ente doador como observador desses mesmos princípios e assim identifica-lo na hierarquia dos desprendimentos, da comiseração e, até mesmo, da humilhação.

3. Não resta dúvida de que, assim sendo, o território da sexualidade era bem menos
privado do que se poderia supor, distanciando-se largamente dos padrões
supostamente vigentes nos dias de hoje. Ao longo deste capítulo ver-se-á que até os
gemidos de amantes ardorosos não raro podiam ser escutados por ouvidos
indiscretos, sem contar os encontros amorosos, as mancebias, pois todos sabiam
“quem andava com quem”. (VAINFAS, R.)

4. Pai-Natal
also-known-as . aka: Papai N o e l



flickr . orkut . lugar nenhum . obvious . technorati . ficha criminal


sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Monografia. Dilatação: 22,7 mm

enquanto escrevo ou almoço, algo assim. penso na ausência da escrita, nas mulheres (ela) sobre as quais eu invariavelmente escrevo e na ausência que percorre tangente as mulheres sobre as quais eu invariavelmente escrevo.
penso na exposição incontrolável, minha...dos outros... dos corpos. onde está o fim do exibicionismo (e/ou o começo?) e onde fica o começo (e/ou fim) de uma obsessão pela captura dos corpos? - principalmente dos femininos, tangentes: seriam a continuação em formato de pedra de tropeço, dádiva laço contradom (as vírgulas não puderam vir hoje). cortem os peitos da mulher morena.
escrevo de longe porque também participo das concretudes, no nascimento d'ela verkitschen não foi só delírios.
por que ausente? por que decadente? por que não escolhe? por que abarca nem trai?

vou voltar ao parto, espero que não seja prematuro, espero que o tempo espere, espero... de barriga.
escrevo sobre escravidão. 1844-1871. que encontros de proximidade entre senhores e escravos percebemos nas cartas de alforria registradas no Rio de Janeiro neste corte de tempo?

tirei uma foto, me lembrou as ausências e fui almoçar.

sábado, 15 de dezembro de 2007

dispersão: tentativa pras alucinações

sai...! da minha frente cambaleante des-esperada, mulher que nem escreve mais, mas nem diz. saltão na pedra portuguesa. eu brigo com você qu'eu amo porque conheci outro al...sai afetada, mente. justo você se apaixonar por todos cinco minutos desfazendo a ação do gostar na ação de dar. muito. temperamentos temperaremos com som de arrulho bêbado, trêbado. se era você menina, que gostava e como esquecer? se me trai, me esfrega colada, ex-finge-se. sai...!
desprezo neo-keynesiano e gastrite. te peguei em beijos, moça força puta, com outro aquele cara vende-dor. te dei ran-cor, cambaleante praça xv, e me diz sai, faz sinal (da cruz) pro ônibus. rudeza... chorava porque não me ama, chorava qu'eu insisti, chorava que passou e lembrança guardada ela requenta no micro pra achar que está fresca.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Tangerinas de Mulholland Drive


1997, sábado: ressonante
o cavalo desceu a rua com pressa e levantou pouca terra, corria no asfalto.
os dois sentaram um do lado do outro e não se puseram a conversar. não acreditava naquela época que se falasse em despedidas. ele passou correndo, o cavalo.
ela lembrou da noite e ajeitou o lenço na cabeça; fazia um dia forte àquela tarde. ontem o pai virou pra ela e parecia escondido atrás d'uma cortina verde musgo porque falou enterrado na poltrona: pra mim você já é mulher; o pai falou como se tivesse entregue não sei quanto na mão dela - que você não vai perder - e ela apareceu de repente na sala, antes nunca esteve. agora era gente ou uma coisa aparecida.
foi embora pra cidade no dia seguinte. o cavalo acompanhou a bicicleta por mais uns 10 metros e daí não deu mais pra ver se a vista alc...
se despediu dele batendo no sapato, nunca morou em sítio, morou em fazenda. era rica. beijou ele segurando ele pela cabeça e foi.

1989: orçamento
pode-se imaginar o que é nascer igual, mas não é sempre que se vê parir diferente. Analice esperou na esquerda do Reinaldo o médico chamar. a parede tinha uma prateleira pequena, um vaso pequeno e uma rosa sozinha dentro com água. artificial.
foi esse mesmo o exame que você trouxe?
foi.
você vai ter esse menino?
não. o pai esqueceu os óculos em cima da estante então ficou difícil ler o nível dos leucócitos. eu tenho uma filha, não sei se você sabe... mas não tenho foto dela aqui.
nascer é tudo igual, mas eu lembro que a minha filha foi embora e, eu sei, que se eu pudesse escolher eu ia ter minha filha toda novamente, porque não foi minha mulher que teve, fui eu. ela também disse que não quis. e foi com tanta força que morreu.
eu não tenho como criar.
Reinaldo mudo, ampliou o silêncio. na parede branca esqueceram a porta aberta.
Analice ajeitou o lenço azul na cabeça e sentiu vergonha do dono e do médico, do sexo. ouviam música da rádio que toca nos ônibus, tocava a atendente ouvindo. Reinaldo mudou de posição assoando a congestão.
eu tô com a barriga grande, doutor...
o pai não se afetou. tinha dito pra filha: pra mim você já é mulher. a informou, a viu os cabelos. ela o olhou no assombro duma resignação embora entrevisse melhor esquecer tudo e voltar pro quarto - repetir que ia fazer veterinária. mas ela foi pela manhã bem cedo porque foi bem mesmo ele quem a levou pro trem que não ia fazer voltar de volta. estudou cansado Ana e Alice dentro da barriga... Alice ia escolher, ia preferir morrer agora que ver a armadilha infeliz que não quis, preparada; estar e não poder prender uma pedra se jogar no rio porque Deus ia mandar pro inferno.
lembrou da atendente e pensou na música do rádio "ouvi você dizer / eu sou o teu amor?". ele passou a mão espessa camada de madeira na mesa e ordenou-se que não ia pensar que não ia esperar a atendente entrar na casa e deitar nua dele, ele, do lado dele. Zuleica lia nua na porta da rua com um cigarro na boca afeita, que grudava.

1978, quarta-feira: esforço
Reinaldo replicou os designos do Senhor: o salário do pecado é a morte. Então soube que o carro que bateu em 1978 levava dentro a mãe da filha do médico. Esqueceu dos quinze anos quando a mulher doida morreu dois dias depois que ele perdeu o cavalo égua correndo na nossa terra azul e molhada. a mulher, mãe, esqueceu-se na casa dele, pediu água e perguntou o seu nome, Reinaldo. mostrou o seio esquerdo na sala pequena longe de todos. ela beijou ele, segurou ele pela cabeça e ficou. esquecido sentindo que ela tinha uma boca e línguas d'ele enterrado no sofá vermelho de almofadas crochê, parede descascando. o ar passou pela boca e ele sentiu o peito, a língua e os dedos dentes entre as coxas de exatos quinze anos. o teto sumiu, voando misterioso como a sujeira entrando pela janela e o sol. ruído de disco de vinil. ele esqueceu o cavalo como se fosse o do forte Apache. viu pela TV. vil pela cidade.

2007, segunda-feira: previsão

Isabella sopeira,
vou tirar a tinta dos cabelos (é um tom de castanho claro, mas acho que simplesmente vai ficar castanho ponto fim). Beijos, meu querido tom de vermelho com cinco dedos de raiz.
volto já já. quero saber pra onde essas coisas de sentir desejo e escolher um vão me levar.
depois explico.
espero estar pronta para escrever uma postagem no Limão. ao que me parece é uma história que tem um cavalo passando, o médico conversa com a filha e ela se despede d'alguma coisa, mas ainda não me contaram o que é. vai passar umas linhas numa sala de espera de consultório e as pessoas se aceitam, a mocinha pobre está grávida enquanto a outra, filha do médico, escreve uma carta pra... quem? conte logo.

beijo

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Aspectos cansados do sentido

a demência, o slpeen..., as inquietações estranhas que o leitor preferiria não ex-
perimentar..., a culpabilidade de um escritor que rola sobre o declive do nada e
despreza a si mesmo aos gritos de alegria...
(Lautréamont)


para bruno e rafael

Passando pela calçada, disseram p'ra tomar cuidado. É sangue! Era sangue dos tiros. Mas passamos pela calçada em cima do sangue mesmo porque não era um sangue nosso, o que achei muito natural; ia ter de haver muita água dentro dos corpos pra se chorar tanta gente desconhecida. De qualquer forma, passamos na calçada e nem havia mancha nenhuma lá; mas houve, eu achava; sangue dum atropelamento. Os dias passam e a calçada desbota mesmo. É coisa do tempo, desbota e apaga que ali tinha tido muita tragédia, tragédia de cruzamentos e que iam sumindo um mais ou um menos.
Pensei que partíamos, mas só andávamos na calçada quase sentidos da pouca certeza que assim entre nós se estabelecia então. Maria não poderia se chamar outro nome se não não seria Maria, seria uma outra pessoa que não faço idéia de quem seja, Maria, se se chamasse Sandra, talvez fosse até parecida mas, por exemplo, se fosse Laura, ia ser outra sem o menor sentido. Maria se chamava Maria porque Maria é o nome de toda heroína de doçura resignada, retardada; já muito diferente de Teresa. Teresa descia o morro de Santa à pé porque achava desaforo pagar 60 centavos de bonde. Teresa tem umas coxas tão duras que eu queria morar numa casa feita nas coxas de Teresa. Teresa sabe ser doce, mas geralmente nunca é porque são passagens da rudeza da vida, igual a calçada, a doçura em fade in. Teresa nas histórias é sempre toda combatida (ou combalida?) e declara neste ato que gosta mesmo é de ser comida de quatro.
Mas não é de Teresa que íamos dizendo, mas de Maria.
Maria apaixonou-se, como já era de se esperar, e íamos todos passando pela calçada. Ele disse: reter a existência me empobrece a alma... Como Maria não tivesse mais nem um centavo e a alma já não lhe nunca pertencesse mais, chamou hipérbole e sacou o próprio corpo, atirou-se em baixo do ônibus vindo, imagino que por pensar muito forte que fosse Anna Karenina. Era assim de fazer tudo nos seus impulsos fracos, mas extremados, porque sentiu-se culpada por não saber fazer mais nada além de querer segurar o tantinho que tinha, não só daquele amor histérico, mas daquela razão calma que lhe dava sentido e identificava para além da inveja que sentia de Teresa, ficava feliz com ele assim de ser Maria por ser bem querida e cantada de tiara branca: nunca antes havia sido notada. Ele disse: isso é coisa que demora, não é assim mas, sabia lá ele que o tempo de Maria, ou o meu, de Sandra, Dita - não o de Tereza que não precisava de ninguém - demorava exactos dois segundos pra fazer uma hora? Ele escorria (o tempo), vazava e correndo no meio fio não há água que fique potável! Ela não pôde e o que fez, implorar, entristecia por gargalhadas a alma do seu rapaz que não a mais quis. My love grows more and more passionate and selfish, while his is dying, and thats why we are drifting apart.
Eu lembrava Maria, devia lembrar porque minha mãe constantemente me chamava assim, mas nunca realmente a conheci. Tinha sangue na calçada, mas algo muito insinuado já tão ido, alguém tinha caído e batido com a cabeça.
Eu segurei a sua mão um pouco aflita e disse: me segura qu'eu tô escorregando. Assíndeta nessas coisas imperiosas d'eu ter te conhecido... Queria ser a mulher do padre.

sábado, 17 de novembro de 2007

Tentativa pra Genalva: revista piauí

começou como essa história surda, de duas ou três pessoas, das poucas vezes que se pode sentir amar alguém por vício de necessidade inculcada de expandir ou chover, inundar o quintal, fazer molhar em todas as frestas da escolha pro chão. fazia-se pra vestido nunca nos sábados, às sextas de feriado. mas fazia-se como que pra vestido, base, rímel, sombra e batom se não virava, dizia, prato sem estampa.
versava um encontro imaginário e sério, com compromisso e estava no cinema; chegava meia hora antes dos filmes e esperava o encontro que tinha. acontecer. olhava alguém, homem, mulher, bilheteiro, tanto faz. olhava e via num gesto pupílico se era e se ficava espaçadamente. achava lugar na pilastra e outra, lá dentro da parede, na rua, buraco, levantava as saias, se havia pra beijos, pra mão, pra cabelos, brincos, inflava, passava a língua na boca, enfiava dedo e, às vezes, até tinha gozo todo pra si, dum calor creacionista. ouvia o olho dele, ou dela, unha, unha da mão. daí percebia igual num acorde despertino que era não, não era o encontro esse o combinado, a pessoa, era engano. atendia àquilo como se fosse ao telefone, não é daqui, ela ouvia na incapacidade auditiva (ou visual, não me lembro) ouvia que não era de lá e desligava. se fosse antes, tocava pra ver seu filme, se depois tocava pra casa, se durante, não há como saber: tomai todos e bebei.
no quarto tinha uma penteadeira branca parecida com de mentira, restolho das infâncias. se via funda pra si, piscava e escovava, lavada e apagada, renova. ainda não foi. porque chegava tarde ou cedo? era noutro lugar? ele passara e ela nem tinha apercebido ainda? grifou outro nome no cahier da programação semanal.
ele noutra escada, e a irmã: tu precisa é sair de casa, moço assim que fica escondido é credo. não valia, mas foi com os centavos trocados que correu pro trem, correu sem quase dar o tempo de perder o trem. chegou e não sabia se era o adiantado da hora, esperava e sabia o que olhava em volta e nada ali, tinha todo mundo entrando nada era ela: ela que era dele guardada. nem um pra pipoca. tinha jujuba comprada, jujuba de fruta cristalizada, três um real. os sufocos que mexiam pra se achar nos desastres das tentativas nuns lances dois e dois igual 7. corria ali na Cinelândia, voltou de ingresso ainda ou no bolso e quem tinha de ‘tá, não tava. passou no orelhão e girou disco pras tristezas que não se acertavam não, profundo e rápido pra ver se acertava a casa: Genalva, vem me buscar qu'eu to odiando.

--
originalmente eu escrevia pra mim, depois eu pensei em mandar pra revista piauí, por isso Genalva, vem me buscar que eu estou odiando. mas depois que eu pensei que podia ir prá piauí, pra eles, perdi todo o tesão. eu quero é limão expresso, genalva é uma estranha, foi um vírus.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Só no ano que vem

uma perda pra dentro - toda vazia - que a irrazão enche costumeiramente dos enxertos; lembrar do que ia, viajar pr'onde foi e entupir-se de cabou.
nessas horas aflitivas em que não se deve contar nenhum segredo, costumam bater à porta de algumas das trezentas moças de caráter duvidoso os estrangulamentos do vazio. dias em que não chove, mas faz sol.
de qualquer forma, não é difícil de estranhar que ela ou eu estivéssemos sobre a mureta, olhando pra baixo e vendo as pessoas passando como formigas lá longe. essas reflexões nos acometem quando o silêncio cresce e precisa sair nas contrações. lembro que, nas cartas emocionadas, Dita me contava do alívio que sentia quando os coágulos se expeliam. Segurando a folha, eu pensei - naquele instante exato, um caminhão velho e azul subiu a rua (quebrado) e as letras eram cinzas agora - pensei na dor que se sente antes dos coágulos ansiosos escorrem pelas pernas, como o desnecessário saindo e finalmente somos poesia sintética. balada de alívio.
Só que Dita chorou por meses e ainda chora porque não sabia se eram coágulos ou pedaços de lembranças que se perdiam sem que ela houvesse autorizado os esquecimentos.
Em cima do meu muro eu já não vejo mais tanta gente passando lá em baixo como formigas (ou formigas?). o sinal fechou. nunca quis que fosse de verdade voar. A outra perguntou: quem mais? Mas eu não soube responder. depois do carnaval, todas as dispersões destoaram e não pude pagar a conta da inspiração; resultado: o silêncio que é teu.
nessas horas aflitivas em que não se deve contar nenhum segredo, costumam bater à porta de certas moças duvidosas as virtude do castigo. como seguir as linhas se as prateleiras ficaram vazias desde aquele domingo? domingo é o dia das tragédias, você disse próximo só de si. Colombina em suas sem-bem-querências ouviu do moço arlequinal: eu o ceifarei. foi como se tivesse uma faca. mas esperávamos eu e ela, vimos tantas cenas bem depois do que dava pra ver, cenas completas, vielas, expectativas outras ordens num mesmo útero. eu também esperava, minha amiga. e não foi só dele. queria poder um dia te contar sobre isso.
relendo as pautas azuis da carta de Dita, as moças - agora irrepreensíveis - decidiram conhecer a rua de perto pulando num vôo infinito pela janela do térreo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Intermitentes para mulheres do lar e dos filhos

Ermentrude não sabia pôr em vivências os seus diálogos interiores e vagava em espaços reticentes com o vento descompasso. Ruas que já foram de terra percorre. A garganta seca dói porque guarda palavras amargas que tenta pintar de preto para esquecer. Desaparecer na noite escura e fechada. No local do sofrimento esfrega uma faca de cozinha e recita palavras encantadas com os olhos fixos no calendário de parede.

as insatisfações. ela escreveu e ficou pensativa também porque era a palavra que não saía da cabeça desde 1996, ou melhor, a expressão - porque o artigo definia os pedaços faltantes. tinha um olho que era meio fechado. todo mundo dizia que era normal um lado do corpo ser menor que o outro, mas ela via um lado incorfomado que tinha elefantíase. provocava florestas inteiras com gritos do alto e imaginava-se sempre ênclise, num balanço. via, primordialmente, pontes de pedra e olhava pra cima vendo a árvore que balançava (?) mas não houve alguém lá trás pra ela poder gritar mais forte; nunca tinha. se auto-dava impulsos e, imagina, que, com o passar do tempo e a vinda dos reumatismos, seria cobrada das pernas ao peito pelos impulsos diagonais: pelos enfrentamentos atmosféricos, gravi-tacional. o monitor olhava: as insatisfações. o cursor também piscava as ins . vinha depois o que? ...reticente, facultava ar pra respirar e casmurrava.
o olho menor fechou e aí ela teve um filho. tiraram uma foto no 1 ano - foi perolada nos sonhos. foi como se desprender, foi como sentenciar que ampararia, em todos os passares, com as mãos espalmadas. muito mais alto, forte, balanço, frondoso.



originalmente publicado como comentário em Ermetrude de Isabella Kantek (e trecho). se-me engravida...

domingo, 4 de novembro de 2007

De ser-se




de-lírios-rosa-cor-dela-ranja



sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Janis Joplin - kozmic blues

mas eu continuo
e nunca descobri porquê




Time keeps movin' on,
Friends they turn away.
I keep movin' on
But I never found out why
I keep pushing so hard the dream,
I keep tryin' to make it right
Through another lonely day, whoaa.

Dawn has come at last,
Twenty-five years, honey just in one night, oh yeah.
Well, I'm twenty-five years older now
So I know we can't be right
And I'm no better, baby,
And I can't help you no more
Than I did when just a girl.

Aww, but it don't make no difference, baby, no, no,
And I know that I could always try.
It don't make no difference, baby, yeah,
I better hold it now,
I better need it, yeah,
I better use it till the day I die, whoa.

Don't expect any answers, dear,
For I know that they don't come with age, no, no.
Well, ain't never gonna love you any better, babe.
And I'm never gonna love you right,
So you'd better take it now, right now.

Oh! But it don't make no difference, babe, hey,
And I know that I could always try.
There's a fire inside everyone of us,
You'd better need it now,
I got to hold it, yeah,
I better use it till the day I die.

Don't make no difference, babe, no, no, no,
And it never ever will, hey,
I wanna talk about a little bit of loving, yeah,
I got to hold it, baby,
I'm gonna need it now,
I'm gonna use it, say, aaaah,

Don't make no difference, babe, yeah,
Ah honey, I'd hate to be the one.
I said you're gonna live your life
And you're gonna love your life
Or babe, someday you're gonna have to cry.
Yes indeed, yes indeed, yes indeed,
Ah, baby, yes indeed.

I said you, you're always gonna hurt me,
I said you're always gonna let me down,
I said everywhere, every day, every day
And every way, every way.
Ah honey won't you hold on to what's gonna move.
I said it's gonna disappear when you turn your back.
I said you know it ain't gonna be there
When you wanna reach out and grab on.
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