sábado, 17 de novembro de 2007

Tentativa pra Genalva: revista piauí

começou como essa história surda, de duas ou três pessoas, das poucas vezes que se pode sentir amar alguém por vício de necessidade inculcada de expandir ou chover, inundar o quintal, fazer molhar em todas as frestas da escolha pro chão. fazia-se pra vestido nunca nos sábados, às sextas de feriado. mas fazia-se como que pra vestido, base, rímel, sombra e batom se não virava, dizia, prato sem estampa.
versava um encontro imaginário e sério, com compromisso e estava no cinema; chegava meia hora antes dos filmes e esperava o encontro que tinha. acontecer. olhava alguém, homem, mulher, bilheteiro, tanto faz. olhava e via num gesto pupílico se era e se ficava espaçadamente. achava lugar na pilastra e outra, lá dentro da parede, na rua, buraco, levantava as saias, se havia pra beijos, pra mão, pra cabelos, brincos, inflava, passava a língua na boca, enfiava dedo e, às vezes, até tinha gozo todo pra si, dum calor creacionista. ouvia o olho dele, ou dela, unha, unha da mão. daí percebia igual num acorde despertino que era não, não era o encontro esse o combinado, a pessoa, era engano. atendia àquilo como se fosse ao telefone, não é daqui, ela ouvia na incapacidade auditiva (ou visual, não me lembro) ouvia que não era de lá e desligava. se fosse antes, tocava pra ver seu filme, se depois tocava pra casa, se durante, não há como saber: tomai todos e bebei.
no quarto tinha uma penteadeira branca parecida com de mentira, restolho das infâncias. se via funda pra si, piscava e escovava, lavada e apagada, renova. ainda não foi. porque chegava tarde ou cedo? era noutro lugar? ele passara e ela nem tinha apercebido ainda? grifou outro nome no cahier da programação semanal.
ele noutra escada, e a irmã: tu precisa é sair de casa, moço assim que fica escondido é credo. não valia, mas foi com os centavos trocados que correu pro trem, correu sem quase dar o tempo de perder o trem. chegou e não sabia se era o adiantado da hora, esperava e sabia o que olhava em volta e nada ali, tinha todo mundo entrando nada era ela: ela que era dele guardada. nem um pra pipoca. tinha jujuba comprada, jujuba de fruta cristalizada, três um real. os sufocos que mexiam pra se achar nos desastres das tentativas nuns lances dois e dois igual 7. corria ali na Cinelândia, voltou de ingresso ainda ou no bolso e quem tinha de ‘tá, não tava. passou no orelhão e girou disco pras tristezas que não se acertavam não, profundo e rápido pra ver se acertava a casa: Genalva, vem me buscar qu'eu to odiando.

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originalmente eu escrevia pra mim, depois eu pensei em mandar pra revista piauí, por isso Genalva, vem me buscar que eu estou odiando. mas depois que eu pensei que podia ir prá piauí, pra eles, perdi todo o tesão. eu quero é limão expresso, genalva é uma estranha, foi um vírus.

5 comentários:

Barba disse...

Eu bem que tentei mandar um desses, mas ficaram tão cretinos que desisti. Nem pra blogue servem.

Gabriel (Sir DoRêgo) disse...

o escrito parece a mente em pleno funcionamento...gostei...o ritmo é forte...rápido...gostei...até por isso parei para comentar...gostei mesmo o que aqui li parece o cerebro a 1000...funcionando em pleno vapor..gostei..
saudações pra ti...

Paola a Estranha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

A Geni do Chico seria uma boa professora pra essa guria aee !!
gostei muito do texto !!
Té+

Ricardo Rayol disse...

quem não arrisca não se belisca ou algo assim.

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