domingo, 30 de setembro de 2007

Episódio endereçado

a gente entrou pelo portão meio indiferente com a sujeira. tinha acabado de chover e eu e você ficamos sentadas num frio absurdo e os bancos molhados, ainda não sei como saí de casa com os cabelos pro alo. imagino que foi o abalo de você na porta com os olhos com água e o casaco de veludo da Luana: preciso de um abraço seu bem forte, me dá cachaça? e a noite não teve uma frase melhor do que bebe, bebe. tudo pra você esquecer porque você precisava de um apertado que eu nunca soube dar. contou que achou que doeu pra cacete, que ele reclinou o banco e ficou por cima, você olhando pro teto. espera, espera; eu quero ver o mar. ela virou a cabeça e viu a praia de noite em Alice através do vidro do carro. piscou e calculou a consistência do absolutamente enxovalhado: tudo bem, pode continuar. e ele continuou de onde tinha parado num admirável senso de concentração. acabaram, beijo, fecho, cobre, ajeita o banco, gira a chave. merda! merda! caralho! caralho, o carro não quer funcionar. celular: pai, pai o carro não quer funcionar. que? tô na praia, pai. tudo bem , era a bateria que tinha arriado, o cara do casal do carro de trás (alitero) se ofereceu pra ajudar. você saiu e empurrou. daí a menina do casal do carro de trás acenou com a cabeça e depois, há meia hora atrás tava lá o teu rapaz em juras eternas, preocupado com o aniversário, não com o teu que já passou, mas com o da menina dele. a sentença na gravidade dos seus 16 anos foi: toda mulher precisa dum canalha. bebe, bebe. foi de início, não tinha - como você tinha dito - não teve lençol branco (sabia que ela adora lençóis brancos?) e champagne (minha nossa, acabo de me lembrar que você não tem idade pra beber!). a gente entrou pelo portão meio indiferente com a sujeira e subiu a portaria; você disse eu te leio sempre, só não comento. sei lá, acho que lá tá meio chato agora, esquisito. eu sei.. eu sei... eu pensei em dizer "correndo atrás do rabo" - minto, só pensei nisso agora. eu preferia quando você falava dos velhinhos aqui no banco, era engraçado. isso sim eu quis dizer, nunca foi engraçado. parece engraçado, mas nunca foi (foi?). seu primeiro homem e fomos tomar uma Sol. eu não soube te apertar como devia, é uma incapacidade, aleijamento, te peço perdão. só achei de um extremo mal gosto a tua história assim ser tão repetida, eu não quis que você continuasse e me contasse os filmes que eu já vi. desculpe também se me alongo. já termino.

3 comentários:

Renata disse...

Mais uma Vanilce pra lista do " minha primeira vez vai pro guiness book" hahahaha
Pri, você é demais..demais MESMO.
te amo/adoro/admiro e até acho chata ( faz parte ).. mas realmente, te admiro por vc ser assim.. uma obra de arte viva!
Mil beijos!!

Ricardo Rayol disse...

olha... hoje vou precisar de uma tradução simultanea... minha mente viajou para locais insólitos.

Ana Paula disse...

Pri. Amo teus posts...

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