quarta-feira, 26 de setembro de 2007



Je suis Mephisto
Je suis Mephisto
(Fausto, de Goethe)

estupro! ruído de estupro. fui estuprada, abelardo!, sempre fui

francine, não diminuiu, diminui o tom, não o assunto

estupro eu e eles todos. UMA CURRA!!

(ri) páre...

parar? mas você disse que eu diminuía!

até onde eu vi alguém morreu ou sumiu, francine. tínhamos concordado que você morreu

você! você acordou! eu disse apenas que morria num ato contínuo praticamente gerúndio e você já me vem com a pá de cal. você é a coisa mais vazia dos meus dias, abelardo.. queria que você fosse o meu ouvido, mas você não e é nisso que me sobra muda...

já disse que não somos dois. sou o monossílabo do monólogo.

(soluço ou ar suspenso)


ESTUPRO! estupro por todos os lados! em todas as minhas épocas!, dum dente na cama até aqui, de tudo, sempre, meus primos, meus irmãos, tios, médicos, professores, padres... principalmente os padres todos me corromperam!, me repartiram, me forçaram. devorações!

se eu estivesse lá, te salvaria?

( )

se salvaria? ... certa vez, uma das primeiras vezes numa festa dos amigos dos meus pais, eu estava perto da piscina e um deles chegou e perguntou no meu ouvido se eu ia usar biquini. eu tinha um rosa que não gostava, mas ia. eu não entendi, não devo ter perguntado por quê dos seis aos nove, mas disse ia. porque estou louco pra ver as suas pernas... você me salvaria?

não.

depois ele me disse que queria me ver, que gostava de mim, me deu um beijo no nariz... um beijo no nariz, um beijo molhado no nariz não é algo de se esquecer...


eu prefiro que você morra novamente porque gosto de você, francine; mas de você longe! me deixa só
ser as reticências porque que parte tomo nisso se nem te desejo muito?, pouco, pouco, de dormirmos juntos sós, não me interessa você, nem a pessoa você. na pessoa você, me assombra! o único dom que me cai é o assombro, é o meu movimento, minha ação principal. não você, mas a presença francine. ela é muito sua!

ele me deu um beijo molhado...não equivale a um defloramento?

por um segundo não fui reticência... quando? não, não vale

os meus irmãos sempre me beijaram, mas na boca, sem língua. um tio na cama dos meus pais cravou o dente no meu pescoço e fui a lucy de bram stocker. ele me tocou fogo até que o vento custou a bater pra levar o que ficou de cinza. noutra um tarado, um judeu tarado. um médico judeu tarado. um clínico com um carro prata, me deu um beijo na coxa e pediu telefones. os professores chupei todos até descobrir que não existiam presentes, só há venda.

e os padres?

me puseram no púlpito pra sedução letárgica da miséria.

quando você finalmente vai?

agora. é o fim da postagem

--
acabei vendo só a dispersão do enlace e é o que tem me elevado. escrever não escrevo mais.

4 comentários:

Ricardo Rayol disse...

muito instigante e sempre com seu toque de non-sense. e está perfeito.

Isabella Kantek disse...

¡Caraca, não sei se quero decifrar!

Um beijo vermelho.


“Colorless green ideas sleep furiously” (Noam Chomsky)

rafael disse...

Hoje eu decifrei todo o argumento.
E vislumbrei uma maravilhosa narrativa.
Esse breve trecho soou-me como uma promessa de grandes feitos futuros a serem realizados.

beijos (sem nenhuma sedução letárgica pela miséria, mas sim motivado de toda a riqueza presente nas grandes amizades)

Deco Mota disse...

Instigante como sempre,
maravilhosa como nunca.

Vc eh inesquecível !!

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