domingo, 30 de setembro de 2007
Episódio endereçado
sábado, 29 de setembro de 2007
Manchete
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ref.: O Casamento, Nelson Rodrigues in Obvious.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
- Je suis Mephisto
- Je suis Mephisto
- (Fausto, de Goethe)
estupro! ruído de estupro. fui estuprada, abelardo!, sempre fui
francine, não diminuiu, diminui o tom, não o assunto
estupro eu e eles todos. UMA CURRA!!
(ri) páre...
parar? mas você disse que eu diminuía!
até onde eu vi alguém morreu ou sumiu, francine. tínhamos concordado que você morreu
você! você acordou! eu disse apenas que morria num ato contínuo praticamente gerúndio e você já me vem com a pá de cal. você é a coisa mais vazia dos meus dias, abelardo.. queria que você fosse o meu ouvido, mas você não e é nisso que me sobra muda...
já disse que não somos dois. sou o monossílabo do monólogo.
(soluço ou ar suspenso)
ESTUPRO! estupro por todos os lados! em todas as minhas épocas!, dum dente na cama até aqui, de tudo, sempre, meus primos, meus irmãos, tios, médicos, professores, padres... principalmente os padres todos me corromperam!, me repartiram, me forçaram. devorações!
se eu estivesse lá, te salvaria?
( )
se salvaria? ... certa vez, uma das primeiras vezes numa festa dos amigos dos meus pais, eu estava perto da piscina e um deles chegou e perguntou no meu ouvido se eu ia usar biquini. eu tinha um rosa que não gostava, mas ia. eu não entendi, não devo ter perguntado por quê dos seis aos nove, mas disse ia. porque estou louco pra ver as suas pernas... você me salvaria?
não.
depois ele me disse que queria me ver, que gostava de mim, me deu um beijo no nariz... um beijo no nariz, um beijo molhado no nariz não é algo de se esquecer...
eu prefiro que você morra novamente porque gosto de você, francine; mas de você longe! me deixa só ser as reticências porque que parte tomo nisso se nem te desejo muito?, pouco, pouco, de dormirmos juntos sós, não me interessa você, nem a pessoa você. na pessoa você, me assombra! o único dom que me cai é o assombro, é o meu movimento, minha ação principal. não você, mas a presença francine. ela é muito sua!
ele me deu um beijo molhado...não equivale a um defloramento?
por um segundo não fui reticência... quando? não, não vale
os meus irmãos sempre me beijaram, mas na boca, sem língua. um tio na cama dos meus pais cravou o dente no meu pescoço e fui a lucy de bram stocker. ele me tocou fogo até que o vento custou a bater pra levar o que ficou de cinza. noutra um tarado, um judeu tarado. um médico judeu tarado. um clínico com um carro prata, me deu um beijo na coxa e pediu telefones. os professores chupei todos até descobrir que não existiam presentes, só há venda.
e os padres?
me puseram no púlpito pra sedução letárgica da miséria.
quando você finalmente vai?
agora. é o fim da postagem
--
acabei vendo só a dispersão do enlace e é o que tem me elevado. escrever não escrevo mais.
Dispersão do enlace

2.
uma expressão que me ocorreu à pouco!: canalha labial. como seria o canalha labial...?
3.
Cinco situações diferentes o levaram até ali; mas nenhuma poderia se caracterizar numa boa história que valha a pena se contada.
Basta saber que ele estava ali, em frente a praia, parado, sozinho, em pé, nu.
4.
Momentos ouve em que doutor Odorico temeu misturar o discurso em que exaltava as virtudes do morto ilustre com as infâmias que lhe estavam passando pela cabeça. Teve medo de dizer em voz alta, diante dos túmulos:
"Meus senhores e minhas senhoras! Não é nada disso! O que interessa são os peitinhos da nossa Engraçadinha! Amigos, orai por esses dois seios pequeninos" (Ruy Castro na biografia de Nelson Rodrigues)
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Sexta-feira, Setembro 21, 2007
acorda!
O outro lado da dimensão
Volta aqui! Te pego, seu coelho maldito!
No quarto,
Hei, pode me ouvir?
Doutor, ele não apresenta sentidos. Que quer dizer?
Calma! Não é caso de óbito.
O que é então?! Por favor, Doutor! Salve meu menino!
É uma espécie de letargia.
O outro lado da dimensão
Coelho! Maldito, coelho! Não adianta se esconder. Posso te achar. Vou te achar. E quando isso acontecer você vai me levar até o flautista dos portões do amanhecer. Só ele pode me ajudar.
Hahahahaha. Struch. Struch.
Quem é você?
Hahahahaha. Struch. Struch.
Anda, diga logo quem é e o que faz aqui!
Struch. Vistruch ajustruch menistruch perdistruch
Não entendo nada do que diz.
Hahahahaha. Struch. Struch.
Um balão. Quer que eu entre?
Hahahahaha. Struch. Struch.
Por que deveria confiar em você?
Confiei no coelho e ele roubou meu relógio. E agora estou preso aqui nesse mundo onde o tempo não passa.
Struch.struch.
Que tipo de espécie é você?
Olha ele ali! Coelho, devolva meu relógio!
Esquestruch o coelhustrusch....hahahahaha. coelhustruch istruch ladrusch de tempstrusch.
Sostrusch atrastrusch vostrusch.
Como se eu estivesse entendendo tudo que diz.
Tudo bem. Vamos pegar esse balão e ver onde ele nos leva. Que os bons ventos estejam comigo.
Hahahahha. Struch. Struch. Azikabhaaaaaaaa! flystruch!
Ahhhhh! Que vista insólita!
Hei! Struch? Que lugar é esse?
Continua [?]
--
escrito por Bruno Cabelo. publicado em (e apagado de) Espaço em [Des]construção. fica aqui à salvo da fúria delética do autor, a quem eu pediria novamente em casamendo.
sábado, 22 de setembro de 2007
Diálogo dram[ático]

Sim, é mera conversa. Mas por que é mera conversa? Porque, meu amigo, beleza, pureza, respeitabilidade, religião, moralidade, arte, patriotismo, bravura e descanso não são nada além de palavras que eu ou qualquer um podem colocar ou tirar como uma luva.
São realidades? Você pode até se sentir culpado por meu julgamento mas, afortunadamente, para seu auto-respeito, meu diabólico amigo, não são realidades. Como você disse, são meras palavras. Inúteis para convencerem um bárbaro a adotar a civilização, ou o pobre civilizado a se submeter ao roubo ou à escravidão.
e você, não fala?
infância! infântica! enfática sempre e agora muda
abelardo, assusto até os mortos se falo...
se falasse. falha, sempre fala. arredava o pé daqui se fosse surdo,
mas não sou e, impulsivo, fico pra querer te ouvir
abelardo! chega! estranho você, sempre estranhei, não quero beijo nem
que fique pra me ouvir. me ouvir pra que? um franco!
sim, sou um franco
um fraco!
também
abelardo... (era esse o meu apelo); que você ficasse e que me ouvisse
francamente mas é incapaz de ser franco... se fosse mas é à você, abelardo,
que ainda apelo ouvidos
francine... (seu nome sempre ficou doce quando eu pensei, até que não pudesse mais, até transbordar nos nossos diálogos loucos e esféricos)
não comece a frase com nomes próprios
você começou antes
abelardo!! é como se eu pudesse morrer agora
e pode
é como se eu poudesse morrer mais agora
e qual a diferença?, todo mundo pode, e eu não sou budista, nem você
vou morrer agora! de asma estomacal
infância!!
corrompida!!
infância, francine...
infância corrompida, abelardo, morro de infância corrompida
e de lirismo estocado da laringe até o estômago! corrompida!!, abraçada
por trás, beijada no pescoço, abelardo e mordida
quando?
sempre
você revive?
revivo
infância de francine...
eu queria um escape. me oferece escape?
só a minha farta janela, mas é segundo andar,
talvez você só quebre a perna. se for dinheiro, também não tenho
você é frio
não, só não ouço porque é melhor, eu me esqueço, francine...
egoístas nunca ouvem e, se ouvem, esquecem
mas e a franqueza?
essa eu deixo em casa
aqui é a sua casa ou você se mudou?
nunca é nem foi aqui. era como se fosse, mas agora já não
você agora é o confuso abelardo da caixa de atum?
não, agora eu sou o confuso abelardo dos diálogos que você preferir
mentira!
verdade!, você é quem vive só de mentira, mente, memento...
me deixa ir
então vai
então vai foi uma frase tão largada, foi o estilingue que me caiu pra longe. e agora você repetindo;quando pára?
não sei. se viver for só repetição, eu não saberia
alitero, já...
nao devia...
vai me recriminar mais quantas vezes?
(mudo)
acabo, sempre acabei
não é desculpa. quem mente agora?
você ainda! e em terceira pessoa.
exponho e expus, quer mais o que? me abcesso! você nunca quis
nem que eu ficasse... você finge
é crime querer que você vá logo embora?
é... as vezes demora pr'eu me convencer,
é assim que a gente descobre que ama, quando fica descrente.
não somos dois
sei. quero só uns segundos pra me decidir pela sua expulsão
um, dois...
decidi
prazer.
igualmente
(sumisso)
Indecorosos...

O poeta tem peças dum erotismo tanto perverso, delirante, pornográfico, que certamente corava as professoras tão sóbrias que tive . Fiquei depois descobrindo que ficou famoso o papelucho deixado por Emílio de Menezes para epitáfio do amigo: "Bilac esta cova encerra. Choram sacros e profanos... Muitos anos coma a terra, a quem comeu tantos ânus!". Se eu houvesse sabido dessas façanhas antes... teria sido uma aluna mais diligente. "Delírio" ganhou para sempre o meu favoritismo.
Satânia
(...)
Sobe... cinge-lhe a perna longamente;
Sobe...- e que volta sensual descreve
Para abranger todo o quadril!- prossegue,
Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura,
Morde-lhe os bicos túmidos dos seios,
Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo
Da axila, acende-lhe o coral da boca,
E antes de se ir perder na escura noite,
Na densa noite dos cabelos negros,
Pára confusa, a palpitar, diante
Da luz mais bela dos seus grandes olhos.
E aos mornos beijos, às carícias ternas,
Da luz, cerrando levemente os cílios,
Satânia os lábios úmidos encurva,
E da boca na púrpura sangrenta
Abre um curto sorriso de volúpia...
Beijo Eterno
Diz tua boca: "Vem!"
"Inda mais!" diz a minha, a soluçar...Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,
Morro por teu amor!
Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!
Beija-me assim!
Delírio
Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
Mais abaixo, meu bem! ? num frenesi.
No seu ventre pousei a minha boca,
Mais abaixo, meu bem! ? disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci…
Última Página
Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos
Numa palpitação de flores e de ninhos.
Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos
(Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos.
Verão. (Lembras-te Dulce?) À beira-mar, sozinhos,
Tentou-nos o pecado: olhaste-me... e pecamos;
E o outono desfolhava os roseirais vizinhos,
Ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos...
Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos,
Nua, presos aos meus os teus lábios vermelhos,
(Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor...
(...)
--
originalmente publicado em Obvious
imagem: galeria Olhares
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
O nascimento d'ela verkitschen

agradecimento a Cris Simon e ao Usina, onde o post surgiu e foi originalmente publicado - agradecimento.
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Da ansiedade
se aflição corroesse, eu era um navio afundado.
Tira a cara de estupidez
Tira teu tédio
Tira a culpa do casado
Tira os olhos d'um vizinho
Tira a chave debaixo de tapete
Tira meu medo
Tira
Tira teu erro
Tira cedo
Tira nossos
Tira novas concepções de dor
Tira fitas de cabelo
Tira aquela
Tira resto
Tira um instante
Tira de ouvido
Tira volúpia
Tira volátil
Tira destro
Tira sem afeto baixo
Tira afago
Tira à gemidos
Tira os pais de casa
Tira minha calcinha
--
requentado de 30 de março
domingo, 16 de setembro de 2007
Ato contínuo do morto
pai!
tá pegando.. tá pegando... caí... caí da caixa d´água..
e eu fiquei olhando pro rosto dele quase preto com sangue e molhado e a testa fugindo pra lá e pra cá perdida. achei tudo um pouco estranho e a gente foi pro Souza Guiar até que o meu pai morreu querendo fechar um registro verde.
2
ficou lá em frente da porta chupando o cigarro como se tivesse tomando vitamina de abacate no canudo. pensou na história do apendicite e que salvava um casamento porque não era amigo da onça. dava uns trocados pra menina, ia pra casa assistir a novela e dormia o feriado todo. Gonçalo tinha arranjado uma prostituta. Na Gamboa só nascia prostituta e manicure naquela época, mas o Gonçalo preferiu uma prostituta da Gamboa que não era bonita mas ia lá que ele dizia que era sem ninguém, nem pai, nem mãe porque era um estúpido muito conhecido. Tinha levado sopa em pó certa vez e não se achava canalha porque tinha roubado da dispensa. ela não aparecia, passava das cinco e meia, Barão de Teffé, 306, e tinham umas bandeiras de países na fachada, já ia quase embora e topou no elevador. deu os trocados, contou do apendicite, foi pra casa e viu novela com a mulher. Elisa tinha uma mancha estranha no pescoço, uma vez no bar chamaram ela de malhada e agora a sua mulher não era mais Elisa, mas malhada pros amigos, pelas costas dele; às vezes pelo lado e ele fingia que não ouvia enquanto rodou a última folha no mimiógrafo.
3
mas ele tá bem? tá... tá bem. ela embrulhou o estojo de agulhas e puxou o peso de durex com o cotovelo, tentou cortar a fita, esticou demais até a segunda vez, que deu certo. ele pagou, ela deu três balas de tamarindo de brinde, ele agradeceu e ela mandou melhoras se chateando depois consigo porque ria sem querer, ria sem vontade.
4
turco filho da puta! uma menina minha e eu achando que você era como se fosse meu irmão!
5
arrastou o peso de durex com o queixo e segurou o embrulho com uma mão só, puxou a fita e cortou. pensou que a desventura era o acaso da aventura mas que queria mesmo era rir agora, não rir amanhã ou ano que vem lembrando do que de ruim tinha sido, rir no ato contínuo. ele pagou, ela estendeu duas balas de manga ou laranja (os dois pacotes eram amarelos), ele bateu a mão no botão da camisa, ela agradeceu, ele deu boa tarde. quatorze dias depois ela atravessou duma rua pra outra e ele puxou ela pelo braço e deu um beijo com a língua que parecia que a mão dele ia entrar direto no sutiã, quase entrou dela chegar em casa com tanto engasgo que teve febre pensando que a mão devia ter entrado.
6.
Eu queria tudo diferente... às vezes eu acho que esse cheiro não vai sair de mim e do cabelo. Isso me espanta em você, e acendeu um cigarro, foi pra junto da janela exatamente quando passou um Maverik vermelho escrito vendo raridade. Te espanta porque não precisou comer os ovos empanados do boteco, o moço me dava até um refresco de graça, junto com ovo... ovo cozido empanado, ovo à milanesa e um refresco bem ralo de maracujá. Só queria tirar o cheiro de peão de obra. Não sinto, nunca senti, não gosto de você assim. Riu de novo. Ri... ri que eu te prefiro, ri até com os dentes, Clarisse. Ficou d'um sussurro que se estendeu fresquinho pela sala e puxou uma mecha de cabelo dela com outros dedos da mesma mão de cigarro; prefiro você Clarisse à Macabéa.
sábado, 15 de setembro de 2007
Descrições rápidas do dia d'hoy
2
3
1,2+3
Eça "A Relíquia" (parei no meio, perdi o livro)
Eça "O crime do Padre Amaro"
Balzac ... a escolher
Kundera... a escolher
Clarisse Lispector "A hora da estrela" (reler urgente)
García Marquez ...a escolher

Flávia (22h, luneta e sapatos vermelhos)

Rapaz olhando/sobre os livros e dvds

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desventuras são aventuras?
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Jabberwocky
Ó fragúndio bugalhostro, tua micturiação é para mim
Qual manchimucos num lúrgido mastim
Frêmeo implochoro-o, ó meu perlíndromo exangue
Adrede me não apagianaste e crímidos dessartes?
Ter-te-ei rabirrotos, raio que o parte!(Prostetnic Vogon Jeltz)
descendo sempre de_cadência, tem meu samba
pra me/te/lhe/se/consigo confundir qu'eu pego e barroco tudo
pra que senti-do-sentido pra fins sufixais? d'advérbios de tempo:
nunquista!
oh motivo? quem precisa de motivos quando se tem a mulher maravilha?
chove assim que terminar a escova infinitiva
terça-feira, 11 de setembro de 2007
O morto (still life)
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
O morto
Eu queria tudo diferente... às vezes eu acho que esse cheiro não vai sair de mim e do cabelo. Isso me espanta em você, e acendeu um cigarro, foi pra junto da janela exatamente quando passou um Maverik vermelho escrito vendo raridade. Te espanta porque não precisou comer os ovos empanados do boteco, o moço me dava até um refresco de graça, junto com ovo... ovo cozido empanado, ovo à milanesa e um refresco bem ralo de maracujá. Só queria tirar o cheiro de peão de obra. Não sinto, nunca senti, não gosto de você assim. Riu de novo. Ri... ri que eu te prefiro, ri até com os dentes, Clarisse. Ficou d'um sussurro que se estendeu fresquinho pela sala e puxou uma mecha de cabelo dela com outros dedos da mesma mão de cigarro; prefiro você Clarisse à Macabéa. Não sou nada não... Ele puxou outros pedaços de cabelo, ela se abriu ampla como um flamingo. Ele refez, ventou e se depuseram pro amor.
sábado, 8 de setembro de 2007
mas porque fala de você na terceira pessoa?... ela.
é só pela prerrogativa do talvez não seja eu. é improvável que a história seja minha.
but that joke isn't funny anymore...
I've seen this happen in other people's lives
And now it's happening in mine
era porque ela não tinha relógio e, se tivesse, nunca ia aprender a ver as horas se não fossem digitais. assim, não foi por preferência, como alguns percebem, foi por um engano sensorial de demora, de alongamento dos segundos no momento mais errado. segurou o alumínio do ônibus numa forma que ficasse segura - imaginou - contra freios bruscos e esperou por exatamente E²=m.c até que o moço parasse de lhe passar os quadris quentes de calça jeans e vontade. por que ficou então? por que não deu grito? quando o barulho acorda essa ida pra escola? explica talvez, ainda passante, que estranho seria impedir um segundo estabelecido de partir embora, como se tempo fosse corrente e inescrito. foi gentil como ainda é hoje; d'uma gentileza franca e trágica. a verdade é que, mesmo se acreditasse em grito, não ia ter coragem de fazer (o) como fazia bem silêncio.
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A mulher de 21 anos quer beijar todo mundo, seduzir todo mundo, viajar com todo mundo por todo o mundo, conhecer todas as tribos, dançar todas as músicas, comer todas as comidas, beber. Vai pro motel com o sócio do pai. Vira a sua amante. Ele é maduro, gostoso, tarado e divertido. Tem 30 anos a mais do que ela.
Aos 22, seu hobby é provocá-lo, quando ele e a mulher jantam na sua casa com seus pais. O que ela faz sentada na mesma mesa? Absolutamente nada. Nem olha. Nem fala. Como uma mocinha emburrada. Pára de sair com ele, depois que ele no motel a chamou de criança mimada.(Marcelo Rubens Paiva, "A mulher de")
fui derrubada por uma virose, ficou um recorte que é o que vale mais a pena.
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Corpo de texto

corpo de texto
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Quermesse
(Eu fico triste) pensando na minha vida
Quand'eu morrer o mundo pode s'acabar
s'acabar
s'acabar
(cancioneiro)
O senhor passou a mão na minha perna? Era pro que servia desamarrarem, amarraram pelo pulso pro soro não escapar da veia. Eu? Não.. Sim, o senhor. Qual o seu nome? Catarina. Não.. o seu nome Jussara, passei a mão na perna da Jussara.
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imagem de hkajiura em flickr
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Deus e os pedaços faltando
Um cientista chegou no céu e foi direto à Deus:[d]eus como arremendo de tempo
- Deus, vim aqui te avisar que você tá dispensado, não precisa mais ficar se preocupando com mais nada porque o homem já consegue fazer as mesmas coisas que você fazia desde o início. A ciência já consegue criar a vida, essas coisas.
- Puxa! - Deus ficou embasbacado - Interessante...! dá um exemplo aí
- Ah... nós podemos criar o homem do barro, assim, é simples.. é só juntar aqui..
- Ei, ei, ei! Vá arranjar a sua própria terra!
depois da manicure pentencostal ter tirado um puta bife do meu pé só porque, numa distração perigosa, deixei escapar que não acreditava em [d]eus, tive um debate interessante com a Renata e a Juscot sobre esse assunto (obs: incrível como elas nunca me chamaram de tia). a Juliana estava um tanto histérica tentando reconstituir de onde veio isso tudo e pra onde iria isso tudo (usaria RioCard?) passando as mãos na bochecha, puxando os cabelos.... questionava que, se algo - um troço - explodiu ou se expandiu, de onde ele veio? o que fez o troço? conclusão: comemos um biscoito novo de mandioca e colocamos deus no pedaço que ela não conseguia mais ver daqui. assim.. deus como um remendo do que não sei onde começa.
daí cheguei em casa e lá estava o quase filósofo Rafael, muito paciente que tem sido comigo nesse pouco tempo que nos conhecemos, que me ouviu, destacou o quando [d]eus era desencanado e ajudou a reorganizar certas idéias (e D era deutério). foi assim que surgiu esse gráfico-esquemático-des-explicativo sobre [d]eus como um tapa-buracos para setores selados à vácuo. Espero que gostem e cliquem na imagem pra vê-la em tamanho maior.

charge: Deus segundo Laerte
esquema principal: The Age of the Universe with new accuracy em WMAP Mission.
CMB: In cosmology, the cosmic microwave background radiation (most often abbreviated CMB but occasionally CMBR, CBR or MBR, also referred as relic radiation) is a form of electromagnetic radiation discovered in 1965 that fills the entire universe. (FONTE: en.wikipedia)
a manicure nunca mais voltou, acho que está de mal.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Martha

Martha: Seu porco...
George: Oink, oink
Martha: Amor... me faz mais um drink?
George: Meus Deus, você podia parar de entornar, não podia?
Martha: Ora... estou com vontade de beber!
George: Jesus.
Martha: Veja, querido, eu posso te beber em baixo de qualquer porcaria de mesa que você queira então não se preocupe comigo.
George: Eu já lhe dei o pagamento anos atrás, Martha. Não há uma premiação sobrando que você já não tenha ganho.
Martha: Juro, se você existisse, eu me divorciaria.
do dia em 2006
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Quem tem medo de Virginia Woolf? , peça de Edward Albee e filme de Mike Nichols.
postagem desinteressante e mal escrita
domingo, 2 de setembro de 2007
de criação randômica de-mente igualmente conteudada, o Limão tem passado à samba d'uma nota só. tanto autista, tanto esquizofrênico, com certeza encriptado demais. onde o sentido do escrito vai? vai parar? cada um toma o que quiser e faz de seu mas não acredito que o auto-mutismo seja o melhor dos programas.
a nota parada repetida estão sendo esses dias de seis aplicações de insulina, num gráfico glicêmico que parece não melhorar principalmente quando eu olho pro lado e (juro que é de repente) há um drink de vodka com morango ou com melancia na minha mão... não sei como ele pôde parar lá, mas está, ou estava. e um clima de doença que parece a tal nuvem negra dos pentencostais. estar doente é um conforto; faz tempo que não me arrasto tão indulgente com tarefas numa copulação de preguiça, dor e perda de peso. assim continuo com esses dias onde escrevo menos e sobre a mesma coisa, sobre só os rumores talvez cochichos que têm se espalhado e virado umas coisas mono que eu quero muito ouvir, dialogar pra rarefazer mesmo.
A falta da janela aberta

como está seu olho?
chorando
ficou olhando no espelho no intervalo entre uma refeição e outra (sempre, sem vírgulas) realmente pensando que estava mais magra, que os dias que passava infame dando goles e beijos cada um mais aleatório que o outro e até pagando as contas de luz, procurando emprego de um lado pro outro, cansada e magra. o olho fundo não tem a poesia dos olho de queda onde os homens se perdem; os olhos 'tavam tão fundos que tinha até aviso pra que ninguém caísse lá dentro. calhou d'eu passar na hora e ficar olhando ela olhando pra ela e se achando magra. virou pra mim, riu e disse que saúde é de perder igual tarracha de brinco... um vestido só alinhavado pra apertar mais depois e acompanhar os ossos que iam desmilingüindo no papel de doente. quem mais ia aparecer pra visitar? eu abri as janelas e ela sentou no sofá quieta como se fosse católica: quem mais sofre é a falta de janela aberta... o vestido e aquele tom de voz que parecia uma senhora de tão antiga. quase tive vontade de chorar porque ela era cortante como flor amarela e agora de vestido branco ou azul dependendo de como a luz batia. passa essa boca pra lá que eu abro sempre as janelas, isso é pra insistir! e o espelho ali em cima das coxas, pegava a mão e esticava a cara em direção às orelhas. depois encostou o pé no cachorro e dormiu pedindo um embalo, foi como se eu tivesse andado cansada e teimosa. guardei nossos laços com o cuidado de sempre e cantei baixo até chover aqui dentro.
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imagem: il medo di flickr