terça-feira, 28 de agosto de 2007

Vista de Marte daqui

noite, telescópio, banca de flores
meu Espaço é um buraco pequeno só de observações. eu desejo os certos segundos como se fossem meus, seus e as crianças que eu vou ter um dia. uma perdemos. vejo que é só seu escondida em baixo da cama ou dentro do guarda-roupas na recusa intimista de uma análise assunta. terrário, macro, bonzai, meu Marte daqui: da noite pr'esse dia.

dia ou tarde: mostrada
Foi a expressão que ela usou, foi a expressão. Se dissesse outras cinco palavras... porque o conserto de tudo, eu achei, ia estar entre uma recusa e outra. Assim tomamos café paralisadas na cozinha de sempre (muito cheirando à gordura) e perguntei se da janela dava pra ver as cinzas do cigarro vizinho. Dava. Em dias claros eram até bem nítidas. Foi então que eu sorri e a acusei de ficar vigiando quem passava, ficava, perversa e... Nada! abriu-se com os dentes grandes e contou reminiscente que fumava de calcinha na porta enquanto passavam os créditos de hable con ella. escolhia a parte dos créditos, na música, e ia. e via o caminhão de gás subir a rua, uns crentes na calçada e um mar todo azul de longe. ouvia inclusive, no barulho dos bondes, a imaginação dos fios balançando, anunciando que ele já vinha decendo à 60 centavos penduráveis.


6 comentários:

Ricardo Rayol disse...

Capaz, estou tentando entrar nos meandros dessa teia e desvendar esse mistério.

Van disse...

Querida...
Em primeiro lugar você jamais será ridícula! Por coisa alguma!
Em segundo lugar, esse post está magnífico. Um primor, como sempre! E a foto é linda!
Beijucas

Taty Siqueira disse...

Oi Pri,
Cada dia vc se supera no seu blog, tá mto legal....
Tu não gostaria de escrever uma peça p/ mim não??? isso é sério!!!
Bjos

osrevni disse...

Texto maravilhoso. E que delícia ver um táxi carioca, que saudade deles!

Rogério Felício disse...

Foto e texto em sintonias!
Belo...

crudo disse...

Simplesmente incrível esta complexidade de mente e sentido, esta forma de manusear as palavras, esta abertura para o imponderável, esta capacidade de ser incompreensível e, ao mesmo tempo, sagaz.

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