segunda-feira, 13 de agosto de 2007

A neuropatia dos meus versos

it's not as if i'm being sent off to war
there are worse things in this world
não aceite...
te amo na entropia
dos meus versos

isso aqui é um blog? não tem como eu não perguntar isso toda vez que penso em escrever sobre algo pessoal. porque eu fico admirada de ver as pessoas falando de si assim tão à vontade e percebo que não consigo fazer isso com as palavras uma depois das outras, eu fico sempre rodeando naqueles textos que vocês lêem e terminam com o gosto do que é que ela quis dizer com isso (?). juro e sacramento à vocês que, tudo o que eu escrevo, tem um contexto, quero dizer, eles estão contando sobre algo, algo que aconteceu, que eu queria que acontecesse, ou que eu vi ou o diabo que seja. não sei se me explico bem. não, não explico bem. é que não quero escrever algo que é d'eu, quero um parágrafo aberto, tendo infiltração ou talvez nem queira: só sei fazer assim. só sei fazer pra cada um entender do jeito que quiser o que tá lá, mas o que tá lá, está inserido em acentos concretos. deve ser tudo fruto de uma desvontade de expor: eu ou você. ficou então combinado que falaríamos desse cotidiano banal, combinamos que ele era bonito, combinamos que tudo é tão poema quanto à curvatura do escorredor de arroz é tecnologicamente revolucionária. combinamos de chafurdar no inútil.

mas hoje estive no hospital e achei bom que não tivesse ninguém por perto, ninguém dos meus comigo, pra não me ouvir dizer (de 13 às 18) que me sentia um neurótico de guerra. principalmente, alguém por perto pra não ouvir quando o médico disse: o que vamos fazer com você? ora... não façam nada, também não sei o que é que a eu apronto. o José Roberto disse: o primeiro passo é você se cuidar conforme a medicina aconselha - mas e eu lá quero? não me conformo, o meu pâncreas, o único pâncreas que eu tive, o único que eu amei, foi embora sorrateiramente e me deixou olhando pro médico com cara de não faço idéia.
cara... eu realmente preciso da minha mão esquerda
, táctil, gosto dela, dos dedos, das unhas. realmente preciso que ela continue bem pendurada onde está. e me encho novamente de limitação, as filhas da puta das limitações que não me deixam nem comer, nem beber, nem dormir, nem passear, transar em paz! o pior? ruim p’rum neo-darwinista perceber que é... precisamos fazer algo por esses genes, compensar, porque de fêmea-alfa, se tiver prova, vai ser 5 pra passar, e isso arrancando a dó de alguém, tipo o Lula.

o seio esquerdo era quase morto, dormente, e o médico ficava me espetando pra saber até onde na palma dava pra sentir: neuropatia diabética. o que dá pra sentir é lembrando logo do Hitman; tinha um personagem, o imensamente gordo Moe Dubelz, que tinha um irmão gêmeo siamês; só que o cara (o irmão) já tinha (repeti tinha 3 vezes) morrido (assassinado pelo Hitman) e ficavam os dois ligados nuns aparelhos pros órgãos que eles partilhavam continuarem funcionando. muito criativo Hitman.
lembrando logo do Hitman... como é que esse processo de pedaços meu morrendo vai se suceder? não é drama, é uma incapacidade confessa, um desânimo de me salvar. daí liga a Ana. Ana, senti um tom de piedade na sua voz ao telefone; saiba que neuróticos de guerra mutilados odeiam esse tom condoído. ah vá se fuder! perguntou do meu aniversário e me senti uma criança que rala o joelho e o pai dá um picolé.

enfim... essa é minha tentativa de ser clara, de ser blog (essa palavra é realmente ridícula) e, principalmente, de chamar atenção e ter vários page views. no futuro, podemos ter aqui um GoogleAdSense, posso lançar um livro e ficar mais famosa que a lagartixa da Rita Apoena. passante... a gente aquieta porque os cavalos do carrossel giram e sempre vão ver a mesma coisa. tudo diferente.

10 comentários:

Barbarella Bela disse...

Nossa! Juro por god que passei aqui mais cedo e tinha visto algo com o meu nome. Será que pirei? Bom, eu sou mesmo bem esquizofrênica. Posso muito bem ter imaginado isso tudo. Aliás, você é real?????? hahahahaha
É. O que você escreve ao menos é.
E muito bom.
Beijos

rafael disse...

três e quinze da manhã...
rsrs
bjus

rafael disse...

eu vejo os olhos para a loucura, para eu não ficar louco....rsrs

rafael disse...

*eu fecho os olhos

(conversar por comments, essa é nova pra mim)

Des[Construíram] disse...

só queria que grande parte dessa postagem - ou melhor, toda ela -, só queria que fosse mais ficção e bem menos real...

Ana Paula disse...

Você se explica bem, sim. Caraca, vc se explica bem pra camramba. Beijo.

Julie disse...

O Woverine me falou assim: Nossa! Como voce parece (o que escreve) a P. do Limao Expresso!! Fiquei curiosa e resolvi dar uma passadinha no blog.
Parabens, realmente indentifiquei algumas patologias reais.(em mim)
E na real? Voce escreve "muito bem" ...eu nem tanto...
Vou sempre aparecer.

Beijinhosss

Julie

Isabella Kantek disse...

Lembra daquela nossa conversa sobre ser visceral, ser inteiro, ser sangue e não meias verdades? E as perdas, e as barbaridades que comentam por aí?
Agora ficou tudo claro e eu não canso de te ler. Sensacional, Prill. =**

Ana Luiza Paes Araújo disse...

Quanto ao meu post: você tem toda a razão, o brasil não é nada brasileiro. Quanto ao seu post: eu não estva com pena de você quando te liguei, estava com pena de mim (mas deste assunto não quero falar)e preocupada com você sim. mas prefiro conversar em particular com você.
beijos

cris disse...

Sabe, eu sempre fico na dúvida se não estou me expondo demais no blog. Daí dou uma volta pelos posts, e vejo que não. Na verdade sempre que não estou muito bem fujo um pouco do blog pra tão ser tão carne viva por ali. Sei lá se é legal, mas é minha maneira de manter um pouco da sanidade e não fazer da minha página um diário virtual. Enfim, me contradigo, quando vejo, estou me dando por inteira em palavras soltas...

Sei lá se me expliquei bem.

: )
Beijo, Prill!

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