terça-feira, 6 de março de 2007

Das novas aquisições cinemáticas

Semana passada terminou a Mostra Inéditos no Rio do CCBB que aprontou mais de uma dúzia de filmes que jamais entraram em circuito comercial aqui no Rio - e que certamente nunca entrarão. O encerramento da Mostra me fez montar uma espécie de fechamento dos filmes que mais gostei; dos filmes pelos quais estou COM-PLE-TA-MEN-TE obcecada (nem minha mãe me aguenta mais, Luana está à beira de um colapso); uma montagem feita só com os filmes da tal mostra, mas todas as películas que me vêm rondando a mente nesses últimos tempos. Seriam estas...
DÁLIA NEGRA
(The Black Dahlia|2006|Brian de Palma+Josh Friedman[screenplayer] e James Ellroy[romance de])


Confesso duas coisas: 1. só assiti à dois filmes do Brian de Palma e 2. sou completamente apaixonada por filmes noir. O Dália Negra é o segundo remake de um noir que sair em grande circuito com certo estardalhaço (mesmo que com críticas péssimas lá nos EUA), o primeiro foi SinCity que não chega a ser um noir verdadeiro mas... uma visitação, SinCity é um Frank Miller, é um quadrinho que transita pelo submundo com suas mulheres sensuais, policiais que são heróis exemplares e muita calhordagem da máfia (tão sedutora quanto as mulheres)... mas é em Dália Negra que os anos 40 aparecem com todas aquelas cores obscuras e linguagem romancesca-trash . Bom..não vou ficar conceituando porque fico parecendo escrota e ainda corro o sério risco de alguém que entenda do riscado ler isso aqui e me denunciar.
A história gira em torno do assassinato da atriz aspirante Elizabeth Short que foi encontrada morta em
1947 num terrrreno baldio californiano cortada ao meio, sem os órgãos internos, com a perna quebrada e com um corte na boca de orelha à orelha. Seria aceitável se não fosse um caso verdadeiro. Só o caso, vale dizer, o filme é uma versão para o caso dada por James Ellroy em seu livro de mesmo nome já que até hoje não se sabe quem matou Betty nem qual foi o motivo.
Ellroy escala para essa missão os
detetives Buck(Hartnett) e Lee (Eckhart), o primeiro, um humilde policial cujas pretensões não passam muito das de ter uma vida tranquila, o segundo, um homem ambicioso e obcecado pela resolução do assassinato. No meio deles, mas nunca entre eles, está a loira Kay Lane (Johansson). Não vou me fazer de rogada ao dizer que o filme se torna ainda mais iluminado (no caso..mais dark) com a entrada de Madeleine Linscott, absurdamente interpretada pela absurda Hilary Swank que bagunça o harmônico triângulo Buck-Kay-Lee e traz pistas chaves para a resolução da morte da infame Dália Negra (Kirshner); é a minha personagem favorita do filme, nem precisa dizer...
Os
diálogos são bem rápidos - tenha em mãos seu controle remoto - e o mistério é mantido à base de muito jogo de roteiro e imagens cuidadosamente editadas, bem mantido num filme delicioso e perturbador. Atenção para a trilha: "Love for Sale" do Cole Porter interpretada por K.D Lang..ai ai...


VIVA ARGÉLIA!
(Viva Laldjerie|2004|Nadir Moknèche)

Assisti ao Viva Argélia! (não me perguntem o por que desse ponto de exclamação porque eu não saberia responder satisfatoriamente) pela primeira vez no cineART UFF com a bela Luiza, lembro que chegamos super atrasadas (como de costume) e ficamos boiando, já que o filme já tava lá pros seus 20 minutos de começado. Mesmo assim saí arrasada do cinema... tinha adorado o filme de uma forma tão sem noção que só fui conseguir me responder o que realmente eu tinha gostado nele agora, uns quatro meses depois, ao re-velo na Mostra Inéditos no Rio (detalhe foi o escândalo que eu armei quando vi Viva Argélia(!) na programação, mais uma vez Luana esteve a ponto de surtar porque eu já tinha ouvido a música tema umas 300 vezes graças ao 4shared.com).
O filme se passa na Argélia (oh) de 1997 recém "saída" da
guerra civil - as aspas porque, mesmo durante a trégua, ataques terroristas eram constantes - contando a história de três mulheres: Papicha (Biyouna), sua filha Goucem(Lubna Azabal) e da incansável prostituta Fifi (Nadia Kaci). As três moram num decadente pensionato com mais algumas famílias. Nada demais, não?
Mais tarde descobri que o Nadir Moknèche é conhecido por aí como o Almodovar do mundo árabe... já digo porque. Papicha
(ou melhor, a senhora Sendjak), uma viúva, é ex-dançarina/stripper e vive das recordações daquele tempo (e de pizzas..muitas pizzas), Goucem tem à 3 anos um affair com um médico casado que as sustenta eventualmente mas o cara, repentinamente, começa a dar mostras de que vai cair fora do relacionamento sem o sonhado casamento com a moça, eventualmente trabalha com certa justeza na loja de fotografias de Monsieur Mounfouk. Já Fifi..bem...Fifi está sempre muito ocupada com seus clientes.
As coisas parecem indesdobráveis já que temos, até então, casos estagnados. Talvez não haja um ponto de conflito... as próprias existências são o conflito. Mesmo assim os acontecimentos vão sendo desfiados bem à nossa cara; os conflitos entre Goucem e a mãe, as aventuras de Papicha e Tiziri (Lynda Harchaoui) - a vizinha pré-adolescente - em busca da reabertura do antigo Cabaré Le Copacabana, além das nuanças da cosmopolita-decadente Argélia: uma junção de África, fundamentalismo islâmico e Ocidente cuja combinação fascina já no primeiro minuto.
Sou obrigada a destacar a cena em que Papicha,
desiludida em perceber que seu mundo julga sua arte como crime e em perceber que sua filha de 27 anos está triste com o rumo que a vida as levou a ter. Está sentada assim na praia e começa a ouvir uma música vinda do bar. Alguns minutos depois já está completamente bêbada, disposta a dar os braceletes de ouro em troca de mais uma dose de wisky - é impedida a tempo por um homem que lhe paga a bebida.
Pede então para que coloquem uma música de Chebba Djenet (a Princesa do RAI - música argelina, também descobri isso depois) e começa a dançar levando todos os clientes ao mesmo. Depois é o roteiro do bêbado.... chora horrores lembrando-se do marido morto. Morreu num atendado? Não,
morreu de nojo, ela diz.


DONNIE DARKO
(Donnie Darko|2001|Richard Kelly)

Fui obrigada a colocar os dois posteres. Richard Kelly não deixa ser uma tarefa fácil explicar a sinopse surreal que envolve o
clássico cult Donnie Darko. Por que me ufano do filme?? Se eu tivesse um filho, ele seria o Donnie... rsss (ou talvez eu seja ele, mas tenha vergonha de contar a vocês, daí arranjei essa desculpa do filho). Perturbado, desajustado, sonâmbulo e esquizofrênico, o adolescente Donald (Gyllenhaal) é constantemente visitado pelo coelho gigante (e feio pra burro) Frank (Duval) (a carinha dele é essa aí do segundo poster) que insiste para que ele o obedeça executando certas....tarefas (imagine a tarefa pelo machado na mão do moço). Pros admiradores e saudosistas dos anos 80, a trilha sonora e o ambiente é um prato cheio (Joy Division, INXS, Echo and the Bunnyman...), pros que curtem uma viagem confusa por si mesmo é um banquete completo. Donnie se torna cada vez mais doente por não compreender as questões óbvias da existência: por que estamos aqui? pra onde vamos? Pra que estamos e pra que vamos? E tome de consultas com a psicóloga, de remédios desconfiáveis e de preocupação dos pais...
Acompanhamos assim uma vertiginosa viagem de Donnie por multiplas especulações a respeito da ordem natural das coisas, do tempo e da agonia de saber que a culminancia de isso tudo é um grande sei-lá-o-quê apavorante.
Ele acorda certo dia com uma turbina de avião caindo em cima de seu quarto, no outro quase atropela com seu pai uma velhinha no meio da rua e noutra noite está com a menina dos seus sonhos, Gretchen, assistindo um filme de
terror ao lado de Frank, o coelho. Alice compreenderia tudo.

DONNIE
Por que você está vestindo essa roupa estúpida de coelho?
FRANK
Por que você está vestindo essa roupa estúpida de humano?



comentários: os comentários feitos estão sendo respondidos na própria caixinha de comentários. obrigada.
FONTE: Internet Movie Database & Comme au cine.com



5 comentários:

Flaviatornatore disse...

Poxa, você é uma crítica de cinema e tanto!

Feliz disse...

aiii... lá vem vc estragar a caipirinha colocando adoçante!

vi o dália no cinema... as imagens são bem bonitas... mas vou precisar rever pq me distraí em várias cenas! huahuah

Benzeno disse...

Quando eu vi que esta publicação só tinha, até então, dois comentários, pensei: deve ser um da Belle e outro da Flávia.

Bingo!

"Bingo!"??? Que brega, Bruno.

Serei sincero, não li tudo. Gostei do que disse sobre os limões, mas detesto SinCity. Achei o filme realmente ruim, mas veja bem, o problema é comigo. Ainda não tenho o pluggin cognitivo necessário para tal compilação.

Eu acretido que este seu espaço será bem visitado, mais útil e melhor direcionado a o que era o seu perfil no Orkut.

Beijos!

. disse...

Tornatore ah...por favor! tô me sentindo escrotérrima agora.

Feliz sempre feliz... rsss assista novamente, Belle - prestando atenção, lógico - acho que vc vai gostar.

Benzeno pois é. você acertou nas maricotas. ai, eu também não sou de grandes leituras digitais. dá preguiça... mas espero que algum dia você leia alguma coisa inteira por aqui. obrigada :)

thiago kerzer disse...

Donnie Darko é um filme maravilhoso! Ele mostra o quão complexa pode ser a realidade em que vivemos e que normalmente costumamos imaginar de forma linear e simples.

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