sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Postagem travessia para moças perplexas

postagem apagada, postagem de volta, postagem de merda com título novo lindamente rebatizado.

cachecol molhado, bota molhada, não era das meninas mais impermeáveis; sempre tudo molhava até as revistas e os livros nas ocasiões mais diversas, a principal delas era, sem problemas com a certeza, quando chovia demais e entrava água no quarto (rachadura na parede). inundação. chorar fazia pouco; se proclamava a vontade e ficava sempre sendo só vontade porque não passava jamais da portinha do olho. ela dizia que tinha cadeado praquilo, pra represar, e represou sem querer de tanto não poder se fluviar.

desse jeito, então, tinha-se feito aquele redor.

se não molha por dentro o trasbordamento vem de fora, por infiltrações, ou cano estourado ou caos poético bíblico. sorte era que nadava bem, não que tivesse treinado, nunca tinha tido asma, mas aprendera numa bacia de alumínio cheia e fresca, entre a terra muito batida e a sombra das folhas de bananeira - aliás, acreditava piamente que as folhas de bananeira, se secas e trançadas, poderiam se transformar em jangada. perdia ou ganhava dias de sol no tanque velho (hoje, ao redor desse tanque, colocaram cacos de azulejo, um de cada cor no concreto) daí lavava as folhas com sabão e punha pra secar feito fosse roupa, com pregador e tudo. se perguntada sobre as aprontações, respondia pra preta dos cuidados que queria secar as folhas e fazer uma jangada das tranças. preta não só dos cuidados que evitam de cair ou se perder, mas das imaginações. ela ensinou que não se ia a escola, se fazia percurso, e que se pode(ia) entrar nos matos pra tomar um mel que dava em plantinhas, também tinha aquele melão-de-são francisco. eram épocas moderadamente úmidas, humildemente frescas, tinha também abacate amassado com limão, mas ele ainda não era expresso, mas ela ainda não tinha cadeado pra represar a água de dentro, se soubesse, se eu fosse falar com ela agora, ela ia me dizer preu jogar fora, dar com pedaço de pau, pra gente enfrentar os mosquitos e a perna ralada, pra gente dar nome pros cachorros desconhecidos dos vizinhos desconhecidos e sonhar com que casa morar (o sobrado branco tá lá ainda, igualzinho!), e ver a galinha Knorr colocando ovo, biscoito de maisena enfeitado com garfo de 4 dentes e todo etecétera. se ela me visse...se eu pudesse falar de ouvir com ela agora, ela ia dizer preu desaguar e escrever de vez em sempre. eu ia dizer que todo segredo deve ser mantido do olho pra dentro, que isso é falha que a gente aprende no eito dos mal-amar... cachecol molhado, bota encharcada, jaqueta que não cobre os braços, ponto de ônibus e daí é noite. que'me dera agora te'minha jangada pra cantar.

4 comentários:

mãe da estela disse...

Sem comentários: humildemente frescas, tinha também abacate amassado com limão, mas ele ainda não era expresso, mas ela ainda não tinha cadeado pra represar a água de dentro, se soubesse, se eu fosse falar com ela agora, ela ia me dizer preu jogar fora, dar com pedaço de pau

Postagem travessia para moças perplexas.

Ricardo Rayol disse...

você joga com as palavras. opostas em oposicionista posição, transpondo certeiros conceitos errados. adorei. adoro.

Isabella Kantek disse...

Quanta honra, Prill!!! Só você mesmo... [comments<--->post simbióticos]
Quando entrei e li o novo título, pensei "conheço isso de algum lugar". Hahahahahaha. Ando muito "dislexa".
Bisous, sua limão do Cairo.

Anônimo disse...

Estou aqui apesar do silêncio. Um beijo.

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