quarta-feira, 4 de abril de 2007

Dos separatistas

Não merecíamos esse destino, de sermos perguntados, pela televisão, onde cada um de nós esconde o próprio racismo. Essa é a pedagogia do racismo. Quer obrigar todo mundo a se confessar racista, a se conceber racista, a se tornar racista. É tudo muito insensato. Eu, que não sou tão diferente assim dos demais brasileiros, não escondo racismo algum, simplesmente não sou racista. A idéia de raça é uma idealização alucinatória, do tipo que levou os alemães a matar os judeus que conseguiram encontrar, de 1933 até 1945.
(José Roberto Góes . Revista Inteligência, 2006)
Um semanário atrasado
Estou ainda pensando em Matilde Ribeiro e sua máxima "quem foi açoitado a vida inteira, não é obrigado a gostar de quem o açoitou". Depois veio o incêndio na UNB e... já não sei se não foi a a própria Matilde quem foi lá e tocou fogo na faculdade... seria a prova cabal de sua insanidade e a colocaria num hall da fama bem do lado de Nero, assim bem juntinho; uma saída gloriosa para nossa ministra
da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (também desconhecido como Seppir).
Na verdade, isso aqui deveria ser uma espécie de artigo mas eu não consigo executá-lo, o que me deixa
frustrada. Não que a minha opinião vá mudar o planeta, reconheço a desimportância que ela tem frente ao resto do resto todo - também nunca tive essas pretensões megalomaníacas, só fui um tanto comunista numa determinada época - mas... dá pra entender que acho importante e válido que não engrossemos e coro do silêncio (isso foi proposital). Coloco esse "engrossemos", esse nós, tentando englobar todo mundo que eu conheço que acha essa propaganda maciça sobre o racismo existente no país (como a "Onde você esconde seu racismo") uma grande manobra para levar todo o país a um estado de loucura, intolerância e racismo de fato (todas as palavras se redundam aqui); todo mundo que eu conheço (vou me corrigir, os que não conheço também) que considera isso tudo de um desinteligência e mal gosto absurdos.
NÃO SOMOS RACISTAS, nunca fomos racistas, segregacionistas como dizem os que gostam de nos ver norteamericanizados; no Brasil não conseguiríamos filmar Crash nem tampouco conseguiríamos apontar quem são esses brancos de quem D. Matilde fala, principalmente esses brancos que (me??) açoitaram.
O chicote brasileiro não foi privilégio dos "brancos", mas de todos os senhores de escravos fossem sem cor ou de cor. O mercado de escravos era plenamente acessível a quem pudesse pagar por ele e, não se engane pela caricatura da escravidão, africanos e crioulos (afro-descendentes) tinham oportunidade de tornarem-se também donos de gente bastando para isso uns réis para aplicação na sacola. Não porque eram cruéis, mas porque tinham respaldo de uma cultura escravista em que estavam inseridos e que hoje analisamos como cruel, mas hoje não é o século XIX... Finalmente confesso: a senhora D. Matilde está equivocada e seu equívoco extrapola os limites da lógica, do bom senso e da própria lei anti-racismo que tanto defende.

Na mente de loucos
Digo a vocês que estou sinceramente preocupada com a minoria branca de nosso miscigenado país, os brancos, nórdicos, descendentes diretos dos europeus cujos pais, avós ou bisavós, jamais tiveram contato com nenhum fruto (ou fruta) dessa terra. Estes estão realmente ameaçados já que a senhora Matilde considera natural que um "negro" se ponha contra um "branco" porque, numa era imemorial ao mesmo cidadão (que é "negro"), seu antepassado fora açoitado pelo antepassado do outro "branco", ignorando - como eu já disse aí em cima, mas agora vamos fazer igual ao filme Cidade de Deus e ver a mesma cena sob outro ângulo - que este, ou ainda, estes mesmos antepassados possam ter sido açoitados por um outro "negro", por um suposto igual.
Tais arianos estão excluídos do afanado Estatuto da Igualdade Racial e podem, segundo o Seppir e sua secretária, serem recharçados por uma KKK/Panteras Negras numa espécie de sacrifício cristiano que visa purgar os "brancos" de "suas" atrocidades passadas.
E então? Como fica? E os "pardos"? Devem passar a chicotear-se a si próprios como retaliação aos insultos recebidos por parte de uma porção "branca" ancestral? E a porção índio? E agora? E os de origem árabe? Mapeamento genético seria a solução? Que porcentagem dos meus genes ganhará?

Isto é o circo dos horrores, amigos... É o ódio mútuo semeado pelo Seppir da notinha do jornal à novela das oito. Dividir para unir. Dividir para consertar. Descriminar para discriminar.
Me perdoem o mal jeito com as palavras e o assunto indivertido.

Para ler e não insandecer:
ENTREVISTA À BBC BRASIL - Matilde Ribeiro
NÃO SOMOS RACISTAS - de Ali Kamel
REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL - Minoria: ser ou não ser?
DOIS MIL E SETE- por J.R. Góes
CONTRA O FANATISMO - de Amoz Os
RAÇA COMO RETÓRICA - de Yvonne Maggie

5 comentários:

Deco disse...

Cada vez que leio um de seus textos me surpreendo. vc está se superando a cada palavra, a cada frase, a cada oração !!
Falar sobre questões raciais é uma coisa complicada e vc naum deixou uma brecha pra eu te contráriar !!!
Parabéns !!!!!!

Dória disse...

Pril... como disse o carinha daí de cima: "vc está se superando"
Discordo cada vez mais com essa maluquice, só temo que isso tome a cabeça de mais pessoas. Não entendo como eles conseguem pensar dessa forma. Enquanto isso vou comendo meu chocolatinho miscigenado que vc me deu...
Te amo nega!

Beijos!

Feliz disse...

são loucos pris... todos loucos e essa mulher é mais louca ainda!

Carola Richardson disse...

Priss não me atualizei ainda no seu blog, mas só pra avisar que não recebi a carta...

acho q ela foi extraviada Ç_Ç

José Roberto Pinto de Góes disse...

Já viu As Invasões Bárbaras? A inteligência abandona povos e civilizações inteiras, vez ou outra. Vai repousar em outro lugar, simplesmente. É triste.

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